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"Cena de execução", diz médico que atendeu feridos em Paris

Denis Safran atua nas operações de uma tropa de elite da polícia francesa e socorreu vítimas do atentado na casa de shows Bataclan

18 nov 2015
09h18
atualizado às 10h32
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"Eram ferimentos de guerra", afirma o professor Denis Safran, médico que atua nas operações de uma tropa de elite da polícia francesa, se referindo às vítimas do atentado na casa de shows Bataclan, em Paris, na sexta-feira (13), onde morreram 89 pessoas.

O doutor Denis Safran entrou no Bataclan junto com os policiais que invadiram a casa de espetáculos e eliminaram os atiradores
O doutor Denis Safran entrou no Bataclan junto com os policiais que invadiram a casa de espetáculos e eliminaram os atiradores
Foto: France 2

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Safran, que já havia atuado no ataque contra o supermercado judaico em Paris, em janeiro, participou de toda a operação no Bataclan, utilizando os mesmos tipos de proteção dos policiais, como colete à prova de balas e capacete.

Ele foi um dos primeiros a entrar na casa de shows com a Brigada de Busca e Intervenção (BRI, na sigla em francês), quando os terroristas ainda estavam vivos. "Só havia ferimentos hemorrágicos a balas, em grande número. É o tipo de situação que encontram os médicos de guerra. Na França, não estamos habituados a esse tipo de cena", disse o médico à BBC Brasil.

Apesar de exercer a medicina há 44 anos e de já ter participado de inúmeras operações policiais, Safran, que também atua como consultor para o Ministério do Interior, diz "jamais ter visto cenas como essas". "Havia tantos corpos misturados no chão, mortos em meio a feridos pedindo socorro", conta o médico. "Já vi muitos feridos graves na minha carreira, mas não um número tão grande."

Logo ao entrar no local, ele diz ter ficado chocado com o número de mortos, "muito jovens", de feridos em estado muito grave e de potenciais vítimas, já que os dois terroristas vivos, que estavam no 1° andar da casa de shows, poderiam continuar atirando ou causar uma explosão.

O terceiro terrorista, que tinha ficado no térreo, já havia sido abatido por um policial. Ele foi o único que não detonou seu cinto de explosivos.

Na urgência, para tentar salvar vidas, Safran conta que precisou pular os corpos de pessoas já mortas. "Era uma cena de execução. Ferimentos a bala na cabeça, no tórax, nas costas. As pessoas foram assassinadas metodicamente", disse Safran à BBC Brasil. "Fiquei chocado ao ver tantas vítimas tão jovens", diz.

O número de feridos encaminhados a ele era tão grande que o médico ficou sobrecarregado. "Somos obrigados a estabelecer prioridades para tentar salvar os que podem ser salvos."

Ele também auxiliou os reféns a escapar. "Disse aos menos inválidos para levantar e fugir." Outros foram retirados pelo telhado, onde haviam conseguido se esconder.

Alguns reféns chegaram até mesmo a quebrar o teto de um dos banheiros e se esconder no forro.

Safran afirma que a tomada de reféns no supermercado judaico Hyper Cacher, em janeiro, foi uma operação mais simples. Isso porque, diz o professor, no supermercado houve menos mortos (quatro) e feridos e havia também apenas um terrorista, Amedy Coulibaly.

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