Flotilha para Gaza volta a ser interceptada por Israel, que considera missão 'mal-intencionada'
Os organizadores de uma nova flotilha para Gaza, que partiu da Turquia na semana passada, denunciaram nesta segunda-feira (18) que algumas embarcações foram interceptadas por navios militares de Israel perto do Chipre. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou a operação e parabenizou as forças navais por frustrarem o que considerou um "plano mal-intencionado".
"Navios militares estão atualmente interceptando nossa flotilha e as forças israelenses estão subindo no primeiro dos nossos barcos em plena luz do dia", afirmou a flotilha Global Sumud na rede social X.
RED ALERT!
Military vessels are currently intercepting our fleet and IOF forces are boarding the first of our boats in broad daylight.
We demand safe passage for our legal, non-violent humanitarian mission. Governments must act now to stop these illegal acts or piracy meant to… pic.twitter.com/4RmPuswZNo
— Global Sumud Flotilla (@gbsumudflotilla) May 18, 2026
"Temos certeza de que pelo menos dois ou três barcos" foram parados, precisou Gorkem Duru, um membro da ala turca do movimento, que não está a bordo. Mas outros continuam seu trajeto rumo a Gaza, disse ele, acrescentando que "as comunicações com eles foram cortadas".
O militante Suayb Ordu, que estava a bordo de uma das embarcações, afirmou à TV turca que os ativistas "não tiveram outra escolha senão (...) se render pacificamente, sem oferecer resistência". Outro membro da flotilha, Omer Aslan, declarou que presenciou soldados israelenses equipados com "armas de cano longo".
"Continuem até o fim"
Um comunicado divulgado pelo gabinete de Netanyahu afirma que o premiê enviou uma mensagem ao ao comandante da Marinha israelense à frente da manobra, afirmando: "vocês estão conduzindo esta operação com um sucesso notável (...) Continuem até o fim". Nas imagens da conversa divulgada, o premiê ainda declara: "vocês estão frustrando um plano mal-intencionado concebido para romper o bloqueio que impusemos aos terroristas do Hamas em Gaza".
Algumas horas antes, o Ministério das Relações Exteriores de Israel havia advertido que o país "não permitirá qualquer violação do bloqueio naval legal imposto a Gaza". "Israel pede a todos os participantes desta provocação que mudem de rumo e retornem imediatamente", afirmou o ministério em uma mensagem publicada no X.
Quase 50 barcos zarparam em 14 de maio do sudoeste da Turquia como parte da nova flotilha da Global Sumud. O governo turco condenou a "intervenção das forças israelenses em águas internacionais", afirmando que ela constitui um "novo ato de pirataria".
O governo israelense criticou a nova tentativa de romper o bloqueio. "Desta vez, dois grupos turcos violentos - Mavi Marmara e IHH, este último designado como organização terrorista - participam da provocação", afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Israel. "O objetivo é servir ao Hamas, desviar a atenção da recusa ao desarmamento (do grupo) e prejudicar os avanços do plano de paz do presidente (americano) Donald Trump", acrescentou.
Terceira tentativa da Global Sumud
Esta é a terceira tentativa em um ano de romper o bloqueio israelense imposto à Faixa de Gaza, devastada pela guerra que teve início devido ao conflito entre Israel e o movimento palestino Hamas, em outubro de 2023. As autoridades israelenses rejeitam as acusações de escassez de ajuda e insistem que o território está "inundado" de assistência.
No último 30 de abril, as forças israelenses interceptaram embarcações da flotilha Global Sumud em águas internacionais, na costa da Grécia. A maioria dos ativistas foi liberada rapidamente na ilha da Creta.
Dois ativistas, no entanto, foram detidos: o brasileiro Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, de origem palestina e nacionalidade espanhola, que foram levados para Israel. Após vários dias de detenção e interrogatórios, eles foram expulsos em 10 de maio.
Várias ONGs denunciaram detenções ilegais e afirmaram que os dois sofreram maus-tratos durante o encarceramento em Israel. As autoridades israelenses rejeitaram as acusações, mas decidiram não abrir um processo contra os ativistas.
RFI com AFP
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