Ucrânia celebra 'avanços reais' em negociações em Berlim; EUA esperam que Rússia aceite acordo
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e os emissários americanos de Donald Trump, alcançaram "avanços reais" nas negociações em Berlim, declarou nesta segunda-feira (15) o negociador de Kiev, Rustem Umerov. Após o encontro que busca pôr fim à guerra com a Rússia, os europeus propuseram dirigir uma 'força multinacional' para a paz na Ucrânia. Os Estados Unidos esperam que Moscousaceite o acordo.
As negociações sobre um plano de paz para a Ucrânia começaram no domingo, em Berlim. Após dois dias de discussões, os enviados dos EUA voltaram a se reunir na noite desta segunda-feira com o presidente ucraniano e líderes europeus.
Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Donald Trump, participaram do encontro com Volodymyr Zelensky, afirmou o chanceler alemão Friedrich Merz. Líderes do Reino Unido, França, Itália, Polônia e Finlândia também estavam presentes, assim como os dirigentes da Otan e da União Europeia (UE).
As conversas oferecem uma "oportunidade real para um processo de paz" com a Rússia, disse o chanceler alemão, acrescentando que Washington apresentou um conjunto "notável" de garantias de segurança para Kiev.
Em comunicado conjunto, os europeus informaram que propuseram liderar uma "força multinacional" com o apoio dos Estados Unidos com o objetivo de fazer cumprir um possível acordo. A força seria "composta por contribuições de nações voluntárias e apoiada pelos Estados Unidos", que, por sua vez, dirigiriam um "mecanismo de supervisão e verificação do cessar-fogo", detalhou o texto.
Garantias de segurança
O acordo atualmente na mesa de negociação com a Ucrânia inclui garantias de segurança "fortes" por parte dos Estados Unidos, semelhantes à defesa coletiva da Otan, confirmou um funcionário americano, sob condição de anonimato.
O texto inclui ainda "uma dissuasão muito sólida" por meio de armamentos, disse a fonte durante uma entrevista por telefone com jornalistas, acrescentando ter confiança de que a Rússia aceitaria o plano.
Os americanos descreveram como positivas as horas de diálogos em Berlim com Volodymyr Zelensky. Eles afirmam que Donald Trump ligaria, ainda nesta segunda-feira, para o presidente ucraniano e outras lideranças europeias para promover um acordo.
O negociador ucraniano, Rustem Umerov, concordou que "as negociações foram construtivas e produtivas". Em uma mensagem nas redes sociais, ele garantiu que foram "alcançados avanços reais" e que o país espera "chegar a um acordo que nos aproxime da paz".
No entanto, Zelensky admitiu que Ucrânia e EUA têm 'posições diferentes' sobre a cessão de território à Rússia, uma questão considerada crucial nas negociações para o fim da guerra.
A Ucrânia espera convencer Washington de que é necessário acordar um cessar-fogo sem ceder parte de seu território a Moscou. Os dirigentes europeus, por sua vez, têm insistido que qualquer acordo final deve conduzir a uma "paz justa" e não abrir caminho para futuras agressões russas.
Mas a fonte americana declarou que os Estados Unidos continuam exigindo que a Ucrânia ceda o controle da região oriental do Donbass e advertindo que a Ucrânia também deve aceitar o plano.
Aumento da pressão americana
Trump aumentou a pressão sobre a Ucrânia desde que apresentou, em novembro, um plano de 28 pontos para encerrar a guerra, iniciada após a invasão da Rússia em fevereiro de 2022. O projeto, no entanto, foi criticado por Kiev e seus aliados europeus por ser favorável demais a Moscou.
As autoridades de Kiev apresentaram uma contraproposta e Zelensky indicou que seu país estava disposto a abrir mão do projeto de aderir à Otan, desde que recebesse em troca garantias sólidas em termos de segurança.
Moscou assinalou que continua intransigente em suas exigências fundamentais, entre elas a questão territorial e o veto à adesão da Ucrânia à Aliança Atlântica. A Rússia espera que Washington a mantenha informada sobre os resultados dos diálogos em Berlim, disse o Kremlin nesta segunda.
A região do Donbass exigida pela Rússia é formada pelas províncias de Donetsk e Luhansk, no leste ucraniano. Moscou controla mais de 80% da região, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, sediado nos Estados Unidos.
Antes de chegar à Alemanha, Zelensky afirmou que esperava que os Estados Unidos apoiassem a ideia de congelar a linha de frente onde ela se encontra. "A opção mais justa é que as coisas 'permaneçam como estão'", argumentou ele aos repórteres.
(Com AFP)