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Sábado de protestos na França termina com 1.200 detidos, prefeitura incendiada e feridos

Um homem perdeu a mão ao ser atingido por granada em um dos protestos que levaram de 550 mil a 800 mil manifestantes às ruas de todo o país; portugueses, belgas, italianos e espanhóis também protestaram

18 out 2026 - 07h29
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Resumo
Cerca de 1.200 pessoas foram detidas e 150 policiais ficaram feridos durante a maior onda de protestos na França, que reuniu até 800 mil manifestantes neste sábado. Apesar de muitos atos pacíficos pelo país, houve graves confrontos, saques, depredações de prefeituras e um manifestante mutilado por granada. Em resposta à violência urbana, o presidente Emmanuel Macron prometeu punir os responsáveis pelos atos de caos e acusou a oposição de extrema-esquerda de incitar a desordem institucional.

Cerca de 1.200 pessoas foram detidas nas manifestações que tomaram a França neste sábado, 17. A informação foi dada pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu em entrevista ao canal francês BFM, que foi repercutida na imprensa francesa. Segundo ele, 150 policiais ficaram feridos. "É hora de escolher um lado, o da República ou o dos manifestantes", disse ele.

De acordo com o CGT, um dos principais sindicatos do país, mais de 800 mil pessoas teriam ido às ruas protestar. As autoridades estimam um número em torno de 550 mil.

Segundo o ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, foram 110 marchas ao longo do país neste sábado, 17, o maior dia desde o início da onda de manifestações. De acordo com ele, ao fim da tarde, a polícia lidava apenas com "delinquentes oportunistas" que saqueavam lojas.

Manifestante perde a mão, prédios são danificados

Um manifestante perdeu a mão em Saint-Étienne, após a explosão de uma granada lançada por agentes de segurança. O uso deste tipo de artefato vinha sendo restringido nas últimas semanas depois que um jovem de 15 anos havia sido ferido de forma semelhante num dos protestos.

Milhares de manifestantes tomam as ruas de Paris, França, em 17 de outubro de 2026
Milhares de manifestantes tomam as ruas de Paris, França, em 17 de outubro de 2026
Foto: Elisa Marchina/NurPhoto via Getty Images

Em Marselha, um grupo invadiu a prefeitura e derrubou um busto de Marianne, símbolo da República francesa, e danificou uma delegacia. Em Lyon, um posto de atendimento turístico foi invadido e incendiado por um grupo que vestia roupas pretas e óculos de proteção. Em Bordeaux, os ataques foram à residência oficial do prefeito; em Lille, portas e janelas foram quebradas na prefeitura; e em Limoges, a prefeitura foi incendiada.

Na capital, Paris, estima-se que mais de 100 mil pessoas tenham se manifestado pacificamente, apesar de algumas centenas terem entrado em confronto com as tropas de choque, incendiando carros e quebrando vitrines de lojas.

Antes do início, as forças de segurança chegaram a lançar gás lacrimogêneo e a usar jatos de água. Houve protestos não autorizados em pontos turísticos, como os Campos Elíseos, e nos arredores do Museu do Louvre e do Palácio do Eliseu, sede da presidência da República.

Apesar dos inúmeros problemas, muitas das manifestações ocorreram normalmente e foram encerradas de forma pacífica ao longo do território francês.

O que Emmanuel Macron disse

O presidente Emmanuel Macron afirmou que os responsáveis pela violência serão "processados e punidos" e que a população deve permanecer unida contra os "semeadores do caos" que "buscam derrubar as instituições".

O governo reconhece algumas reivindicações como legítimas, mas tem condenado o que chama de "violência urbana". Também acusa o La France Insoumise (França Insubmissa), partido político de extrema-esquerda, de incitar os atos. /COM AFP E NYT

Estadão
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