José Francisco Robles durante missa em Guadalajara no dia 24 de fevereiro
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O cardeal José Francisco Robles, arcebispo de Guadalajara, a segunda maior cidade do México, luta em meio à violência do crime organizado para restaurar a paz na sociedade. A partir de março, ele participará do seu primeiro Conclave e pode se tornar o sucessor de Bento XVI.
Terceiro dos dezesseis filhos de Francisco Robles e Teresa Ortega, José Francisco nasceu no dia 2 de março de 1949 em Mascota, Jalisco, região na qual até a Igreja se tornou vítima da violência do crime organizado.
“Não sabemos nem conhecemos com certeza quais são os passos estratégicos que o governo dá para diminuir e acabar com este fenômeno. O que de fato esperamos é ver resultados o mais rápido possível. Que o país volte ao clima de tranquilidade e segurança”, disse Robles no último 20 de janeiro ao fim de uma missa de domingo.
Após estudar Humanidades, Filosofia e Teologia, Robles foi ordenado presbítero no dia 20 de julho de 1976 na sua paróquia natal para a Diocese de Autlán, Jalisco, e posteriormente completou seus estudos em Roma, onde obteve a Licenciatura em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana (1976-1979).
Ao retornar ao México, ocupou diversos postos: foi vicário na paróquia de Santa Maria de Guadalupe em Autlán; diretor de Estudos e de Disciplina do Seminário Menor desta mesma cidade; e administrador da Diocese.
Robles foi um dos doze eleitos pelo Episcopado Mexicano para participar da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a América, celebrada no Vaticano em 1997. Atualmente, é moderador do Conselho Latino-Americano e Caribenho de Líderes Religiosos pela Paz.
Desde 2008, ele é membro da Comunidade Pontifícia para a América Latina e representou Bento XVI em diversos eventos: a inauguração do Jubileu pelo 40º aniversário da proclamação da patrona nacional de Porto Rico (2009) e o 375º aniversário do descobrimento da imagem da patrona de Costa Rica (2011).
Em 1991, foi ordenado bispo. Em 2003, o então Papa João Paulo II designou-o o 11º arcebispo de Monterrey (nordeste), a terceira cidade do México. Em 2007, foi criado cardeal pelo Papa Bento XVI. No dia 7 de dezembro de 2011, Bento XVI nomeou-o arcebispo de Guadalajara, onde um grupo armado assassinou em fevereiro um sacerdote de 83 anos ao assaltar sua capela, evento que emocionou a comunidade local.
Em sua visita ao México em março de 2012, Bento XVI disse: “desejo reiterar, com energia e clareza, o chamado ao povo mexicano a ser fiel a si mesmo e a não se deixar amedrontar pelas forças do mal”.
Joseph Ratzinger “parte de uma realidade que nos preocupa: um mundo marcado pela violência, pela instabilidade e pela guerra. (...) O Papa disse que, para que haja paz, necessitamos mudar nossa maneira de pensar”, comentou Robles em sua missa de Ano Novo de 2013. Nela, ele também defendeu “o respeito pela vida desde seu nascimento” e “a instituição do matrimônio entre um homem e uma mulher”.
Entre os papáveis europeus, o cardeal italiano Angelo Scola, 71 anos, é visto como o preferido do papa Bento XVI. O sinal teria sido dado em 2011, quando Joseph Ratzinger promoveu Scola para o comando da diocese de Milão, uma das mais influentes da igreja católica o cargo já alçou a papa dois arcebispos no século XX, Paulo VI e Pio XI.
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Odilo Pedro Scherer, 63 anos, indicou que, para a imprensa estrangeira, ele está entre os mais cotados para suceder o papa Bento XVI. Dom Odilo nasceu em uma família de 13 filhos, de pais descendentes de alemães radicados no interior do Rio Grande do Sul.
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O cardeal nigeriano Francis Arinze, 80 anos, é prefeito regional emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Também visto como um conservador em assuntos como a homossexualidade, Arinze já entrou nas apostas dos "papáveis" no Conclave de 2005, quando Bento XVI foi escolhido como papa. O clérigo nigeriano, que se converteu ao catolicismo aos nove anos, se formou doutor em Teologia em Roma, foi ordenado sacerdote em 1958 e bispo em 1965, sendo que, em 1985, João Paulo II lhe designou como cardeal.
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Jorge Bergoglio, cardeal da Argentina, tem 77 anos. Sua idade, um pouco mais velho que seus adversários, pesa contra no momento em que a Igreja busca por um papa mais jovem. Bergoglio tem origem jesuíta e ficou conhecido por haver sido responsável na América Latina pela redação do documento sobre o segredo de Aparecida.
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O cardeal Tarcisio Pietro Bertone, secretário de Estado do Vaticano, é o atual camerlengo, como se denomina o administrador de bens e direitos temporários da Santa Sé até a escolha do sucessor de Bento XVI. Bertone nasceu na cidade turinesa de Romano Canavese, em 2 de dezembro de 1934. Membro da Sociedade de São Francisco de Sales São João Bosco (salesianos), estudou no Oratório di Valdocco e no noviciado salesiano de Monte Oliveto, em Pinerolo (Itália).
