Anúncio precipitado sobre parque de Dragon Ball em Paris gera mal-estar com detentora da franquia
Durante várias semanas, muitos fãs franceses da popular franquia Dragon Ball ficaram entusiasmados com o anúncio da inauguração de um parque temático baseado no mangá japonês em Paris. No entanto, os detentores dos direitos sobre a produção negaram ter dado o aval para o empreendimento na França.
Após o anúncio de um investimento de € 6 bilhões entre a França e a Arábia Saudita para construir três parques temáticos perto de Paris, autoridades locais divulgaram precipitadamente que um deles seria dedicado a Dragon Ball. A declaração gerou mal-estar com a Toei Animation, dona dos direitos do anime, que desmentiu qualquer autorização para o projeto. Diante da repercussão, o fundo saudita responsável pelo financiamento esclareceu que as negociações de licenciamento ainda estão em andamento.
A confusão parece ter origem em uma série de publicações e conclusões precipitadas, depois que o presidente francês Emmanuel Macron anunciou a construção de um novo parque de diversões, mas sem mencionar qual seria o tema.
Em 24 de agosto, Macron e o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman divulgaram conjuntamente a construção de três parques temáticos em Cergy-Pontoise, a 35 quilômetros a noroeste de Paris, representando um investimento de € 6 bilhões.
"Este projeto surgiu de uma conversa entre o presidente da República e o príncipe herdeiro em dezembro de 2024", em Riade, quando descobriram a "paixão em comum" por mangá "e em particular por Dragon Ball Z", afirmou na época um assessor próximo a Emmanuel Macron.
"Vocês não estão sonhando"
Os rumores ganharam força no fim de agosto quando Valérie Pécresse, presidente da região Île-de-France (nome oficial da região metropolitana de Paris), publicou um vídeo em sua conta no TikTok associando o futuro parque à franquia japonesa.
"Vocês não estão sonhando, Dragon Ball está chegando à Île-de-France. Son Goku [herói do mangá] terá seu próprio parque!", declarou.
No dia seguinte, porém, o jornal Le Monde expressou ceticismo. Segundo informações obtidas pelo diário francês, faltava um "elemento crucial" para que o projeto se concretizasse: "a autorização para usar os personagens e a marca Dragon Ball". Uma semana depois, as declarações de Valérie Pécresse foram, no entanto, reproduzidas em um comunicado à imprensa no site da região de Île-de-France.
Ao ver que "alguns meios de comunicação noticiaram que um parque temático de Dragon Ball está sendo planejado para a França", a Toei — empresa detentora dos direitos da adaptação para o anime — respondeu em um comunicado na segunda-feira (31).
"A Toei Animation Co. e os detentores dos direitos não concederam nenhuma autorização para tal, e desconhecemos tais notícias", afirmou a empresa japonesa.
Por sua vez, a Qiddiya Investment Company (QIC), pertencente ao fundo soberano da Arábia Saudita, que investirá nesses parques temáticos, adotou um tom mais cauteloso e preferiu falar em "negociações em andamento com grandes marcas internacionais detentoras das licenças".
RFI com AFP
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