Alemanha: partido de extrema direita pode conquistar vitória 'sintomática' em eleição regional neste domingo
Uma votação decisiva ocorre nas eleições regionais da Alemanha neste domingo (6). O partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, que registra 41% nas pesquisas, pode conquistar seu primeiro estado, a Saxônia-Anhalt, situada na antiga Alemanha Oriental. Diante desses números, o clima entre membros e apoiadores é de confiança na vitória.
O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) desponta como favorito nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt, podendo se tornar o primeiro a governar um estado alemão desde 1945. Liderada por Ulrich Siegmund, a sigla atrai eleitores ao propor deportações em massa, controle rígido da imigração e o fim da ajuda financeira à Ucrânia para focar na economia local. O avanço, impulsionado por divisões históricas no leste, serve de alerta sismográfico para o cenário político nacional.
Com Murielle Paradon, correspondente da RFI em Magdeburgo, e AFP
Na sexta-feira (4), o líder da AfD na região, Ulrich Siegmund, discursou em um festival para famílias em Magdeburgo. "Hallo Sachsen-Anhalt, hallo liebe Freunde!" ("Olá Saxônia-Anhalt, olá queridos amigos!"), disse ele, subindo ao palco com um suéter branco e saudando seus apoiadores. Assim como sua base eleitoral, Siegmund já se considera vencedor da eleição regional neste estado do centro da Alemanha.
"Em princípio, já ganhamos esta eleição. Já fizemos história. Voltamos a ser nós mesmos; aprendemos a amar nosso país novamente", declara enfaticamente à plateia em Magdeburgo.
O líder da extrema direita na Saxônia-Anhalt, um defensor do patriotismo, também promete implementar sua plataforma imediatamente caso vença as eleições: "Agiremos desde o primeiro minuto. É claro que realizaremos deportações desde o primeiro minuto. É claro que colocaremos ordem na imigração. É claro que investiremos em casa. E faremos tudo ao nosso alcance, por meio de canais diplomáticos, para proteger nosso país do rumo que está tomando em direção a uma guerra insana".
Suspensão da ajuda à Ucrânia
Interromper o apoio à Ucrânia para redirecionar a ajuda financeira aos alemães é outro tema importante para a AfD, que o partido pretende defender em nível nacional. "A Saxônia-Anhalt é o primeiro passo. Claro que iremos além", promete Ulrich Siegmund.
É uma ideia que agrada seu eleitorado. "Muito dinheiro está sendo gasto na guerra na Ucrânia; é o dinheiro dos meus impostos que poderia ser usado de outra forma", afirma o engenheiro Wieland.
"Tudo é possível", repete Ulrich Siegmund incessantemente. Seus apoiadores querem acreditar nisso. "Nossa economia está entrando em colapso. Os preços da energia estão altos, assim como os dos combustíveis. Os impostos estão altos demais. Ulrich Siegmund disse que vamos começar a mudar as coisas aqui antes de conquistar toda a Alemanha".
Outro tema que une apoiadores da extrema direita de todas as gerações é o combate à imigração. "Acho bom que a AfD queira lançar uma campanha de deportação em massa. Não deveríamos mandar de volta estrangeiros que trabalham, mas sim aqueles que causam problemas", diz Lukas, de 22 anos.
O grupo responsabiliza estrangeiros por todos os males, acusando-os de serem criminosos e de receberem benefícios sociais em excesso. "Se todos os estrangeiros deixassem o país, nossas aposentadorias melhorariam, porque estamos financiando-os com o nosso dinheiro. Não dá para continuar assim. Não trabalhamos a vida toda apenas para ver o povo alemão esquecido no final", declara uma aposentada.
"Sismógrafo" para o restante do país
Se o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistar a maioria absoluta das cadeiras, será a primeira legenda de extrema direita a governar um estado alemão desde 1945.
Uma realidade que, segundo a comissária do governo federal para o leste do país, Elisabeth Kaiser, é explicada por divisões persistentes com o oeste quase 40 anos após a reunificação.
O avanço do partido deveria servir como um "sismógrafo" para o restante do país, acrescenta Kaiser. Embora a AfD ainda esteja longe de governar um estado no oeste, seus avanços eleitorais nessa região também são consideráveis.
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