Macron descarta estado de emergência e centrais sindicais convocam greve para 5 de novembro
Em Doha, no Catar, o presidente Emmanuel Macron, avaliou que a situação na França "não requer o decreto de estado de emergência". A declaração foi feita pouco antes do término de uma reunião do primeiro-ministro Sébastien Lecornu com líderes das principais centrais sindicais do país em que nenhuma medida concreta foi anunciada, levando à convocação de uma greve geral para 5 de novembro.
Centrais sindicais francesas convocaram uma greve geral para 5 de novembro após reunião sem acordos com o governo, enquanto estudantes e "coletes amarelos" planejam atos já para este sábado. Criticado pela oposição por manter sua viagem ao Golfo Pérsico durante a onda de protestos, o presidente Emmanuel Macron defendeu a agenda externa, prometeu firmeza contra a violência e descartou decretar estado de emergência, afirmando que a legislação local já permite conter os distúrbios.
"Não houve nenhuma consideração de nossas reivindicações", afirmou a secretária-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Sophie Binet, ao fim de um encontro de duas horas e meia na sede do governo francês. "Não é de se surpreender que a raiva exploda e que o fogo se espalhe", reiterou.
O objetivo da reunião era discutir, entre outros temas, meios de garantir "a indispensável liberdade de manifestação", dizia um comunicado emitido na terça-feira (20) pelo escritório do premiê. No entanto, segundo Binet, Sébastien Lecornu não anunciou "nenhuma medida" para responder aos múltiplos protestos.
Para as centrais sindicais, o principal objetivo continua sendo a mobilização — convocada pela quase totalidade deles — dos trabalhadores dos setores público e privado para o dia 5 de novembro. "Chegou o momento de dar um novo passo na mobilização; a greve deve assumir o protagonismo", afirmou a a secretária-geral da CGT.
Até lá, "é imperativo que haja respostas sociais para as demandas de todos os trabalhadores e trabalhadoras, que aguardam há (...) muitos anos", acrescentou a secretária-geral da central sindical Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), Marylise Léon.
Macron continua viagem pelo Golfo
Macron deu início na segunda-feira (19) a uma viagem pelo Golfo Pérsico para garantir exportações de combustíveis à França, em meio à crise no Oriente Médio. Extremamente criticado por sua ausência em meio ao caos no país após a onda de violências do último fim de semana, o líder centrista não reagiu às diversas reivindicações apresentadas pelos sindicatos e manifestantes.
Além disso, o presidente francês declarou não ser necessário "decretar estado de emergência", já que a legislação do país já permite aos "prefeitos determinar toques de recolher ou proibir aglomerações". Por outro lado, Macron defendeu uma postura de "firmeza" em relação aos responsáveis pelos atos de violência e convocou, para quinta-feira (22), uma reunião com os serviços de inteligência para discutir as falhas registradas em 17 de outubro.
Lideranças políticas voltaram a denunciar, nesta quarta-feira, o que consideram uma falha do governo na condução da crise. O ex-presidente François Hollande criticou um governo "fraco" e um líder "ausente". O ex-primeiro-ministro Édouard Philippe, do partido centrista Horizontes e pré-candidato à presidência, questionou a decisão de Macron de manter a viagem aos países do Golfo. Já Marine Le Pen, do partido Reunião Nacional, da extrema-direita, favorita nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2027, atacou o que chamou de "um poder em fim de ciclo", que "já não tem o controle da situação".
Macron, por sua vez, afirmou que "assume plenamente a decisão de manter" a viagem pelo Golfo. Segundo ele, os franceses terão um "retorno justo" de sua agenda no exterior, especialmente em relação aos preços do diesel.
Sem saída para a crise
O governo continua buscando uma saída para a crise a fim de tentar restabelecer a ordem. Sébastien Lecornu deverá receber representantes de partidos na quinta-feira para discutir as "dificuldades enfrentadas" e abordar a "segurança" da campanha presidencial. Segundo uma carta enviada às legendas, ele exigirá dos líderes políticos uma "condenação das violências" do 17 de outubro.
Já os sindicatos de estudantes do ensino médio e universitários, que há quase duas semanas solicitaram uma reunião com Lecornu, não foram convidados para o encontro desta quarta-feira entre o primeiro ministro e as centrais sindicais. Essas organizações deverão a se reunir na segunda-feira (26) com o ministro francês da Educação, Edouard Geffray, que prometeu apresentar as primeiras medidas para atender às reivindicações registradas na plataforma lançada pelo governo há algumas semanas.
Os estudantes do ensino médio estão mobilizados desde meados de setembro, com o apoio dos universitários, em defesa de mais recursos para as escolas, melhorias na infraestrutura dos estabelecimentos de ensino e mudanças no sistema de seleção para o ensino superior. Junto com o movimento dos coletes amarelos, eles convocaram novos atos para o próximo sábado (24).
RFI com agências
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