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Multidão toma as ruas de Budapeste e desafia proibição da Parada do Orgulho LGBTQIA+

Em clima de festa, uma multidão desfilou neste sábado (28) em Budapeste, na Hungria, desafiando a proibição da marcha do orgulho imposta pela polícia, uma mobilização recorde como resposta a um retrocesso sem precedentes nos direitos LGBTQIA+ na União Europeia.

28 jun 2025 - 15h25
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Em clima de festa, uma multidão desfilou neste sábado (28) em Budapeste, na Hungria, desafiando a proibição da marcha do orgulho imposta pela polícia, uma mobilização recorde como resposta a um retrocesso sem precedentes nos direitos LGBTQIA+ na União Europeia.

Participantes da Parada do Orgulho LGBTQIA+ em Budapeste, em 28 de junho de 2025.
Participantes da Parada do Orgulho LGBTQIA+ em Budapeste, em 28 de junho de 2025.
Foto: AP - Rudolf Karancsi / RFI

Embora não haja números oficiais disponíveis, os organizadores estimaram cerca de 200 mil participantes, com praças e avenidas ao longo do percurso completamente lotadas.

Para o primeiro-ministro Viktor Orbán e seu partido Fidesz, "esse sucesso estrondoso da Pride é muito embaraçoso" e terá "repercussões" políticas, comentou à AFP o analista Szabolcs Pek.

O desfile começou por volta das 15h locais, nas proximidades da prefeitura da capital húngara, decorada com as cores do arco-íris, sob um sol escaldante. Os últimos participantes chegaram ao destino cerca de quatro horas depois.

Entre os manifestantes, muitos contaram que estavam participando de sua primeira Parada do Orgulho, como Zoltan, de 66 anos:

"Tenho orgulho de ser gay e tenho muito medo de que o governo queira nos rebaixar. Estou surpreso com tanta gente aqui", disse, muito emocionado.

Marcell Szanto, estudante de 22 anos e aliado heterossexual da comunidade LGBTQIA+, descreveu a marcha como "uma experiência incrível", bem diferente do que ele chama de "ódio que normalmente caracteriza o clima na Hungria".

"Defender os direitos do povo"

"Liberdade e amor não podem ser proibidos!", dizia uma enorme faixa exibida em uma cidade em efervescência, sob vigilância policial, mas sem conflitos registrados até o momento. Os contra-manifestantes de extrema direita eram poucos.

O nacionalista Viktor Orbán quis evitar imagens de repressão violenta: na sexta-feira, afastou qualquer intervenção imediata da polícia, embora tenha ameaçado gays, lésbicas e pessoas trans com consequências legais posteriores.

A atenção da Europa está voltada para o país de 9,6 milhões de habitantes, que enfrenta críticas da Comissão Europeia por essa proibição, lembrando casos como os de Moscou em 2006 e Istambul em 2015.

"O perigo é real. Uma internacional reacionária está surgindo diante de nossos olhos, nos Estados Unidos, na Hungria, na Itália, na Rússia", alertou um representante da associação Aides, durante a Parada do Orgulho em Paris, que também reuniu milhares de pessoas no sábado.

Após o apoio declarado por 33 países à manifestação, o ministro da Justiça húngaro advertiu os diplomatas estrangeiros em Budapeste: se participassem do evento proibido, teriam que arcar com as consequências.

Pelo menos 70 eurodeputados anunciaram presença para, nas palavras do francês Raphaël Glucksmann,"dizer a Viktor Orbán que não aceitaremos que ele desmonte o projeto europeu". Ele também pediu à União Europeia que "dê um basta" ao líder nacionalista.

Câmeras de vigilância foram instaladas previamente, e o reconhecimento facial pode ser usado para aplicar multas de até €500. Organizar ou convocar para o evento pode resultar em até um ano de prisão.

Segundo o governo, crianças e adolescentes não devem ser expostos à homossexualidade, transidentidade ou a cenas de "devassidão".

Além da lei aprovada em março que proíbe manifestações como a marcha, o governo foi além e alterou a Constituição, alegando agir em nome do interesse superior da criança para justificar a restrição da liberdade de manifestação.

"Gol contra"

"Obrigado, Viktor Orbán, por promover uma sociedade mais tolerante", ironizou no Facebook o prefeito ecologista de Budapeste, Gergely Karácsony, que manteve a realização da Parada contra todas as pressões.

"Em vez de marcar pontos, o governo marcou um grande gol contra ao tentar impedir o evento de hoje", disse o opositor Péter Magyar, atualmente líder nas pesquisas para as eleições legislativas da primavera de 2026.

Estimulado pela ofensiva de Donald Trump contra programas de diversidade, Orbán esperava polarizar a sociedade, estratégia que já havia lhe rendido frutos no passado, segundo analistas políticos.

Antes de Orbán voltar ao poder em 2010, a Hungria era uma das nações mais progressistas da região em relação aos direitos LGBTQIA+: a homossexualidade foi descriminalizada no início dos anos 1960, e a união civil entre pessoas do mesmo sexo reconhecida desde 1996.

Mas, como defensor do que ele chama de "iliberalismo", o primeiro-ministro mudou gradualmente esse cenário.

"É nojento, virou uma moda se exibir", declarou à AFP, sob anonimato, Katalin, uma moradora favorável à proibição do evento.

(Com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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