Eleições municipais britânicas são teste para primeiro-ministro Keir Starmer e Partido Trabalhista
Cerca de 30 milhões de britânicos vão às urnas nesta quinta-feira (7) para eleições municipais. A votação poderá confirmar a impopularidade do primeiro-ministro trabalhista, Keir Starmer, e levar a uma reformulação do cenário político no Reino Unido.
No poder desde julho de 2024, em um contexto de forte rejeição dos conservadores após 14 anos de governo, o líder trabalhista tem tido dificuldades para agradar o eleitorado, acusado de imobilismo e falta de iniciativa.
"Havia grandes expectativas neste governo, particularmente em relação à situação econômica do país, mas também a outras questões, como a imigração", lembra Thibaud Harrois, professor de civilização britânica na Universidade Paris-Sorbonne. "Entretanto, o governo trabalhista ainda não conseguiu mudar muita coisa, até agora."
À decepção, soma-se o escândalo envolvendo lord Peter Mandelson, ex-membro influente do Partido Trabalhista e ex-ministro nomeado embaixador em Washington em 2024, apesar de suas ligações com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. "Com este caso, a integridade do primeiro-ministro e a ética do governo estão sendo desafiadas", enfatiza Thibaud Harrois.
Outra questão sensível é o recente aumento de atos antissemitas no Reino Unido, ao qual o Partido Trabalhista é acusado de não ter reagido à altura. "Esperava-se que o governo trabalhista encontrasse soluções, mas, na realidade, não conseguiu", conclui o acadêmico.
Em um país que ainda enfrenta dificuldades econômicas, a opinião pública é cada vez mais crítica em relação ao premiê - a ponto de as especulações internas sobre sua substituição em Downing Street não serem mais tabu.
Ofensiva do Reform UK e dos Verdes
Nesse contexto, as eleições locais podem ser decisivas. As seções eleitorais abriram às 7h, horário local (3h em Brasília), e fecharão às 22h (18h em Brasília), com os primeiros resultados esperados durante a noite e ao longo da sexta-feira (8).
Há mais de 5 mil vagas equivalentes às de vereadores em disputa, de um total de mais de 16 mil na Inglaterra, e os eleitores do País de Gales e da Escócia também elegerão membros de seus parlamentos.
Os conservadores permanecem em baixa, enquanto outros partidos ganham terreno, a três anos das próximas eleições gerais, previstas para 2029. O partido de extrema direita Reform UK lidera as intenções de voto no âmbito nacional, com 26%, segundo o instituto YouGov, à frente do Partido Conservador (19%), do Partido Trabalhista (18%) e dos Verdes (15%). O partido liderado por Nigel Farage espera capitalizar a insatisfação dos britânicos, em especial quanto às questões de imigração.
À esquerda, os Verdes tentam se posicionar como uma alternativa aos trabalhistas. Liderados por Zack Polanski, eles têm atraído eleitores desiludidos com o primeiro-ministro e o partido tradicional.
Parlamento de Gales
A dinâmica regional também traz desafios. Na Escócia e no País de Gales, os partidos favoráveis à independência podem obter avanços significativos. O Partido Trabalhista pode até perder a maioria no Parlamento galês, pela primeira vez desde sua criação, há 27 anos.
As eleições representam um momento crucial para o partido - embora uma derrota não signifique automaticamente a saída do primeiro-ministro, já que ele ainda detém uma confortável maioria em Westminster. Segundo as últimas pesquisas, os trabalhistas poderão perder até 2 mil cadeiras municipais em toda a Inglaterra.
"É uma espécie de teste", resume Alma-Pierre Bonnet, especialista em civilização britânica na Universidade Lyon 3 Jean Moulin.