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Papa Francisco

Rabino de Roma vê novo papa aberto para o diálogo entre católicos e judeus

Em entrevista ao Terra, Riccardo Di Segni afirmou que, a despeito das diferenças inerentes às religiões, a escolha de Bergoglio para o Trono de São Pedro renova o diálogo entre o Catolicismo e o Judaísmo

9 mar 2013 - 14h51
(atualizado em 9/9/2013 às 14h21)
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Um dos primeiros gestos do papa Francisco foi dirigido à comunidade judaica de Roma. Ainda no dia 13 de março, logo após ser apresentado como o novo líder da Igreja Católica, o Pontífice enviou uma carta ao rabino chefe da capital italiana, o doutor Riccardo Di Segni, um homem cordial e conhecido por não ficar calado na hora de responder as opiniões nem sempre tolerantes das lideranças católicas.

O rabino Di Signe na Sinagoga de Roma: um homem cordial e conhecido por não ficar calado na hora de responder as opiniões nem sempre tolerantes das lideranças católicas
O rabino Di Signe na Sinagoga de Roma: um homem cordial e conhecido por não ficar calado na hora de responder as opiniões nem sempre tolerantes das lideranças católicas
Foto: Divulgação

Em sua carta, Francisco convidava Di Segni para participar da missa de inauguração de seu pontificado. O novo papa também dizia esperar “poder contribuir para o progresso que as relações entre judeus e católicos conheceram a partir do Concílio Vaticano II.” 

As palavras dirigidas a Di Segni e a realização de uma audiência com representantes de outras religiões logo após a sua entronização mostram uma abertura clara de Jorge Mario Bergoglio em relação ao diálogo inter-religioso. E a citação ao Concílio Vaticano II foi vista pelo rabino como um bom sinal para as relações, muitas vezes conturbadas, entre judeus e católicos.

Di Signe recebeu a reportagem do Terra na Sinagoga de Roma, onde falou sobre o estado do diálogo inter-religioso e deu suas impressões sobre o novo papa. O prédio alto e extremamente protegido fica a menos de três quilômetros do Vaticano, centro do poder político e espiritual da Igreja Católica Apostólica Romana.

Terra - O que o senhor achou da escolha de Bergoglio como pontífice?

Riccardo Di Segni - O novo papa mostra-se aberto ao diálogo com o mundo judaico. Além disso, recebemos testemunhos positivos vindos da Argentina sobre a relação que ele tem com o judaísmo. 

Terra - Como o senhor recebeu a carta que Francisco enviou-lhe?

Di Segni - Foi um prazer receber, apenas algumas horas após a eleição, uma carta do papa Francisco. É algo que já tinha sido feito por Bento XVI e repetir esse gesto é um sinal claro de continuidade. A carta faz uma clara referência ao Concílio Vaticano II como base para o diálogo católico-judaico, e isso é positivo. Agora, vamos ver que medidas podem ser tomadas por ambos os lados para melhorarmos nossa relação. 

Terra - Como anda o diálogo inter-religioso entre católicos e judeus?

Di Segni - É uma longa história, com muitas coisas interessantes. Judeus estão espalhados ideológica e religiosamente. Não existe uma única linha (de pensamento) sobre isso. Existem grupos especializados de pessoas envolvidas nesse diálogo e uma população mais ampla, que vê esse tipo de relação com base nos resultados. Se os resultados são boas relações, amizade e respeito mútuo, são bons resultados. Mas existem incidentes que são inevitáveis.

Terra - Mas existe um problema neste momento?

Di Segni - O diálogo entre as duas religiões é sempre complicado. Ele possui tantos argumentos teoricamente possíveis de serem discutidos, alguns inapropriados para serem discutidos, outros críticos e outros, tranquilos. É uma agenda complicada, que vai sendo reconstruída dia a dia.

Terra - Por que essa agenda é complicada?

Di Segni - Porque temos visões diferentes sobre alguns argumentos. Faço uma lista: a interpretação da história, do Holocausto, do papel do cristianismo no antissemitismo e, especialmente, do papel de Pio XII. As diferenças doutrinais, o sentido do diálogo. Para que serve o diálogo? Para respeitar-se ou para convencer o outro da bondade de suas próprias posições? 

Terra - Como era a sua relação com Bento XVI?

Di Segni - Era uma relação muito interessante. Acima de tudo, foi progressivamente boa do ponto de vista humano - o conheci ainda como Cardeal. 

Terra - Como você recebeu a notícia da renúncia do papa?

Di Segni - Foi uma surpresa. E, com certeza, foi também uma tristeza. Pois, apesar de todas as dificuldades, nós conseguimos estabelecer uma boa relação. 

Terra -O senhor fala, no entanto, de um profundo problema ideológico no diálogo inter-religioso. Que problema é esse?

Di Segni - Temos vários problemas ideológicos. Antes de mais nada, somos duas religiões diferentes. Apesar do cristianismo ter emanado da mesma raiz, é diferente. Um dos problemas é saber se podemos discutir teologia. A resposta é que o melhor é não discutir teologia, pois não podemos colocar em discussão nossos fundamentos religiosos. O segundo ponto é como interpretamos religiosamente o papel do outros. O que fizeram os judeus na história, segundo os cristão? O que fizeram os cristão na história, segundo os judeus? Isso é algo muito  interessante. No fim das contas, para que serve o diálogo?

Terra - Mas, segundo o senhor mesmo disse, esse problema é a primeira coisa a ser resolvida para permitir um possível diálogo.

Di Segni - Acho que a pergunta deveria ser: para um cristão, um ser humano que não acredita em Cristo pode salvar-se?

Fonte: Especial para Terra
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