Tributo a Brigitte Bardot gera disputa entre direita e esquerda na França
Desde o anúncio do falecimento de Brigitte Bardot, no domingo (28), aos 91 anos, políticos franceses se dividem sobre a necessidade de um tributo nacional à lenda do cinema francês. Vozes à direita e à extrema direita defendem uma homenagem nacional, proposta rejeitada pela esquerda. O funeral privado de Brigitte Bardot deve ser realizado no dia 7 de janeiro, na igreja Notre-Dame de l'Assomption, em Saint-Tropez, no sul da França.
A morte de Bardot divide opiniões: enquanto elogios e homenagens vindos da direita se multiplicam, entre políticos de esquerda o tom é bem menos entusiasta.
Deputados e representantes da direita e da extrema direita apelaram ao presidente Emmanuel Macron para que organize uma homenagem nacional à atriz, conhecida por sua proximidade com o partido de extrema direita Reunião Nacional (RN). Até agora, o Palácio do Eliseu não se pronunciou.
No dia seguinte à morte da estrela, Éric Ciotti, aliado de Marine Le Pen, pediu publicamente ao presidente que realize a homenagem. Ele chegou a lançar uma petição no site de seu partido, a União das Direitas pela República (UDR).
"O presidente da República deve ter coragem de organizar uma homenagem nacional para nossa BB!", diz o texto da petição, que já reunia mais de 24 mil assinaturas na manhã desta terça-feira (30).
Comme moi, signez la pétition pour demander au Président de la République un hommage national à Brigitte Bardot !
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— Eric Ciotti (@eciotti) December 29, 2025
"Brigitte Bardot é um ícone mundial", destacou Philippe Ballard, deputado do RN, à emissora Franceinfo. "Em que país não se conhece Brigitte Bardot? Deve não haver nenhum. Que a França preste homenagem a Brigitte Bardot seria algo positivo", defendeu.
"Nem necessário, nem oportuno"
À esquerda, a ideia de uma homenagem nacional é totalmente rejeitada. "Parece-me que isso não é nem necessário nem oportuno", afirmou o deputado socialista Romain Eskenazi.
O líder do Partido Socialista, Olivier Faure, se opôs à proposta de Éric Ciotti de forma ainda mais enfática. "Brigitte Bardot foi uma atriz icônica […] mas virou as costas aos valores republicanos", escreveu no X.
Les hommages nationaux sont rendus pour services exceptionnels rendus à la Nation. Brigitte Bardot a été une actrice iconique de la nouvelle vague. Solaire, elle a marqué le cinéma Français. Mais elle a aussi tourné le dos aux valeurs républicaines et été multi-condamnée par la… https://t.co/kQjCRJMEOT
— Olivier Faure (@faureolivier) December 29, 2025
"Homenagens nacionais são prestadas por serviços excepcionais prestados à nação. Brigitte Bardot foi uma atriz icônica da Nouvelle Vague francesa. Radiante, ela deixou sua marca no cinema francês. Mas também virou as costas para os valores republicanos e foi repetidamente condenada por racismo. Simples. Básico", opinou Faure em resposta ao pedido inicial de Ciotti.
Questionado mais cedo na rádio Europe 1 sobre a possibilidade de um tributo nacional à atriz, o deputado socialista Philippe Brun foi menos categórico: "Por que não? Se o presidente da República decidir, não vejo por que deveríamos nos opor".
Em Paris, a vereadora ecologista Raphaëlle Rémy-Leleu lembrou que a atriz foi condenada pela Justiça "cinco vezes por injúria ou incitação ao ódio racial".
Entre 1997 e 2008, Bardot foi condenada cinco vezes por incitação ao ódio, com comentários dirigidos principalmente contra muçulmanos, mas também contra minorias como habitantes da Ilha da Reunião, apontados como uma "população degenerada", e oponentes do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Esses casos fazem parte de um histórico que inclui acusações de xenofobia, islamofobia e homofobia, o que compõe uma imagem pública controversa nos últimos anos de vida.
Sepultamento de BB
O funeral da atriz está marcado para quarta-feira, 7 de janeiro, às 11h (horário local), na igreja Notre-Dame de l'Assomption, em Saint-Tropez (sul). A cerimônia será restrita a convidados, mas terá transmissão em telões no porto e na praça central da cidade.
O sepultamento, inicialmente previsto para o jardim de sua residência em La Madrague, será realizado no cemitério da cidade, onde estão enterrados os pais e avós da atriz. Embora a prefeitura tenha confirmado a informação, a Fundação Brigitte Bardot preferiu não comentar sobre o local do enterro, "em conformidade com os últimos desejos da atriz".
Com agências