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Escândalos de pedofilia marcam "annus horribilis" de Bento XVI

15 dez 2010 - 16h24
(atualizado às 17h30)
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Os escândalos de padres pedófilos atingiram a Igreja Católica em 2010, um "annus horribilis" para Bento XVI, que em seu último livro, "Luz do mundo", reconhece que foi "um choque enorme" e que é "difícil ver o sacerdócio manchado dessa maneira". O quinto ano do Pontificado foi considerado pelos analistas como o mais delicado e difícil, já que os casos de padres pedófilos abalaram as igrejas da Irlanda, Estados Unidos, Alemanha, Áustria e Bélgica, entre outras, e atingiram o próprio papa.

Bento XVI foi acusado de ter "encoberto" padres pedófilos durante sua etapa à frente da Congregação para a Doutrina da Fé, o que foi negado taxativamente pela Santa Sé, que denunciou uma campanha para atacar o papa a qualquer preço.

Após centenas de casos nos EUA, que seguem arruinando dioceses devido às indenizações milionárias que tiveram que pagar, nos últimos meses foram publicados os polêmicos relatórios "Ryan" e "Murphy", que denunciaram abusos sexuais de centenas de crianças irlandeses por décadas por parte de sacerdotes, sobretudo na arquidiocese de Dublin entre 1975 e 2004.

Perante a situação criada, Bento XVI convocou os bispos irlandeses ao Vaticano, e ordenou uma inspeção das dioceses envolvidas. Após qualificar os abusos de "crime atroz", em carta aos católicos irlandeses pediu perdão às vítimas.

No meio do caso irlandês, descobriram que cerca de 350 menores sofreram abusos na Alemanha nos últimos trinta anos, entre eles na escola de elite dos jesuítas Canisius, em Berlim.

Como num efeito dominó, as denúncias se estenderam à Áustria, Holanda e Itália e, por sua vez, o jornal "The New York Times" acusou Bento XVI de encobrir um sacerdote que abusou de 200 crianças surdas nos Estados Unidos.

O diário alemão "Süddeutsche Zeitung" informou que nos anos 1980, quando o papa era arcebispo de Munique, autorizou um sacerdote com antecedentes de pedofilia exercer atividades na capital bávara.

Perante os incessantes ataques, o Vaticano anunciou que acusar o papa de ocultação é "falso e calunioso".

Em paralelo, as famílias das vítimas exigiram sua renúncia e alguns intelectuais britânicos pediram inclusive sua detenção.

O papa Ratzinger contou no livro "Luz do mundo" que em nenhum momento pensou em renunciar, "já que quando o perigo é grande não se pode escapar".

O Pontífice voltou a se reunir durante suas viagens a Malta e Reino Unido com vítimas de abusos, às que expressou "sua vergonha e pesar" e lhes garantiu que continuaria trabalhando para levar perante a justiça os responsáveis dos abusos.

Em Londres, admitiu pela primeira vez que o Vaticano não foi suficientemente "vigilante, veloz e decisivo" à hora de enfrentar os abusos.

Em Portugal, disse que o "perdão não substitui a justiça" e que os escândalos evidenciam que a "maior ameaça para a Igreja não vem de inimigos externos, mas de seu interior, dos pecados que existem nela".

Além disso, revisou o Código de Direito Canônico para tornar as penas mais rigorosas e incluiu o delito de posse de pornografia infantil pelo clero.

Neste ano, o papa nomeou um comissário para supervisionar os Legionários de Cristo, após comprovar-se que seu fundador, a padre mexicano Marcial Maciel (1920-2008), abusou sexualmente de seminaristas e teve filhos com várias mulheres.

No fim do ano, o papa Ratzinger surpreendeu à opinião pública ao justificar em "alguns casos o uso do preservativo", a primeira vez anunciada por um Pontífice.

Neste ano, viajou à Espanha, onde denunciou o "forte enfrentamento" entre fé e modernidade, que lhe lembrava, disse, ao "anticlericalismo e secularismo forte e agressivo" da época da II República.

Suas palavras renderam uma onda de críticas, especialmente pelos partidos de esquerda. O Governo evitou a polêmica, embora se mostrou surpreendido pela comparação.

EFE   
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