Chefe da Otan diz que recado de Trump foi ouvido após anúncio de retirada de soldados da Alemanha
Os líderes europeus "receberam bem" a mensagem de Donald Trump em relação ao Irã, afirmou nesta segunda-feira (4) o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, após o anúncio repentino da retirada de soldados americanos da Alemanha.
"Os Estados Unidos ficaram um tanto decepcionados com a reação europeia diante da situação atual no Oriente Médio", declarou o chefe da aliança ocidental ao chegar a uma reunião de cúpula na Armênia.
"Eu diria que, pelo que me relatam todos os meus contatos entre os líderes europeus, eles compreenderam claramente a mensagem dos Estados Unidos, a receberam em alto e bom som" e "estão avançando" nesse tema, acrescentou.
Abalados pela decisão de Donald Trump de retirar 5.000 soldados americanos da Alemanha, os europeus também garantiram que irão acelerar o fortalecimento de suas próprias capacidades de defesa.
Para a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, o momento escolhido por Trump para anunciar a retirada foi "uma surpresa", embora a decisão em si já fosse esperada.
"Acho que isso mostra que precisamos realmente fortalecer o pilar europeu da Otan e fazer muito mais", disse ela à margem de uma cúpula da Comunidade Política Europeia, em Ierevan.
"Os europeus estão assumindo seu destino, aumentando seus gastos com defesa e segurança e construindo soluções comuns", afirmou, na mesma linha, o presidente francês, Emmanuel Macron.
Redução das forças americanas
Trump acusa vários parceiros europeus de recusarem qualquer contribuição militar ou logística às operações conduzidas por Washington no Estreito de Ormuz contra o Irã.
Na semana passada, ele afirmou considerar a redução das forças americanas estacionadas na Alemanha depois que o chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou que "os americanos aparentemente não têm nenhuma estratégia" em relação ao Irã.
"Precisamos de mais independência em matéria de defesa e segurança. Temos de reforçar nossas capacidades militares para nos defender e nos proteger por conta própria", ressaltou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acrescentando que "o que precisamos fazer agora é acelerar a produção" de equipamentos militares.
Com agências
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