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Em mensagem de Páscoa, Papa condena indiferença às vítimas de guerras e pede escolha pela paz

Leão XIV celebrou a Páscoa neste domingo (5) pela primeira vez. O papa fez um apelo para que "aqueles que têm o poder de desencadear guerras" escolham a paz e denunciou "a indiferença" diante dos milhares de mortos, durante a tradicional bênção no Vaticano. A festa mais importante do calendário cristão está este ano ofuscada pela guerra no Oriente Médio, que impõe fortes restrições aos fiéis da região.

5 abr 2026 - 08h15
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"Estamos nos acostumando, nos resignando e nos tornando indiferentes à violência. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às consequências de ódio e divisão que os conflitos semeiam", declarou o papa à multidão reunida na Praça São Pedro, no Vaticano. Ele completou que há indiferença também às "repercussões econômicas e sociais" das guerras.

Leão XIV saudou os milhares de fiéis que se reuniram neste domingo de Páscoa, 5 de abril de 2026, na Praça São Pedro, no Vaticano.
Leão XIV saudou os milhares de fiéis que se reuniram neste domingo de Páscoa, 5 de abril de 2026, na Praça São Pedro, no Vaticano.
Foto: AFP - ALBERTO PIZZOLI / RFI

Rompendo com a tradição observada há anos por seus predecessores, Leão XIV não citou nenhum país ou região em crise no mundo. Ele também anunciou a realização de uma vigília de oração pela paz no dia 11 de abril, na Praça São Pedro, em Roma.

O papa americano presidiu a missa de Páscoa na Praça São Pedro na manhã deste domingo, antes de pronunciar a tradicional bênção Urbi et Orbi ("à cidade e ao mundo") diante de milhares de fiéis. Seu discurso era particularmente aguardado este ano.

Guerra cria divisões

Na noite de sábado (4), a sombra do conflito no Oriente Médio pairou sobre a Vigília Pascal, celebrada sob os dourados da Basílica de São Pedro, uma cerimônia rica em simbolismos que representa a ressurreição de Cristo por meio da passagem das trevas à luz.

Em sua homilia, o chefe da Igreja Católica pediu "um mundo novo, de paz e unidade", denunciando as divisões criadas pela "guerra, injustiça e fechamento entre povos e nações".

Nos últimos dias, o papa, natural de Chicago, multiplicou apelos diplomáticos, chegando a convidar Donald Trump a "buscar uma saída" para o conflito.

Da cidade velha de Jerusalém, vazia, ao sul do Líbano, onde aldeias cristãs estão na linha de frente dos bombardeios israelenses, a guerra confere à Páscoa uma tonalidade sombria que contrasta com a habitual alegria da celebração.

Jerusalém vazia

Em Jerusalém, as celebrações litúrgicas na Basílica do Santo Sepulcro, construída no local da Ressurreição de Jesus segundo a tradição cristã, ocorrem a portas fechadas devido às restrições impostas desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro.

"É a primeira vez na vida que vejo um local sagrado completamente fechado", disse à AFP Jack Straw, morador da cidade velha. "É triste... O Sepulcro está vazio. É o símbolo do acontecimento mais importante da história cristã", acrescentou o homem de 52 anos, dizendo esperar "que esse fechamento dure apenas este ano".

"Trágico"

"As portas permanecem fechadas", declarou em sua homilia o patriarca latino de Jerusalém, o cardeal Pierbattista Pizzaballa. Na semana anterior, o religioso foi impedido pela polícia israelense de entrar no local, em um episódio que gerou indignação internacional.

"O silêncio é quase absoluto, interrompido apenas ao longe pela devastação que a guerra continua causando nesta Terra Santa e dilacerada", lamentou ele, segundo texto publicado por seu gabinete.

A mesma atmosfera domina no Líbano, onde localidades cristãs do sul estão no fogo cruzado dos combates entre Israel e o movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã.

Em Debel, perto da fronteira israelense, os moradores se preparam para celebrar a missa de Páscoa na manhã de domingo, enquanto bombardeios incessantes ecoam ao redor do vilarejo, atualmente quase totalmente isolado e dependente de comboios de ajuda humanitária.

"A situação é trágica", afirmou no sábado à AFP um responsável local, Joseph Attieh. "As pessoas estão aterrorizadas. Os bombardeios e os tiros não cessam" desde sexta-feira à noite.

Apesar de tudo, a missa de Páscoa acontecerá como previsto. "Confiamos em Deus", disse Attieh, "porque é a única esperança à qual não renunciaremos". Segundo ele, um comboio humanitário deve chegar neste domingo a Debel, acompanhado pelo núncio apostólico e embaixador do Vaticano.

Em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, as missas estão canceladas desde sexta-feira e até novo aviso, "de acordo com as instruções do governo". Em Damasco, foram limitadas ao interior das igrejas após tensões em uma cidade cristã no centro da Síria.

Papa Francisco

Em Roma, a Páscoa também revive a memória do papa Francisco. Em 2025, o jesuíta argentino fez sua última aparição pública na Praça São Pedro no domingo de Páscoa, poucas horas antes de sua morte.

Esta Semana Santa permitiu que seu sucessor imprimisse ainda mais seu estilo, retornando a uma liturgia mais clássica. Na Quinta-Feira Santa, Leão XIV lavou os pés de 12 padres e carregou pessoalmente a cruz durante a Via Sacra no Coliseu na noite de sexta-feira.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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