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ONG detecta práticas racistas na escolha de locatários em imobiliárias da França

Um teste divulgado pela Ong francesa SOS Racismo mostra que quase metade das imobiliárias permite ou facilita discriminação racial no acesso à moradia. Os resultados mostram que "ainda há um longo caminho pela frente", segundo a ministra Aurore Bergé, que anunciou uma formação obrigatória para os agentes.

26 jan 2026 - 14h13
(atualizado às 16h52)
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Os testes foram realizados em 2025, quando a SOS Racismo contatou 198 agências imobiliárias pertencentes a grandes redes francesas e integrantes da Federação Nacional do Imobiliário (Fnaim) do país. Militantes se passaram por proprietários que desejavam colocar um imóvel para alugar, solicitando exclusivamente perfis "europeus" para os candidatos a locatários, sob a justificativa de evitar supostos "problemas de vizinhança".

Homem observa anúncios na vitrine de uma agência imobiliária em Montpellier, no sul da França.
Homem observa anúncios na vitrine de uma agência imobiliária em Montpellier, no sul da França.
Foto: AFP - GABRIEL BOUYS / RFI

Das 198 agências, quase a metade (96, ou 48,48%) aceitaram a proposta dos pseudoproprietários — seja selecionando elas mesmas os locatários com base em um critério racial (48 agências, 24,24%), seja sendo cúmplices da discriminação (outras 48, que permitiram ou incentivaram que o proprietário fizesse essa seleção). 

Ao todo, 102 agências (ou 51,52%) se recusaram a discriminar os candidatos e afirmaram claramente sua oposição a qualquer seleção baseada na origem. Os resultados da pesquisa foram divulgados no domingo (25) pelo jornal francês Le Parisien.

Em comunicado, a SOS Racismo afirmou que este tipo de prática nas agências imobiliárias é proibida pelo direito penal francês. Para a organização, o estudo "deixa em evidência uma preocupante persistência de práticas discriminatórias" na França. 

Em uma carta enviada no domingo aos deputados da França, o presidente da SOS Racismo, Dominique Sopo, faz um apelo para que os parlamentares "denunciem as discriminações e ajam contra as desigualdades".

Formação de agentes imobiliários

Questionada pelo jornal Le Parisien sobre os resultados do teste, a ministra francesa encarregada do Combate às Discriminações, Aurore Bergé, lembrou que este tipo de prática é ilegal e afirmou que "o relatório da SOS Racismo mostra que ainda há um longo caminho pela frente".

Bergé também anunciou a implementação de uma formação obrigatória sobre discriminação para todos os agentes imobiliários. Atualmente, o curso é obrigatório apenas para quem possui a carteira profissional de corretor, o que representa menos da metade dos empregados pelo setor na França.

Segundo a ministra, um decreto será assinado nas próximas semanas, uma iniciativa que está sendo desenvolvida junto ao ministro da Habitação, Vincent Jeanbrun. Para Bergé, a formação atual é "insuficiente".

Tendências observadas

O presidente da Federação Nacional do Imobiliário da França, Loïc Cantin, afirma que o teste feito pela SOS Racismo "apenas confirma tendências já observadas" no setor.  Em entrevista à Franceinfo, ele classifica a prática de "inadmissível e condenável". "Nossa profissão deve dar exemplo", acrescenta ele, ressaltando que os agentes imobiliários são "os embaixadores do acesso à moradia". 

Cantin ainda lembra que um "código de ética e deontologia" foi "colocado em prática em 2012". A carta estabelece "que um profissional do setor imobiliário está proibido de exercer qualquer forma de discriminação, seja ela religiosa, associativa, política ou relacionada à cor da pele". Por isso, segundo ele, são necessárias tanto formações quanto multas aos empregados do setor que desrespeitam essas normas. 

RFI com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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