Ucrânia: emissários dos EUA se reúnem com Zelensky para discutir o fim do conflito com a Rússia
Os enviados especiais dos Estados Unidos, Jared Kushner e Steve Witkoff, estão na Ucrânia, onde se reúnem na tarde deste domingo (5) com o presidente Volodymyr Zelensky. Esta é a primeira visita dos dois a Kiev, após terem se encontrado com Vladimir Putin, em Moscou, no sábado (5). Segundo Donald Trump, seus emissários levam uma proposta "para pôr fim ao conflito" entre os dois países.
Emissários dos EUA reuniram-se com o presidente Volodymyr Zelensky em Kiev para discutir o fim da guerra. O líder ucraniano reiterou a busca pela paz e exigiu garantias de segurança, enquanto negociações seguem travadas por disputas territoriais rejeitadas por Kiev. Antes da visita à Ucrânia, os enviados americanos estiveram em Moscou com Vladimir Putin para debater propostas e acordos econômicos, gerando um misto de esperança e ceticismo na população ucraniana após anos de conflito.
A visita dos enviados dos Estados Unidos era muito aguardada pela Ucrânia. Após chegarem à Praça Sofia, no centro de Kiev, Jared Kushner e Steve Witkoff foram recebidos pelo presidente ucraniano.
Volodymyr Zelensky se mostrou à disposição para a troca de informações e reiterou o interesse da Ucrânia em pôr fim à guerra, enfatizando a necessidade de garantias de segurança.
"A Ucrânia sempre demonstrou uma atitude construtiva e continuará a fazê-lo. Queremos acelerar o fim da guerra. A paz é necessária. Garantias de segurança são necessárias", declarou Zelensky pouco antes da chegada deles.
Representantes da França, Grã-Bretanha e Alemanha para questões de segurança nacional também estiveram em Kiev neste domingo, antes do encontro de Zelensky com os enviados dos EUA.
A meeting with our negotiating team ahead of the meeting with the U.S. President's envoys. We are ready for the conversation. Ukraine has always been and will remain constructive. We are interested in bringing the end of the war closer. Peace is needed. Security guarantees are… pic.twitter.com/WIqQKZfLAs
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) September 6, 2026
Previamente a este compromisso, o presidente ucraniano se reuniu com sua equipe de negociação, incluindo o chefe do gabinete presidencial, Kyrylo Budanov, e Rustem Umerov, chefe da inteligência estrangeira. Zelensky também indicou que as condições da Ucrânia para a paz estavam fechadas.
"Nossas propostas estão prontas. É importante trabalhar de forma coordenada, minuciosa e realista", resumiu. As negociações estão essencialmente paralisadas devido à questão territorial, com Moscou exigindo que o Exército ucraniano se retire completamente da região leste de Donetsk, o que Kiev considera inaceitável.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Andriy Sibyha, esclareceu hoje que os avanços da Rússia no território ucraniano neste verão são mínimos: 5 quilômetros quadrados no mês de agosto. Esta é a forma que Kiev encontrou para sinalizar que as reivindicações territoriais russas não correspondem à realidade no terreno, ao contrário do que Vladimir Putin disse aos enviados americanos.
"Planos substanciais"
No sábado, os dois enviados do presidente Trump estiveram em Moscou, onde discutiram "planos substanciais" para a Ucrânia com Putin. Segundo fontes russas, as negociações não se limitaram a uma troca de opiniões sobre a resolução da crise ucraniana.
Questões econômicas e potenciais grandes projetos russo-americanos mutuamente benéficos foram discutidos em detalhes. O que indica que uma resolução para o conflito não ocorrerá sem que Moscou receba concessões econômicas significativas, avalia o correspondente da RFI na Rússia, Jean-Didier Revoin.
"Já houve negociações demais"
Na população ucraniana, após quatro anos de conflito com a Rússia, o clima fica entre esperança e ceticismo para o fim da guerra, que começou em fevereiro de 2022.
"Esperamos que essas negociações resolvam algo. Como ucraniana, quero que elas aconteçam preservando nossos territórios", disse a faxineira Yulia, de 41 anos. Hoje, morando em Kiev, ela conta que vem dos territórios sob ocupação russa.
"Por enquanto, isso não gera nenhuma esperança. "Já houve negociações demais", sem paz, lamenta Yaroslav, de 29 anos, outro morador de Kiev, mostrando-se cético quanto ao fim da guerra.
RFI com AFP
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