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França enfrenta situação social explosiva e corrida presidencial cada vez mais fragmentada

A menos de sete meses da eleição presidencial de 2027, a França vive uma campanha extremamente fragmentada. Cerca de trinta nomes já lançaram candidatura, refletindo o enfraquecimento das grandes forças tradicionais que se alternaram no poder nas últimas décadas. Em uma França abalada pelo alto custo de vida, déficit orçamentário e por uma situação social explosiva, as revistas francesas fazem um balanço do cenário atual.

17 out 2026 - 09h25
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Resumo
Diante de um cenário político fragmentado na França, Raphaël Glucksmann desponta como líder da esquerda moderada para tentar unir ecologistas e o centro contra os extremos, distanciando-se do populismo de Jean-Luc Mélenchon. Paralelamente, enquanto cresce o anseio social pela moderação, a extrema direita liderada por Marine Le Pen e Jordan Bardella ganha influência econômica, embora especialistas apontem que seus planos fiscais contêm rombos orçamentários e propostas irrealistas.

Le Nouvel Obs traz um amplo perfil do eurodeputado Raphaël Glucksmann, líder do movimento Place Publique e recém-escolhido candidato da esquerda social-democrata (moderada), após vencer, com 66,17% dos votos, a primária realizada com o Partido Socialista (PS), contra seu líder, Olivier Faure (14,46%).

Manifestante mascarado segura bandeira francesa durante protestos de estudantes e confrontos com forças de ordem, em Paris, em 13 de outubro de 2026.
Manifestante mascarado segura bandeira francesa durante protestos de estudantes e confrontos com forças de ordem, em Paris, em 13 de outubro de 2026.
Foto: REUTERS - Sarah Meyssonnier / RFI

A reportagem detalha sua ruptura com Jean-Luc Mélenchon, principal figura da esquerda radical e líder do partido A França Insubmissa (LFI). O plano eleitoral de Glucksmann tem três etapas: unir a esquerda democrática e os ecologistas, atrair eleitores de centro desiludidos com Emmanuel Macron e conquistar o chamado voto útil para impedir a chegada da extrema direita ao poder.

Atração por moderados

Le Point explora os bastidores das relações entre socialistas e moderados, destacando François Hollande, ex-presidente socialista da França (2012-2017), que mantém uma postura de apoio distante enquanto aguarda uma eventual fragilização de Glucksmann diante da dureza da campanha.

A revista identifica o desejo de uma "França silenciosa" por moderação e valores universalistas, em oposição à polarização dos extremos. Destaca também o novo livro de Jean-Christophe Cambadélis, ex-primeiro-secretário do Partido Socialista, no qual ele critica a perda de espaço da esquerda tradicional e denuncia a deriva populista de Mélenchon e a complacência com o antissemitismo.

Programa irrealista da extrema direita

Finalmente, L'Express volta-se para o Reunião Nacional (RN), principal partido de extrema direita da França, analisando o programa econômico defendido por Marine Le Pen, sua principal líder, e Jordan Bardella, presidente do partido e figura em ascensão.

A revista apresenta uma avaliação do economista Antoine Levy, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, que classifica as metas fiscais do RN como "ficção científica" e "mágica contábil". Segundo sua análise, o partido camufla um rombo orçamentário com cortes de custos considerados irrealistas, incluindo €166 bilhões em economias, e subestima o custo real de sua proposta para as aposentadorias.

A reportagem mostra ainda como os eurodeputados do RN, antes isolados no Parlamento Europeu, passaram a ser procurados por grandes empresas e grupos de lobby industrial.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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