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Fake news contra candidatos reacendem alerta sobre influência russa na eleição francesa

A oito meses da eleição presidencial francesa, multiplicam-se as campanhas de desinformação atribuídas à Rússia, com conteúdos falsos direcionados a candidatos e partidos. Diante do risco de interferência no processo eleitoral, o governo francês reforça a necessidade de regular a circulação dessas informações, enquanto parte da esquerda defende medidas mais duras contra plataformas digitais como TikTok e X.

6 ago 2026 - 12h25
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Uma série de operações de desestabilização, atribuídas a redes pró-russas, atingiu em poucos dias três concorrentes declarados ou cotados para a disputa presidencial.

Os ex-primeiros-ministros Édouard Philippe (à esquerda) e Gabriel Attal (à direita), candidatos à eleição presidencial francesa de 2027, foram alvo de fake news atribuídas a plataformas russas. (Foto de arquivo de 7 de maio de 2024).
Os ex-primeiros-ministros Édouard Philippe (à esquerda) e Gabriel Attal (à direita), candidatos à eleição presidencial francesa de 2027, foram alvo de fake news atribuídas a plataformas russas. (Foto de arquivo de 7 de maio de 2024).
Foto: AFP - THOMAS SAMSON / RFI

O candidato de centro-direita e ex-primeiro-ministro Édouard Philippe foi alvo de calúnias sobre seu estado de saúde. O eurodeputado de esquerda Raphaël Glucksmann foi visado por intermédio de sua companheira, a jornalista Léa Salamé. A fake news difundida nas redes a acusa de ter subornado veículos de comunicação para favorecer a candidatura do marido. Já Gabriel Attal, também de centro-direita, foi apresentado como alguém possivelmente afetado pela doença de Parkinson.

"Se não fizermos nada para nos proteger, a eleição pode ser manipulada", alertou nesta quinta-feira (6), à rádio RTL, Gabriel Attal, ex-primeiro-ministro e presidente do partido do presidente Emmanuel Macron. Ele acusou "a Rússia de querer roubar" a eleição dos franceses.

A Viginum, órgão responsável pelo combate às ingerências digitais estrangeiras na França, detectou na terça-feira uma operação de desinformação que visava Attal. A interferência foi atribuída, com "alto grau de confiança", à rede pró-russa Matriochka, termo russo que designa as tradicionais bonecas encaixáveis.

Esses conteúdos falsos, publicados na plataforma X, usurpavam a identidade visual de veículos de comunicação franceses, como RFI, BFM, Le Parisien, Ouest-France, Libération, France 24 e, em um dos vídeos, até mesmo da AFP. As publicações afirmavam, entre outras coisas, que Gabriel Attal apresentava "sinais da doença de Parkinson" ou defendia uma política mais favorável aos ocupantes ilegais de imóveis vazios.

Embora essas publicações tenham tido, até agora, alcance limitado, segundo uma fonte da área de segurança, trata-se das primeiras operações de desinformação direcionadas contra possíveis candidatos à Presidência da França desde o início da campanha eleitoral. O primeiro turno da eleição está previsto para abril de 2027.

Projeto de lei

Na noite de quarta-feira, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu reagiu ao início da campanha de desinformação. Ele lembrou que o governo francês apresentou, no fim de julho, um projeto de lei sobre o tema ao Conselho de Ministros.

O texto prevê o endurecimento das penas para quem disseminar informações falsas em contexto eleitoral. Atualmente, essas infrações são punidas com até um ano de prisão e multa de 15 mil euros. Com a nova lei, a pena poderá chegar a três anos de prisão e 45 mil euros de multa.

As punições poderão ser elevadas para até seis anos de reclusão quando a manipulação do processo eleitoral for realizada "em benefício dos interesses de uma potência, empresa ou organização estrangeira".

O Executivo também apresentou um decreto que prevê a criação de uma "comissão de informação", encarregada de alertar o público e os candidatos em casos de interferência.

Após o recesso de verão, em setembro, Lecornu informou que retomará as discussões sobre o tema com as forças políticas do país.

Parte da esquerda quer atingir as plataformas

Uma parcela da esquerda considera que o governo não está indo longe o suficiente e defende medidas voltadas também para plataformas estrangeiras como TikTok e X.

Raphaël Glucksmann acredita que a campanha de 2027 será marcada por interferências em larga escala. O eurodeputado pede às autoridades francesas e europeias que não hesitem em aplicar sanções a essas plataformas, se necessário.

Ele relembrou as suspeitas em torno do candidato de extrema direita Calin Georgescu durante a eleição presidencial romena de 2024. Surpreendendo os observadores, Georgescu terminou o primeiro turno na liderança, mas foi acusado pelas autoridades romenas de ter se beneficiado de uma campanha ilegal de apoio organizada por Moscou, especialmente por meio do TikTok. A eleição acabou sendo anulada, e o candidato pró-europeu Nicușor Dan venceu a disputa meses depois.

"Não houve nenhuma sanção contra o TikTok", criticou Raphaël Glucksmann.

A líder do partido Os Ecologistas, Marine Tondelier, foi ainda mais longe ao propor a suspensão, na França, de redes sociais como o X durante o período eleitoral, caso sejam constatadas tentativas de interferência.

Desde a compra do Twitter, rebatizado de X, em 2022, o bilionário americano Elon Musk tem multiplicado suas manifestações políticas na plataforma. No início de julho, chegou a classificar a candidatura de Marine Le Pen, do Reunião Nacional (extrema direita), como a "última esperança para a França".

Silêncio da direita e da extrema direita

Diante das operações de desestabilização dos últimos dias, os partidos da direita e da extrema direita permanecem, por enquanto, em silêncio.

Politicamente, o tema é sensível para o Reunião Nacional devido aos antigos vínculos do partido com a Rússia, sobretudo por causa de um empréstimo contraído junto a um banco russo na década de 2010. Em 2025, no entanto, o presidente da legenda, Jordan Bardella, endureceu seu discurso, classificando Moscou como uma "ameaça multidimensional" para a França e citando, entre outros aspectos, as interferências russas.

O impacto real dessa campanha de desinformação sobre o resultado das urnas, no entanto, continua sendo difícil de medir. Seu efeito permanece "difícil de determinar", observou há alguns meses Laurent Cordonier, diretor de pesquisa da Fundação Descartes, durante uma mesa-redonda no Senado dedicada aos riscos da manipulação digital às vésperas de importantes eleições.

Segundo o pesquisador, o principal efeito dessas operações nem sempre é mudar a intenção de voto dos eleitores, mas alimentar a desconfiança em relação às instituições e ao processo democrático. Ainda assim, ele ressalva que o alcance e a eficácia dessas campanhas variam de acordo com o contexto político e a capacidade de resposta das autoridades e das plataformas digitais.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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