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Tensão na França: quem era o militante de ultradireita morto após ataque em Lyon

A morte do estudante Quentin Deranque, militante de ultradireita de 23 anos, violentamente agredido à margem de uma conferência de uma eurodeputada da esquerda radical em Lyon, continua a abalar a França. Segundo informações da investigação policial em curso, ele foi atacado por pelo menos seis indivíduos mascarados e encapuzados, ainda não identificados. O governo decidiu suspender eventos políticos suscetíveis de provocar distúrbios nas universidades francesas.

17 fev 2026 - 07h29
(atualizado às 07h35)
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Manifestantes exibem uma faixa em homenagem ao jovem Quentin Deranque neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, um dia após a morte do militante de extrema direita em Lyon.
Manifestantes exibem uma faixa em homenagem ao jovem Quentin Deranque neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, um dia após a morte do militante de extrema direita em Lyon.
Foto: © Alain Jocard / AFP / RFI

O plenário da Assembleia Nacional fez um minuto de silêncio na manhã desta terça-feira (17) em homenagem ao estudante morto. A imprensa reconstitui o perfil do jovem nacionalista e católico, cuja morte intensificou a tensão no debate público.

O promotor de Lyon, Thierry Dran, afirmou na segunda-feira que Quentin Deranque sofreu principalmente agressões na cabeça, desferidas por pelo menos seis pessoas. A Justiça francesa abriu uma investigação criminal por homicídio doloso.

A polícia já ouviu "mais de quinze testemunhas" e continua analisando vídeos da agressão para tentar identificar os responsáveis. Nenhuma detenção foi realizada até o momento.

Quentin Deranque era filiado ao coletivo de ultradireita Némésis. Ele foi agredido na quinta-feira (12), em Lyon, durante confrontos entre grupos radicalizados de extrema direita e extrema esquerda, e morreu no sábado.

O ministro do Ensino Superior, Philippe Baptiste, anunciou nesta terça-feira ao canal BFMTV que não haverá outros eventos políticos nas universidades caso seja constatado risco de perturbação da ordem pública. Uma circular com essa orientação foi enviada aos reitores das instituições. O ministro ressaltou, entretanto, que a decisão final caberá aos presidentes das universidades.

Perfil do militante

O jornal Le Monde traça o perfil do jovem, que descreve como "o rosto da nova juventude de extrema direita na França", um católico integrista atraído pela ideia de autodefesa. Ele era estudante da Universidade de Lyon.

A reportagem destaca que o jovem integrou diversos grupos de ultradireita, muitos deles posteriormente dissolvidos pelas autoridades francesas devido a ideologias neofascistas e anti-imigração. Segundo o coletivo feminista de ultradireita Némésis, Quentin fazia parte do "serviço de ordem" do grupo. Na quinta-feira, ele ajudou, junto com cerca de outros 15 homens, a garantir a segurança de militantes que protestavam contra a conferência da eurodeputada Rima Hassan, do partido França Insubmissa (LFI), de esquerda radical, na escola Sciences Po de Lyon.

Segundo o jornal Le Figaro, a mãe de Quentin demonstrava preocupação com o engajamento extremista do filho. Amigos do jovem contaram à reportagem que, nos últimos tempos, o universitário tinha ouvido a família e se afastado das atividades políticas, priorizando o engajamento católico.

Na quinta-feira, colegas ainda tentaram convencê-lo, sem sucesso, a não participar da ação do coletivo Némésis. Para Quentin, porém, não havia hipótese de abandonar as jovens militantes e deixar de garantir a segurança do protesto.

Partido de ultraesquerda sob pressão

Outros veículos de imprensa destacam que o partido França Insubmissa (LFI) vem sendo responsabilizado por setores políticos pela morte de Quentin. O La Croix destaca que a legenda é criticada por seus vínculos com o grupo antifascista Jeune Garde (Jovem Guarda, em português), dissolvido no ano passado pelo governo francês, mas que estaria envolvido nos incidentes de violência de quinta-feira.

A poucas semanas das eleições municipais no país, marcadas por forte polarização, o partido tornou-se alvo privilegiado da direita e da extrema direita. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, atribuiu a morte de Quentin à "ultraesquerda", enquanto a porta-voz do governo, Maud Bregeon, convocou os eleitores à "responsabilidade" ao considerarem um voto na França Insubmissa.

O líder da legenda, Jean-Luc Mélenchon, declarou-se "chocado" com a morte de Quentin e afirma que o partido "sempre se opôs à violência". Na manhã desta terça-feira, o deputado Éric Coquerel (LFI) denunciou uma "recuperação sórdida e politiqueira" da morte do jovem militante nacionalista.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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