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Expansão no Brasil ajuda gigante do petróleo TotalEnergies a dobrar lucros em cenário de guerra no Oriente Médio

A gigante francesa de petróleo e gás TotalEnergies anunciou, nesta quinta-feira (23), que seu lucro líquido dobrou no segundo trimestre, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, que elevou os preços dos hidrocarbonetos. O grupo observou que sua produção de petróleo e gás se beneficiou de um crescimento orgânico de mais de 4% em relação ao ano anterior, ligado ao aumento de projetos lançados no último ano no Brasil, nos Estados Unidos e na Líbia.

23 jul 2026 - 12h31
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Em comunicado, a TotalEnergies informou que seu lucro líquido atingiu US$ 5,4 bilhões no período de abril a junho, em comparação com os US$ 2,7 bilhõesa no mesmo período do ano passado. Segundo o CEO do grupo, Patrick Pouyanné, o salto de 67% no lucro líquido da empresa ocorreu devido a "seu modelo e sua diversificação". 

Foto da refinaria da TotalEnergies na Antuérpia, em 18 de maio de 2026.
Foto da refinaria da TotalEnergies na Antuérpia, em 18 de maio de 2026.
Foto: AFP - JONAS ROOSENS / RFI

Já no primeiro semestre, o lucro líquido de US$ 11,2 bilhões levou a TotalEnergies a superar os US$ 10,6 bilhões registrados no primeiro semestre de 2022, ano do início da guerra na Ucrânia. A empresa já havia anunciado em abril um salto de 51% em seu lucro líquido nos três primeiros meses do ano, impulsionado pela disparada e pela volatilidade dos preços do petróleo e do gás no início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã.

A TotalEnergies atua em mais de 120 países, cobrindo todo o setor energético. Segundo o grupo, os projetos que vêm sendo realizados no Brasil, nos Estados Unidos e na Líbia "compensaram parcialmente o impacto das perdas de produção no Oriente Médio", da ordem de 210 mil barris equivalentes de petróleo por dia, "em média no trimestre". Embora parte dessa produção não tenha podido ser escoada, "diante das dificuldades de acesso ao Estreito de Ormuz", a principal divisão de exploração e produção manteve crescimento, segundo o grupo.

Indignação na esquerda francesa

Os resultados causaram indignação entre políticos progressistas, que aproveitaram para exigir que as petroleiras sejam alvo de mais impostos. Da esquerda radical aos ecologistas, passando pelos socialistas, a performance financeira do grupo francês foi amplamente denunciado.

"A TotalEnergies nunca havia tão bem capturado os lucros de guerra às custas dos consumidores", ironizou nesta quinta‑feira, na rede social X, o presidente da Comissão de Finanças da Assembleia Nacional, o deputado Eric Coquerel, do partido da esquerda radical França Insubmissa. Ele exigiu um bloqueio dos preços por meio do teto às margens dos refinadores, além de uma "taxação dos superlucros para uma verdadeira solidariedade".

Denunciando os "aproveitadores de guerra", o líder dos socialistas, Olivier Faure, também criticou no X os acionistas que "já receberam um segundo adiantamento de dividendo". Na plataforma BlueSky, a deputada ecologista Sandrine Rousseau disse que "mal pode esperar que eles [a TotalEnergies] sejam pesadamente taxados", lembrando que essa faz parte das "razões vitais pelas quais a esquerda precisa vencer" a eleição presidencial de 2027. 

Já a porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, afirmou à rádio RMC que se recusa participar do "assédio" contra a TotalEnergies e reafirmou a posição do Executivo francês de "taxar as grandes empresas do país". "É uma sorte termos na França uma grande empresa de energia capaz de garantir o abastecimento dos franceses", reagiu Bregeon, ao mesmo tempo em que disse compreender "as dúvidas" dos franceses sobre a dimensão desses lucros.

Repsol triplica lucros líquidos

A TotalEnergies não foi a única a capitalizar com a guerra no Oriente Médio. O grupo petrolífero espanhol Repsol viu seu lucro líquido mais do que triplicar no primeiro semestre, atingindo € 2,2 bilhões. O valor representa um aumento de 265% em relação ao mesmo período de 2025. 

Apenas no segundo trimestre deste ano, os lucros da Repsol atingiram € 1,27 bilhão, acima dos € 929 milhões registrados no primeiro trimestre, marcado pelo início do conflito no Oriente Médio, onde a Repsol "não possui nenhum ativo".

A atividade da empresa, sediada em Madri mas presente em mais de 20 países, concentrou‑se nos últimos meses na Venezuela. O grupo espanhol detém 50% do campo de gás offshore Perla, um dos maiores da América Latina, e está envolvido em vários projetos petrolíferos em parceria com a estatal venezuelana PDVSA.

RFI com agências

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