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Papa Francisco

Bento XVI acolheu anglicanos, mas não resolveu divisão entre cristãos

23 fev 2013 - 15h10
(atualizado às 15h35)
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O papa Bento XVI carrega a joia em ouro maciço desde 2005
O papa Bento XVI carrega a joia em ouro maciço desde 2005
Foto: AFP

O papa Bento XVI abriu as portas do Vaticano aos tradicionalistas anglicanos em prol da unidade dos cristãos, mas durante seu pontificado não pôde acabar com a divisão aberta em 1988 pelos "lefebvrianos", cujas negociações em curso passarão para o próximo pontificado.

O papa Bento XVI deu um passo de grande envergadura e repercussão ao abrir em 2009 as portas da Igreja Católica aos tradicionalistas anglicanos contrários às medidas de abertura da comunhão anglicana, como a ordenação de mulheres e de homossexuais como bispos.

No dia 20 de outubro daquele ano, o Vaticano anunciou a aprovação da constituição apostólica (norma de máxima categoria) "Anglicanorum coetibus", que prevê a criação de "Ordinariatos Pessoais" (como Ordinariatos Militares) para permitir aos anglicanos descontentes entrar em plena comunhão com a Igreja Católica Apostólica Romana, mas com elementos do patrimônio espiritual e litúrgico anglicano.

Ou seja, se transformar em "católicos de rito anglicano", na mesma linha que os Uniatas ucranianos, que são católicos de rito bizantino e aqueles das outras igrejas de rito oriental, que mantêm suas tradições, mas reconhecem a autoridade do papa de Roma.

Apesar de o documento "Anglicanorum coetibus" contemplar a presença de clérigos casados, não significa uma mudança na disciplina da Igreja no que se refere ao celibato sacerdotal, que continua sendo obrigatório para os religiosos de rito latino.

O Vaticano justificou a decisão de Bento XVI ao afirmar que era uma resposta aos vários "pedidos feitos à Santa Sé por grupos de clérigos e fiéis anglicanos de diferentes partes de mundo que desejavam entrar em plena e visível comunhão" com a Igreja Católica.

Milhares de fiéis e 50 bispos anglicanos voltaram ao redil de Roma, quase cinco séculos depois de o rei inglês Enrique VIII, após não conseguir do papa Clemente VII a anulação de seu casamento com Catarina de Aragão, criou em 1534 a Igreja da Inglaterra, da qual se proclamou chefe.

Os anglicanos são hoje cerca de 77 milhões. Nos últimos anos, sua igreja viveu momentos de crise e de forte divisão interna devido à ordenação de mulheres como bispos e de homossexuais declarados também como bispos e a bênção dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

O retorno ao catolicismo romano para eles é possível, mas o mesmo não ocorre por enquanto com os tradicionalistas seguidores do arcebispo francês Marcel Lefebvre, que criou uma divisão na igreja em 1988 ao ordenar quatro bispos sem a permissão de João Paulo II. Um dos bispos "lefebvrianos" mais conhecidos é o britânico Richard Williamson, que nega o Holocausto judeu.

Os lefebvrianos surgiram em 1969, quando Lefebvre (1905-1991) criou a Fraternidade São Pio X, que rejeita o Concílio Vaticano II por considerá-lo uma "heresia" e suas reformas como "destrutivas".

Bento XVI tentou fechar a ferida aberta com essa divisão e, em sinal de boa vontade, revogou as quatro excomunhões. Além disso, liberalizou em 2007 a missa em latim e lhes ofereceu uma Prelatura Pessoal, similar à do Opus Dei.

Mas tudo isso foi pouco para os lefebvrianos, que continuam acusando o Vaticano de ser o culpado pela situação da Igreja na sociedade atual. Eles consideram poder criticar publicamente "os erros" do Concílio Vaticano II e seus autores como uma condição "irrenunciável" para voltar.

Também apresentam como condição o uso exclusivo da liturgia de 1962, anterior ao Concílio Vaticano II, o que já foi concedido após a liberalização da missa em latim. O problema que se apresenta é a aceitação do Concílio Vaticano II, que rejeitam diretamente, enquanto para a Santa Sé o mesmo é "vinculativo".

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse que as negociações, por desejo expresso de Bento XVI, vão passar para o próximo papa. Os lefebvrianos contam com quatro bispos, cerca de 500 sacerdotes e mais de 200 mil fiéis espalhados pelo mundo.

EFE   
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