França: Macron defende reforma para ampliar serviço militar voluntário e descarta envio de jovens à Ucrânia
Em meio a um cenário de crescente instabilidade na Europa, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou, nesta terça-feira (25), que o Serviço Nacional Universal (SNU), destinado a despertar o interesse dos jovens de 15 a 17 anos pelo serviço militar, será reformulado. Embora ainda não tenha detalhado os novos rumos, ele destacou que a mudança visa fortalecer a coesão nacional diante das ameaças globais, em especial a guerra híbrida conduzida pela Rússia contra a União Europeia.
Em uma entrevista à rádio RTL, Macron afirmou que o objetivo é "reforçar o pacto entre o exército e a nação", aproximando os jovens das Forças Armadas francesas e incentivando sua participação na reserva cidadã.
A França aboliu o alistamento militar obrigatório em 1997, durante o governo de Jacques Chirac, e desde então conta com programas como o Serviço Militar Adaptado (SMA) e o Serviço Militar Voluntário (SMV), voltados para a formação e inserção profissional. O SNU, criado em 2019, tem caráter civil e inclui um programa de cursos de sensibilização militar, atividades em serviços públicos e reforço da cidadania. No entanto, o programa nunca conseguiu se consolidar como uma iniciativa de grande relevância entre os jovens franceses.
'Guerra de alta intensidade até 2030'
A reforma do SNU ocorre em meio à polêmica gerada pelas declarações do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Fabien Mandon, que alertou sobre o risco de um conflito de alta intensidade na Europa até 2030. Mandon sugeriu que a França deveria estar preparada para "aceitar perder seus filhos" em caso de guerra. As palavras do general provocaram críticas de líderes da oposição, que o acusaram de adotar um discurso "belicista". Macron, no entanto, saiu em defesa do militar, afirmando que suas declarações foram "distorcidas" e reafirmando sua "total confiança" no subordinado.
O general Mandon, por sua vez, explicou que sua intenção era "alertar e preparar" o país para um cenário em que as ameaças russas se intensificam rapidamente. Ele ressaltou que a análise sobre a escalada da violência na Europa é compartilhada por todos os aliados do continente e que o documento estratégico francês "Revue nationale stratégique de 2025" prevê a possibilidade de um conflito militar de alta intensidade entre 2027 e 2030.
Mandon também afirmou que as Forças Armadas francesas estão "prontas", compostas por jovens de 18 a 30 anos que sabem que "engajamento implica riscos". Para amenizar a tensão, a porta-voz do governo, Maud Bregeon, garantiu que "nossos filhos não irão combater e morrer na Ucrânia".
Atualmente, as Forças Armadas francesas contam com 200 mil militares na ativa e 47.000 reservistas. O objetivo é passar, respectivamente, para 210.000 soldados e 80.000 reservistas até 2030.
Serviço militar na Europa
Enquanto a França se prepara para dar uma nova forma ao SNU, o panorama europeu sobre o alistamento militar é bastante diverso. Países como Dinamarca, Finlândia e Noruega, próximos à Rússia, mantêm o serviço obrigatório, com durações e modalidades diferentes, incluindo a participação das mulheres.
Estônia, Grécia, Chipre, Áustria e Suíça também preservam formas de conscrição. Já Lituânia, Suécia, Letônia e Croácia restabeleceram o serviço militar nos últimos anos, motivados pelas crescentes tensões com a Rússia. Por outro lado, países como Bélgica, Holanda, Bulgária e Romênia optaram por sistemas de recrutamento voluntário, enquanto a Alemanha planeja recrutar 20 mil voluntários até 2026.
A decisão de Macron de dar uma nova direção ao SNU, aproximando-o de um alistamento voluntário, reflete o desejo do governo francês de adaptar o país a um contexto de segurança cada vez mais imprevisível. O objetivo é garantir que os jovens franceses estejam mais preparados para enfrentar as ameaças globais e mantenham um vínculo mais estreito com as Forças Armadas, em um momento em que a estabilidade na Europa está cada vez mais em risco.
Com agências