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Macron lança novo serviço militar para proteger a França de ameaças da Rússia

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (27) um novo serviço militar voluntário, que será destinado a jovens adultos e terá duração de dez meses. O objetivo é atender às necessidades das Forças Armadas diante das ameaças russas e do crescente risco de conflito.

27 nov 2025 - 11h03
(atualizado às 11h12)
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"O medo nunca impede o perigo. A única maneira de evitá-lo é se preparar para ele", discursou Macron na 27ª Brigada de Infantaria de Montanha (BIM), na base militar de Varces, em Isère, no sudeste da França.

Macron alertou que os voluntários servirão "exclusivamente em território francês". O presidente já tinha assegurado na terça-feira desta semana que o plano "não é enviar nossos jovens para a Ucrânia". A declaração foi uma tentativa de apaziguar a polêmica provocada pelo chefe do Estado-Maior da Defesa, general Fabien Mandon, que afirmou que a França deve estar preparada para "aceitar a perda de seus filhos em caso de guerra". Líderes da oposição acusaram o general de adotar um discurso "belicista". Macron, por sua vez, defendeu o representante das Forças Armadas e disse que a declaração de Mandon foi distorcida. O presidente reafirmou sua confiança no trabalho do militar.

No discurso desta quinta-feira, o presidente, cercado por jovens e militares, disse que "nossa juventude está ansiosa para servir e há uma geração pronta para defender a nação" dentro das Forças Armadas.

O presidente defendeu a introdução desse novo programa de alistamento militar, que "é uma ideia defendida por aqueles que conhecem a realidade das nossas Forças Armadas hoje". Macron confirmou, portanto, que esse novo programa, chamado simplesmente de "serviço nacional", será lançado "gradualmente a partir do próximo verão". A seleção de candidatos, homens e mulheres, terá início em meados de janeiro. O programa terá duração de dez meses, sendo que um mês de treinamento e nove de serviço militar. O período de serviço será considerado como um ano sabático de estudos. A remuneração mensal será de € 800,00 (cerca de R$ 4.900,00). Os voluntários também receberão alimentação, uniforme, equipamento e alojamento.

Devido a restrições orçamentárias, o programa será implementado gradualmente. No primeiro ano, a expectativa é atrair 3.000 jovens. A meta é alcançar 10.000 por ano até 2030, mas há a ambição de chegar a 42.500 até 2035. Caso isso se torne realidade, totalizaria 50.000 por ano quando somado aos que participam do já existente Serviço Militar Voluntário (SMV) e seu equivalente no exterior, o Serviço Militar Adaptado (SMA), que continuarão em paralelo, pois têm um objetivo diferente de integração profissional.

O financiamento necessário está previsto na atualização da lei de programação militar, lançada por Emmanuel Macron, mas que ainda não foi aprovada. Esse esforço orçamentário é, segundo o presidente, essencial.

Oitenta por cento dos voluntários serão jovens de 18 a 19 anos; os demais terão até 25 anos e serão selecionados com base em suas especializações, como engenharia, enfermaria, tradução, entre outras profissões.

Serviço militar voluntário ou obrigatório

Uma pesquisa feita pela Ipos em março desse ano apontou que cerca de 86% dos franceses são favoráveis ao serviço militar. Segundo o documento, 33% pedem que seja voluntário.

Na França, o serviço militar não é obrigatório desde 1997. De lá para cá, a obrigatoriedade foi substituída por programas como o Serviço Militar Adaptado (SMA) e o Serviço Militar Voluntário (SMV), onde os jovens podem se engajar por alguns meses para receber uma formação militar, cívica ou profissional e são normalmente remunerados e alojados. Essas opções, no entanto, se mostraram pouco sedutoras para atrair a juventude francesa para a carreira militar. 

Atualmente, as Forças Armadas francesas contam com 200 mil militares na ativa e 47.000 reservistas. O objetivo é passar, respectivamente, para 210.000 soldados e 80.000 reservistas até 2030.

Na Europa, os serviços militares mudam conforme as nações. Nos países nórdicos, o serviço militar é obrigatório, com durações e modalidades diferentes, incluindo a participação das mulheres. Outros como Estônia, Grécia, Chipre, Áustria e Suíça também preservam formas de conscrição. Já Lituânia, Suécia, Letônia e Croácia restabeleceram o serviço militar nos últimos anos, motivados pelas crescentes tensões com a Rússia.

Por outro lado, países como Bélgica, Holanda, Bulgária e Romênia optaram por sistemas de recrutamento voluntário, enquanto a Alemanha planeja recrutar 20 mil voluntários até 2026.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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