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Italianos dão não definitivo à energia nuclear em referendo

13 jun 2011
16h01
atualizado às 16h10
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Três meses após Fukushima, os italianos disseram adeus definitivamente nesta segunda-feira, por meio de um referendo, à energia nuclear, um novo golpe na política de uso desta fonte de energia na Europa duas semanas depois do anúncio do seu abandono por parte da Alemanha. Segundo resultados disponíveis por volta das 17h GMT (14h de Brasília), levando em conta mais da metade dos centros de votação, a maioria esmagadora de 94,6% votou contra a energia nuclear.

"Devemos dizer adeus à opção das centrais nucleares e nos comprometer fortemente com as energias renováveis", reconheceu o chefe de governo Silvio Berlusconi antes mesmo do final da apuração. Ecologistas e oposição de esquerda saudaram uma "vitória histórica", retomando os termos utilizados pelo Greenpeace.

O resultado do referendo significa "um adeus definitivo à energia nuclear", declarou Stefano Ciafani, diretor científico da organização ambientalista Legambiente. Na Itália, o governo não pode anular o resultado de um referendo durante cinco anos, mas seria impensável politicamente propor novamente a energia nuclear depois que esse prazo terminar, após os italianos terem dito não duas vezes em 24 anos, ressaltou ele.

Após o acidente de Fukushima, no Japão, o governo enterrou em abril seu programa de reintrodução da energia nuclear, abandonada em 1987 em conformidade a decisão dos participantes de um referendo organizado em ocasião da catástrofe de Chernobyl. Mas "Il Cavaliere" esperava que os italianos estivessem prontos para aceitar o programa em um ano ou dois. Ele havia reconhecido na época que a anulação do programa tinha principalmente como objetivo eliminar o referendo, tirando sua razão de ser, por temor de que este impedisse de maneira definitiva o retorno à energia nuclear.

O programa era um projeto fundamental de Berlusconi, anunciado desde o seu retorno ao poder em 2008 e destinado a reduzir a dependência energética da Itália, cujo abastecimento depende principalmente da Líbia. O grupo italiano Enel tinha se aliado à francesa EDF para construir quatro reatores EPR a partir de 2014 com o objetivo de colocá-lo em prática em 2020.

No plano europeu, o não dos italianos é um novo golpe na energia nuclear, depois que a Alemanha decidiu em 30 de maio fechar seus últimos reatores em 2022, tornando-se a primeira grande potência industrial a desistir da energia nuclear depois de Fukushima. A Suíça havia anunciado há alguns dias o seu abandono gradual dessa fonte energética até 2034. "É mais uma confirmação do fato de que a Europa utilizará cada vez menos a energia nuclear", considerou Ciafani, que acredita que "a França é uma exceção porque ela tem interesse" na construção de novas centrais.

O governo italiano, que estabelecerão como meta cobrir até 2030 um quarto de suas necessidades em energia elétrica através da nuclear, terá que elaborar uma nova estratégia energética, baseada, entre outros, nas energias renováveis, setor do qual as ações das empresas registraram forte alta na Bolsa de Milão. No final de 2010, 64,8% da energia elétrica consumida na Itália era produzida no país a partir de energias fósseis (gás, petróleo, carvão, etc.), e 22,2% a partir de energias renováveis, enquanto que 13% eram importadas.

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