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Nonato Lima aproxima a sanfona nordestina da tradição europeia do acordeão

Depois de encerrar uma turnê europeia de 17 apresentações, o acordeonista cearense Nonato Lima faz um balanço de sua trajetória internacional e de sua missão de divulgar a música brasileira além das fronteiras. Entre os momentos mais marcantes está a amizade construída com o francês Richard Galliano, referência mundial do acordeão e um dos músicos que mais influenciaram sua formação artística.

21 out 2026 - 11h35
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Resumo
O sanfoneiro cearense Nonato Lima destaca-se por unir a tradição nordestina a influências globais como o jazz e a música erudita. Admirador do mestre francês Richard Galliano, Lima consolidou uma parceria com o ídolo, gravando com ele a faixa "Fou Rire". Em circulação internacional com shows e workshops, o instrumentista evidencia a versatilidade e a universalidade do acordeão, aproximando as raízes do forró brasileiro das linguagens europeias do instrumento.

Filho de sanfoneiro, Nonato Lima começou a tocar aos sete anos de idade e passou a se apresentar profissionalmente ao lado do pai ainda na infância. O que começou como uma brincadeira logo se transformou em profissão. "A sanfona virou amor à primeira vista. Nunca mais me separei dela. Ela já é um pedaço de mim", afirma.

O sanfoneiro cearense Nonato Lima realizou sua sexta turnê na Europa.
O sanfoneiro cearense Nonato Lima realizou sua sexta turnê na Europa.
Foto: © Divulgação / RFI

Ao longo da carreira, o músico construiu um percurso que o levou a dividir palcos e estúdios com nomes como Dominguinhos, Fagner, Ivete Sangalo, Yamandu Costa e Hamilton de Holanda. A versatilidade que lhe permite transitar entre o forró, a música instrumental brasileira, o jazz e o repertório erudito tornou-se uma de suas marcas.

Essa abertura musical também explica a admiração antiga pelo acordeonista francês Richard Galliano. Nonato conta que descobriu sua obra aos 14 anos, por indicação do sanfoneiro cearense Zé do Norte. Fascinado pela sonoridade do músico francês, passou a estudar sua discografia e a incorporar referências de sua linguagem.

Parceria com Richard Galliano

Referência internacional do acordeão, Richard Galliano construiu uma carreira marcada pelo diálogo entre o jazz, a música clássica e a tradição musical dos bailes populares franceses, conhecida como "musette". Incentivado por Astor Piazzolla, criou nos anos 1980 o movimento "New Musette", que modernizou esse repertório ao incorporar influências contemporâneas.

"Ele tem uma forma moderna do jeito francês de tocar. Isso me chamou muita atenção", lembra Nonato. A admiração de fã acabou evoluindo para uma amizade. Depois de anos acompanhando o trabalho do francês, os dois passaram a se comunicar pelas redes sociais, encontraram-se pessoalmente e chegaram a dividir o palco. Recentemente, também gravaram juntos a música "Fou Rire".

O primeiro encontro superou as expectativas do músico cearense. Além da emoção de finalmente conhecer uma de suas maiores referências artísticas, Nonato conta ter sido surpreendido pela acolhida do acordeonista francês.

"Você está ao lado de mestres que sempre admirou. Foi a mesma emoção que senti quando toquei a primeira vez com Dominguinhos", afirma. Segundo ele, além do virtuosismo musical, Galliano o impressionou pela simplicidade e generosidade. "Ele me tratou como um filho."

Um instrumento sem fronteiras

A convivência com músicos de diferentes países reforçou uma percepção que Nonato leva para os seus espetáculos: embora a sanfona seja associada no Brasil ao forró e à cultura nordestina, o acordeão é um instrumento profundamente enraizado em tradições musicais espalhadas pelo mundo.

"Em cada país existe uma linguagem própria para o acordeão. Na França, ele tem uma história muito ligada à música popular e também à música erudita. Quando apresento a música brasileira, as pessoas muitas vezes se surpreendem com as possibilidades do instrumento", explica.

Durante a turnê, Nonato alternou apresentações, workshops e encontros com músicos locais. Em muitas cidades, foi recebido por brasileiros que acompanham sua carreira há anos e por europeus interessados em descobrir os ritmos do Nordeste. Um sinal, segundo ele, de que a sanfona continua encontrando novos caminhos muito além de sua terra de origem.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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