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Jorge Mario Bergoglio, o primeiro Papa jesuíta e representante das Américas

13 mar 2013
16h46
atualizado em 14/3/2013 às 13h17
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O argentino Jorge Bergoglio, 76 anos, eleito nesta quarta-feira no segundo Conclave do terceiro milênio para suceder o papa Bento XVI, é um jesuíta austero, de tendência moderada e que leva uma vida discreta. Sua designação para ocupar o trono de São Pedro é a primeira de um americano para dirigir a Igreja Católica, que também jamais esteve a cargo de um representante da Companhia de Jesus.

O papa Francisco aparece no balcão central da Basílica de São Pedro pela primeira vez como Sumo Pontífice
O papa Francisco aparece no balcão central da Basílica de São Pedro pela primeira vez como Sumo Pontífice
Foto: AP

Arcebispo de Buenos Aires e primaz da Argentina, este homem tímido e de poucas palavras goza de um grande prestígio entre seus seguidores que apreciam sua total disponibilidade e sua forma de vida, afastada de qualquer ostentação. Ao se tornar o 266º papa da história, ele adotou a alcunha Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis.

Trajetória: infância, fé, ditadura e cardilanato
Bergoglio nasceu no dia 17 de dezembro de 1936 no seio de uma família modesta da capital argentina, filho de um funcionário ferroviário de origem piemontesa e de uma dona de casa. Frequentou a escola pública, onde se formou como técnico de química, e aos 22 anos se uniu à Companhia de Jesus, onde obteve uma licenciatura em Filosofia.

Depois de entrar para o ensino privado, começou seus estudos de Teologia e foi ordenado sacerdote em 1969. Aos 36 anos foi designado responsável nacional dos jesuítas argentinos, cargo que desempenhou durante seis anos.

Foi nos anos difíceis da ditadura argentina (1976-83), que Bergoglio precisou manter a qualquer custo a unidade do movimento jesuíta - invadido pela Teologia da Libertação - sob o lema de "manter a não politização da Companhia de Jesus", segundo seu porta-voz Guillermo Marcó. Depois, viajou à Alemanha para obter seu doutorado e em seu retorno retomou a atividade pastoral como simples sacerdote de província na cidade de Mendoza (1,1 mil km a oeste de Buenos Aires).

É dos tempos da ditadura que emerge uma polêmica. De acordo com o livro O Silêncio, do jornalista Horacio Verbitsky, Bergoglio retirou o apoio de sua ordem a dois jesuítas perseguidos pelo governo militar que trabalhavam em bairros pobres. Após a retirada do apoio, ambos acabaram sendo capturados e presos.

Em maio de 1992, João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de Buenos Aires e começou a escalar rapidamente a hierarquia católica da capital: foi vigário episcopal em julho deste ano, vigário-geral em 1993 e arcebispo coadjutor com direito de sucessão em 1998. Converteu-se posteriormente no primeiro jesuíta primaz da Argentina e, em fevereiro de 2001, vestiu finalmente a púrpura de cardeal.

Papa Francisco: um perfil humilde e simples
O arcebispo goza de prestígio geral por seus dotes intelectuais e dentro do Episcopado argentino é considerado um moderado, a meio caminho entre os prelados mais conservadores e a minoria progressista. Em um país de maioria católica, se opôs de forma tenaz em 2010 à aprovação da lei que consagrou o casamento homossexual, a primeira na América Latina.

"Não sejamos ingênuos: não se trata de uma simples luta política; é a pretensão destrutiva ao plano de Deus", disse Bergoglio pouco antes da sanção da lei. Também se opôs a uma mais recente lei de identidade de gênero que autorizou travestis e transsexuais a registrar seus dados com o sexo escolhido. Estas duas iniciativas esfriaram as relações entre a Igreja argentina e a presidente Cristina Kirchner, embora a presidente, que se declara cristã, seja contrária à legalização do aborto.

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Apesar de sua meteórica carreira na hierarquia católica, continua sendo um homem muito humilde. Sua rotina começa às 4h30 e termina às 21h. O jornal argenino La Nación o definiu como um "inimigo de aparições estridentes". Segundo o periódico, Bergoglio possui um perfil discreto que lhe permite andar de metrô ou ônibus como um passageiro qualquer.

"Seu estilo de vida é sóbrio e austero. Esse é o modo com ele vie. Anda de metrô, ônibus. Quando ele vai a Roma, viaja de classe econômica", diz Francesca Ambrogetti, co-autora de uma biografia de Bergoglio, ouvida pela Reuters. Homem de hábitos monacais, ele rejeitou a residência oficial oferecida da Arquidiocese de Buenos Aires, optando por morar em um simples apartamento nos arredores da capital argentina.

Francisco I um grande leitor dos escritores argentinos Jorge Luis Borges e Leopoldo Marechal e do russo Fiodor Dostoievsky, amante da ópera e fã do clube de futebol San Lorenzo, curiosamente fundado por um sacerdote.

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As informações são de AFP, EFE, Reuters e La Nación.

Fonte: Terra
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