Premiê espanhol reafirma boicote à participação de Israel na Eurovision: 'Estou do lado certo da história'
O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, defendeu nesta sexta-feira (15) a decisão "coerente" da Espanha de não participar da Eurovision em sinal de protesto contra a presença de Israel, afirmando estar "convencido de estar do lado certo da história". A Espanha, a Islândia, a Irlanda, os Países Baixos e a Eslovênia estão ausentes neste ano do famoso concurso europeu de música, em protesto contra a participação israelense. Mais de mil artistas também pediram o boicote.
"Este ano, portanto, será diferente. Sim, não estaremos em Viena, mas o faremos com a convicção de estar do lado certo da história", declarou o líder socialista em um vídeo compartilhado na rede social X.
Há alguns meses, o serviço espanhol de rádio e televisão tomou essa decisão, apoiado pelo governo. Sánchez voltou a reforçar a medida nesta sexta-feira. "A Espanha não participa do Concurso Eurovision porque nosso compromisso com os direitos humanos e o direito internacional também se expressa por meio da cultura", reiterou em seu vídeo.
Pedro Sánchez, uma das vozes europeias mais críticas ao governo israelense de Benjamin Netanyahu na guerra contra o Hamas em Gaza, afirmou ainda que "a Espanha sempre se comprometeu" com o famoso programa, "que nasceu precisamente para promover a paz", mas que "diante da guerra ilegal e também do genocídio, o silêncio não é uma opção".
Este año no estaremos en Eurovisión, pero lo haremos con la convicción de estar en el lado correcto de la historia.
Por coherencia, responsabilidad y humanidad. pic.twitter.com/cnTt7Kc5rk
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) May 15, 2026
Criado em 1956, o Eurovision conta com a participação de praticamente todos os países do velho continente, além de algumas nações convidadas especiais - como a Austrália, Marrocos ou ainda Israel. Mas diante do contexto no Oriente Médio, a participação israelense provocou uma onda de protestos inédita, com o boicote de vários países.
"Não podemos permanecer indiferentes ao que está acontecendo em Gaza e no Líbano. Trata-se de uma questão de coerência, responsabilidade e humanidade", acrescentou o premiê espanhol, antes de destacar que o festival perdeu neste ano "o apoio de muitos fãs em toda a Europa".
Após as semifinais desta semana, a final do famoso concurso musical ocorrerá neste sábado (16), em Viena. A televisão pública espanhola não transmitirá o evento, conforme já havia indicado anteriormente. O mesmo ocorrerá com os meios de comunicação eslovenos e irlandeses.
Para evitar qualquer incidente, o evento será realizado sob altíssimo esquema de segurança, com a mobilização de várias centenas de policiais todos os dias até a final de sábado.
Revelador de talentos, apesar das críticas
A grande final é sempre transmitida ao vivo pela televisão em toda a Europa e tem uma audiência de quase 200 milhões de pessoas.
Considerado démodé por muitos, o Eurovision ficou conhecido por ter revelado verdadeiras instituições da música internacional, como o espanhol Julio Iglesias e o grupo sueco Abba nos anos 70.
A cantora canadense Celine Dion, que representou a Suíça nos anos 80, e a atriz Olivia Newton-John, que defendeu a Inglaterra em 1974, também passaram pelo concurso.
O programa é visto como um elemento de soft power para alguns países. Israel, que não faz parte do continente europeu, já ganhou a competição quatro vezes. E cada vitória foi uma ocasião para o poder israelense mostrar uma boa imagem do país no ocidente, principalmente porque a nação vencedora acolhe a edição seguinte da competição.
(Com agências)
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.