Filme brasileiro sobre violência na adolescência provoca debate ético no Festival de Biarritz
O drama brasileiro Precisamos Falar, dirigido por Pedro Waddington e Rebeca Diniz, foi exibido neste sábado (20) em sessão especial no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz, no sudoeste da França. A produção, comparada pelo público à série de sucesso Adolescência, levanta questões éticas envolvendo pais, filhos e o papel da internet na vida de adolescentes.
O drama brasileiro Precisamos Falar, dirigido por Pedro Waddington e Rebeca Diniz, foi exibido neste sábado (20) em sessão especial no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz, no sudoeste da França. A produção, comparada pelo público à série de sucesso Adolescência, levanta questões éticas envolvendo pais, filhos e o papel da internet na vida de adolescentes.
Maria Paula Carvalho, enviada especial da RFI a Biarritz
Com roteiro de Sérgio Goldenberg e supervisão de George Moura, o longa-metragem da Conspiração Filmes é uma adaptação do best-seller O Jantar, do escritor holandês Herman Koch.
A trama gira em torno de três adolescentes que, ao voltarem de uma festa, atacam e matam acidentalmente uma mulher em situação de rua. As câmeras de segurança não permitem identificar os autores do crime, mas seus pais — casais de classe média alta — reconhecem os filhos e enfrentam um impasse moral: denunciar ou proteger?
"Esse é o dilema do filme. Tratamos dessa discussão ética para entender até onde vai o amor dos pais pelos filhos", explica Pedro Waddington. "É perigoso justificar a impunidade com base no afeto, mas acredito que esse é o cerne do debate que propomos."
A postura ética dos pais é colocada à prova, enquanto cada casal defende pontos de vista distintos. "É um filme sobre parentalidade, responsabilidade e o impacto da internet, que amplifica tudo", acrescenta Rebeca Diniz.
Comparado à série Adolescência
Durante o debate com o público em Biarritz, o filme foi comparado à série britânica Adolescência, produzida pela Netflix, em que um garoto de 13 anos é acusado de matar uma colega de escola.
No longa brasileiro, o crime abala profundamente a vida dos pais. Embora compartilhem sentimentos de culpa e angústia, suas reações são opostas. Apesar da repercussão do caso, nem todos estão dispostos a revelar à polícia o que realmente aconteceu.
"O filme é um convite ao debate sobre ética e moral", reforça Diniz. "Até onde os pais podem ir? A ética dentro de casa é a mesma que fora dela?", questiona.
Estrelado por Marjorie Estiano, Alexandre Nero, Emílio de Mello e Hermila Guedes, o filme também apresenta o jovem ator Thiago Voltolini. "Esses adolescentes existem, estão por aí, e facilmente enganariam qualquer um. Isso é preocupante", afirma Voltolini em entrevista à RFI.
Em sua estreia no cinema e em festivais internacionais, o ator paulista celebra a oportunidade de apresentar o filme na França. "Estar aqui já é um presente, ainda mais em um festival tão importante para o cinema latino-americano", conclui, apontando para o mar em frente ao Cassino de Biarritz, um dos locais de exibição.
Precisamos Falar ainda não tem data de estreia no Brasil.