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João Braz de Aviz, atual prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, mora em Roma, e será um dos cinco cardeais brasileiros que vão participar do Conclave que elegerá o sucessor do papa Bento XVI.
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O cardeal Timothy Dolan, 63 anos, arcebispo de Nova York, está na lista dos mais cotados. Entre os 117 cardeais que votam no Conclave, Dolan se destaca pelo bom humor: está sempre sorrindo e não perde a oportunidade de fazer piadas. Caso seja eleito, sua personalidade pode ajudar a Igreja Católica a reconstruir uma imagem danificada por escândalos sexuais e divisões internas.
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Aos 61 anos, o arcebispo de Budapeste, Peter Ergö, 60 anos, é um dos mais jovens cardeais do Vaticano, mas isso não o impede de defender um catolicismo mais conservador. Como presidente da Conferência Episcopal da Europa, Erdö prega que, apesar das pressões, a Igreja revitalize e dissemine os seus dogmas tradicionais.
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O cardeal dom Cláudio Hummes, de 78 anos, é um dos brasileiros com maior trânsito na burocracia vaticana. Ex-arcebispo de São Paulo, foi prefeito para a Congregação para o Clero (espécie de ministro papal) até 2011. Desde então, é membro da Pontifícia Comissão para a América Latina.
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John Onaiyekan, cardeal da Nigéria, foi ordenado em 3 de agosto de 1969. Professor de Sagrada Escritura e francês no Colégio São Kizito, Isanlu em 1969, reitor do Seminário Menor São Clemente de Lokoja, em 1971, e estudou em Roma a partir desse ano.
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O cardeal canadense Marc Ouellet já chegou a afirmar que virar Papa "seria um pesadelo", mas este defensor ferrenho da ortodoxia, que viveu muitos anos na Colômbia e comanda a Pontifícia Comissão para a América Latina, é considerado um dos favoritos para suceder Bento XVI. Ouellet, um teólogo de prestígio, de 68 anos, provocou fortes polêmicas em Quebec, a província francófona do Canadá, ao defender nos anos 2000 as posições do Vaticano contra o casamento gay e contra o aborto, inclusive nos casos de estupro, e criticar a "decadência" de uma sociedade na qual duas em cada três crianças nascem fora do matrimônio.
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Oscar Andres Rodriguez, cardeal-arcebispo de Tegucigalpa desde 8 de janeiro de 1993, recebeu a ordenação presbiteral no dia 28 de junho de 1970, pelas mãos de Dom Girolamo Prigione. Foi ordenado bispo no dia 8 de dezembro de 1978 e se tornou cardeal no consistório de 21 de fevereiro de 2001, presidido por João Paulo II, recebendo o título de Cardeal-presbítero de Santa Maria da Esperança. Apoiou o Golpe de Estado em Honduras em 28 de junho de 2009. Desde 2007 é Presidente da Cáritas Internacional, sendo reeleito em maio de 2011 para o período que se concluirá em 2015.
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O cardeal-arcebispo austríaco Christoph Schönborn, ao contrário, tem uma idade considerada ideal: 67 anos, que lhe conferem ao mesmo tempo experiência e longos anos de pontificado pela frente. A dedicação profunda aos estudos também o aproxima do atual papa, chamado de "pai intelectual" do austríaco.
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O cardeal filipino Luis Antonio Tagle, de 55 anos, o mais jovem dos cardeais cotados para suceder Bento XVI, é considerado um progressista por sua pregação por uma Igreja humilde, em um país de grande fervor religioso e de muita pobreza. Especialista do Concílio Vaticano II e teólogo brilhante formado nas Filipinas e nos Estados Unidos, Luis Antonio "Chito" Tagle tem trinta anos a menos que Bento XVI, o Papa que renunciou aos 85 anos por falta de forças.
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Peter Kodwao Appiah Turkson, cardeal de Gana, talvez o mais preparado dos papáveis africanos, foi designado arcebispo de Cape Coast em 1992 pelo papa João Paulo II, quem lhe ordenou cardeal em 2003. Turkson é um especialista na Bíblia, já que estudou as Sagradas Escrituras no Instituto Pontifício Bíblico de Roma, onde se formou em 1980 e se tornou doutor nessa mesma matéria em 1992.
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O cardeal americano Sean O'Malley, com muita fama na internet, cumpriu uma importante tarefa há dez anos ao limpar a diocese de Boston, atingida por um escândalo de padres pedófilos. Conhecido por sua simplicidade, de acordo com a pregada por sua ordem - do padre Pierre da França -, este erudito de 68 anos e língua hispânica, de óculos e barba branca, retomou em 2003 a diocese onde eclodiu o primeiro escândalo com impacto internacional sobre abusos sexuais na Igreja Católica.