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Vidraça em formato de véu decora Artes do Islã no Louvre

9 jan 2012 - 15h08
(atualizado às 16h05)
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Após a Pirâmide de Pei, o Louvre cobre o seu novo departamento de Artes do Islã com um teto de vidro no formato de um véu castanho, com reflexos dourados, que transmite a impressão de ondular sobre o pátio Visconti, perto do Sena - um desafio arquitetural que foi motivo de dores de cabeça para os autores do projeto, Mario Bellini e Rudy Ricciotti. As obras de criação do departamento de Artes do Islã estão, praticamente concluídas.

Cobertura em formato de véu decora o novo Departamento de Arte Islâmica no Louvre, em Paris
Cobertura em formato de véu decora o novo Departamento de Arte Islâmica no Louvre, em Paris
Foto: AFP

Tudo estará pronto em maio, mas o calendário político, com a eleição presidencial, poderá atrasar a inauguração para depois do verão, no Hemisfério Norte. O projeto de dotar o Louvre de um verdadeiro departamento de Artes do Islã foi lançado, em outubro de 2002, pelo ex-presidente Jacques Chirac, desejoso de contribuir com a "vocação universal" do museu mais frequentado do mundo. O presidente Nicolas Sarkozy colocou a primeira pedra em julho de 2008.

Com 15 mil peças, a coleção de arte islâmica do Louvre esteve guardada durante décadas até ser exposta, parcialmente, no subsolo, em espaços estritos. A partir de 2008, a seção foi fechada para que as obras fossem inventoriadas minuciosamente. Enriquecida com outras 3,4 mil peças entregues pelo museu de Artes decorativas vizinho, a coleção será apresentada em dois níveis (no solo e no subsolo), dispondo de um espaço de 4,6 mil m².

"Quisemos imprimir muita leveza ao véu, como se estivesse sustentado no ar, flutuando, elegante e poético filtrando a luz, permitindo perceber as fachadas históricas do pátio Visconti", explicou Mario Bellini, durante uma visita ao canteiro de obras. Enquanto os operários se apressam em concluir o grande teto envidraçado, envolto numa lâmina tridimensional de metal dourado e prateado, o arquiteto italiano reconhece que a realização do projeto foi "muito difícil". Sua estrutura é composta de 2.350 triângulos que podem ser abertos para a manutenção.

"Estudamos dezenas, centenas de amostras de materiais", destacou Bellini. A vidraçaria, que não é colada às fachadas dos séculos XVII e XIX, é apoiada por oito estruturas muito finas, para transmitir, ainda, a preocupação de leveza. O pesadelo de Rudy Ricciotti Antes, o pátio Visconti precisou ser escavado numa profundidade de 12 m, com a retirada de milhares de metros cúbicos de terra por uma porta estreita. A equipe cavou com técnicas muito sofisticadas sob a ala que abriga os salões onde está exposto "Le Sacre de Napoléon" A Sagração de Napoleão, de David.

As fundações foram retomadas e abaixadas. Colunas foram construídas com injeção de cimento de alta pressão. O arquiteto francês Rudy Ricciotti dimensionou a dificuldade técnica como a "parte não visível do iceberg". Admitiu ter sido dominado por um suor frio, em vários momentos. "Tive um pesadelo. Sonhei que a fachada do lado do Sena desabava", contou ele.

As fundações foram motivo "de grandes temores" dos arquitetos. Mas as construções, "praticamente, nem as moveram,". "O deslocamento máximo registrado foi de 2,5 mm, um nada", comentou Gérard Le Goff, mestre de obra. Desde sua chegada ao Louvre, em 2001, o atual presidente do museu, Henri Loyrette, desejou tirar as artes do Islã da "marginalização", através da construção de um verdadeiro departamento.

"Trata-se de apresentar a face luminosa desta civilização que engloba, em seu seio, uma humanidade infinitamente variada e rica", explicou.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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