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Europeus avançam em parceria para reduzir dependência do gás russo com energia eólica

Os líderes europeus prometeram, nesta segunda-feira (26), em Hamburgo, acelerar a cooperação para desenvolver energia eólica no Mar do Norte, com o objetivo de garantir o abastecimento energético do continente e evitar a dependência do gás russo. As declarações foram feitas em um contexto diplomático tenso pelas ameaças de Moscou e pelas ambições dos Estados Unidos sobre a Groenlândia.

26 jan 2026 - 15h34
(atualizado às 15h55)
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Realizada pela primeira vez em território alemão, a terceira cúpula sobre cooperação energética e segurança na região indicou uma vontade clara dos participantes de instalar parques eólicos no Mar do Norte, um desafio industrial para alcançar a descarbonização do continente. Os ministros da Energia de Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França, Irlanda, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos e Reino Unido assinaram uma declaração conjunta para criar "o maior polo mundial de energia limpa", segundo um comunicado do ministério alemão da Economia e Energia.

Na segunda edição da cúpula, em 2023, os países participantes haviam se comprometido a desenvolver até 300 gigawatts de capacidade energética no Mar do Norte até 2050, com uma meta intermediária de 120 GW até 2030, objetivo que até agora não foi alcançado, segundo especialistas do setor.

O novo acordo prevê que Alemanha, Noruega, França, Dinamarca e Reino Unido lancem uma "frota sem precedentes" de projetos conjuntos de energia eólica no mar, com uma capacidade total de 100 GW, equivalente às necessidades elétricas de cerca de 100 milhões de lares, segundo um comunicado do Ministério britânico de Energia, que não detalhou o cronograma.

Segurança de abastecimento

O acordo busca reforçar a "resiliência" e a "segurança do abastecimento" da Europa, explicou Katherina Reiche, ministra alemã da Economia e Energia, em uma coletiva de imprensa no início da cúpula, criada após a guerra na Ucrânia para reduzir a dependência energética europeia.

Grande parte da Europa, especialmente a Alemanha, dependeu durante anos do gás russo, até decidir tornar-se independente após a invasão russa da Ucrânia em 2022. Essa ruptura provocou um aumento histórico da inflação e deixou em crise muitas indústrias grandes consumidoras de energia.

Os líderes europeus presentes em Hamburgo reforçaram que não querem voltar a essa situação. "Enviamos uma mensagem muito clara à Rússia: não permitiremos que use a energia contra nós", afirmou Dan Jørgensen, comissário europeu de Energia.

Futuro da Groenlândia em pauta

O futuro da Groenlândia não estava oficialmente na agenda desta cúpula. No entanto, a segurança na região foi abordada, em meio ao aumento das tensões sobre as infraestruturas energéticas no Mar do Norte e no Mar Báltico e as ambições territoriais de Donald Trump.

Na semana passada, o presidente americano retirou sua ameaça de tomar a Groenlândia à força e anunciou um "acordo-quadro" com seus aliados da Otan. Ainda assim, os europeus permanecem em alerta diante do chefe da Casa Branca, que afirma querer proteger a ilha da Rússia e da China. 

"A questão da Groenlândia está na mente de todos", declarou Jørgensen, que é dinamarquês. "Todos os ministros que encontrei hoje se mostraram extremamente solidários e leais, e acredito que é correto dizer que todos na Dinamarca estão extremamente felizes por nossos amigos terem permanecido ao nosso lado", acrescentou.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, assim como representantes da Islândia, da Comissão Europeia e da Otan, também participaram da reunião de cúpula.

(Com agências)

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