Prefeitos franceses de extrema direita retiram bandeiras europeias de prédios das prefeituras
Vários prefeitos do partido de extrema direita Reunião Nacional, eleitos nas últimas eleições municipais na França, retiraram as bandeiras europeias das fachadas de suas prefeituras. O gesto foi apoiado por dirigentes do partido e classificado de "populismo" pelo governo.
"As bandeiras europeias da prefeitura estão no chão e no lugar ficam as bandeiras francesas", escreveu o prefeito de Carcassonne (sudoeste), Christophe Barthès, pouco depois de sua posse, em uma mensagem publicada no X neste domingo (29). A postagem é acompanhada de um vídeo em que o prefeito aparece retirando a bandeira da União Europeia, deixando apenas a francesa e a da região da Occitânia.
O gesto inspirou outros políticos de extrema direita que assumiram seus cargos após o segundo turno das eleições municipais francesas, em 22 de março. Bryan Masson, novo prefeito de Cagnes‑sur‑Mer, no sul, publicou nesta segunda uma foto da fachada da prefeitura já sem a bandeira europeia. Anthony Garénaux‑Glinkowsk, prefeito de Harnes, em Pas‑de‑Calais, no norte, já havia retiradoo símbolo da UE e a bandeira ucraniana da fachada do prédio em 24 de março.
Dehors les drapeaux européens à la mairie !
Place aux drapeaux français 🇫🇷 pic.twitter.com/QqoymNwUCm
— Christophe Barthès (@BarthesChristop) March 29, 2026
Em meio à polêmica, o portal francês Huffington Post lembrou os investimentos que União Europeia fez em Carcassonne e que inclusive beneficiaram o prefeito. A EARL Barthès — a sociedade civil de atividade agrícola que pertence ao político de extrema direita — recebeu subsídios no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) da UE que somam quase €300 mil, nos períodos de 2010 a 2012 e de 2015 a 2025, datas que puderam ser verificadas pelo portal.
A UE também investiu na cidade € 11,7 milhões para melhorar o aeroporto e mais de € 3 milhões no Centro Hospitalar de Carcassonne, ainda de acordo com o Huffington Post, que não poupa críticas ao político. "Em nome da ostentação de suas convicções antieuropeias e da coerência política, Christophe Barthès recusará tais financiamentos no futuro? Seu histórico em relação às ajudas europeias parece indicar o contrário", escreve o site.
🇫🇷 Bonne semaine à tous ! #CagnesSurMer pic.twitter.com/YGP71XEjyX
— Bryan Masson (@MassonBryan) March 30, 2026
'Populismo mostra que RN não mudou'
"Eles também vão recusar os fundos europeus que nossos agricultores, nossas empresas e nossos territórios recebem? Vão devolver seus salários do Parlamento Europeu?", questionou à AFP o ministro encarregado de Assuntos Europeus, Benjamin Haddad. "É populismo que mostra que o RN não mudou", criticou.
Nenhuma lei obriga a presença do símbolo europeu nas fachadas das prefeituras na França, com exceção de 9 de maio, o Dia da Europa. A Constituição reconhece apenas a bandeira tricolor.
Um projeto de lei para tornar obrigatória a exibição das bandeiras francesa e europeia nas prefeituras de municípios com mais de 1.500 habitantes foi aprovado pela Assembleia Nacional em 2023. O texto chegou a ser enviado ao Senado, mas ainda não foi examinado pela Casa.
Em janeiro, várias prefeituras — em sua maioria de municípios rurais — também retiraram a bandeira europeia em apoio aos agricultores que protestavam contra o acordo de livre‑comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul.
Com agências