França debate novas estratégias para lutar contra a queda de natalidade
Um relatório do Alto Comissariado à Estratégia e ao Plano da França, divulgado na terça-feira (5), propõe melhorar o apoio às famílias que querem procriar ao invés de simplesmente encorajar a natalidade de forma geral na França.
A França pena para lidar com a inversão do crescimento populacional, registrando atualmente uma fecundidade média de 1,56 filhos por mulher, um nível historicamente baixo. Segundo o Instituto Nacional das Estatísticas e dos Estudos Econômicos da França (Insee), em 2025 foram registrados 645 mil nascimentos no país: uma queda de cerca de 25% em relação a 2010.
Segundo o relatório do Alto Comissariado à Estratégia e ao Plano da França, a solução não está em "impor regras" ou "questionar os direitos sexuais e reprodutivos", depois que a proposta de "rearmamento demográfico" do presidente Emmanuel Macron gerou muita polêmica em 2024. O diário lembra que embora a vontade das pessoas de procriar venha diminuindo ao longo dos anos, os jovens franceses afirmam ainda querer ter, em média, 2,3 filhos.
Uma das propostas é reformar a política de licenças parentais após o nascimento. O relatório propõe a extensão do benefício a um ou dois meses suplementares e na condição de que o pai usufrua de ao menos um mês da licença. "Uma maneira de favorecer a divisão das responsabilidades parentais e melhorar a conciliação entre a vida familiar e profissional das mães", avalia o jornal Le Figaro.
"Tentemos uma política feminista", diz o jornal Libération, que prevê que a questão deverá agitar a campanha das eleições presidenciais em 2027. Para o diário, embora o relatório do Alto Comissariado à Estratégia e ao Plano da França não utilize em nenhum momento a palavra "feminismo", o documento confirma algo significativo: uma política comprometida com os direitos das mulheres e que promova a igualdade pode ter um efeito positivo à taxa de natalidade.
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