França enfrenta situação social explosiva e corrida presidencial cada vez mais fragmentada
A menos de sete meses da eleição presidencial de 2027, a França vive uma campanha extremamente fragmentada. Cerca de trinta nomes já lançaram candidatura, refletindo o enfraquecimento das grandes forças tradicionais que se alternaram no poder nas últimas décadas. Em uma França abalada pelo alto custo de vida, déficit orçamentário e por uma situação social explosiva, as revistas francesas fazem um balanço do cenário atual.
Diante de um cenário político fragmentado na França, Raphaël Glucksmann desponta como líder da esquerda moderada para tentar unir ecologistas e o centro contra os extremos, distanciando-se do populismo de Jean-Luc Mélenchon. Paralelamente, enquanto cresce o anseio social pela moderação, a extrema direita liderada por Marine Le Pen e Jordan Bardella ganha influência econômica, embora especialistas apontem que seus planos fiscais contêm rombos orçamentários e propostas irrealistas.
Le Nouvel Obs traz um amplo perfil do eurodeputado Raphaël Glucksmann, líder do movimento Place Publique e recém-escolhido candidato da esquerda social-democrata (moderada), após vencer, com 66,17% dos votos, a primária realizada com o Partido Socialista (PS), contra seu líder, Olivier Faure (14,46%).
A reportagem detalha sua ruptura com Jean-Luc Mélenchon, principal figura da esquerda radical e líder do partido A França Insubmissa (LFI). O plano eleitoral de Glucksmann tem três etapas: unir a esquerda democrática e os ecologistas, atrair eleitores de centro desiludidos com Emmanuel Macron e conquistar o chamado voto útil para impedir a chegada da extrema direita ao poder.
Atração por moderados
Le Point explora os bastidores das relações entre socialistas e moderados, destacando François Hollande, ex-presidente socialista da França (2012-2017), que mantém uma postura de apoio distante enquanto aguarda uma eventual fragilização de Glucksmann diante da dureza da campanha.
A revista identifica o desejo de uma "França silenciosa" por moderação e valores universalistas, em oposição à polarização dos extremos. Destaca também o novo livro de Jean-Christophe Cambadélis, ex-primeiro-secretário do Partido Socialista, no qual ele critica a perda de espaço da esquerda tradicional e denuncia a deriva populista de Mélenchon e a complacência com o antissemitismo.
Programa irrealista da extrema direita
Finalmente, L'Express volta-se para o Reunião Nacional (RN), principal partido de extrema direita da França, analisando o programa econômico defendido por Marine Le Pen, sua principal líder, e Jordan Bardella, presidente do partido e figura em ascensão.
A revista apresenta uma avaliação do economista Antoine Levy, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, que classifica as metas fiscais do RN como "ficção científica" e "mágica contábil". Segundo sua análise, o partido camufla um rombo orçamentário com cortes de custos considerados irrealistas, incluindo €166 bilhões em economias, e subestima o custo real de sua proposta para as aposentadorias.
A reportagem mostra ainda como os eurodeputados do RN, antes isolados no Parlamento Europeu, passaram a ser procurados por grandes empresas e grupos de lobby industrial.
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