Conheça Mario Monti, a personalidade oposta de Berlusconi
13 nov2011 - 11h48
(atualizado às 12h41)
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Cotado para assumir o Governo italiano e restaurar a confiança dos mercados, Mario Monti, um homem ponderado de 68 anos, é o oposto do efervescente Silvio Berlusconi, acusado de ter destruído a credibilidade do país. Às vezes apelidado de "o Cardeal", construiu uma reputação de competência e independência como comissário europeu por 10 anos (1994-2004).
Mario Monti foi o Comissário europeu responsável em combater os monopólios e zelar por uma concorrência comercial saudável na União Europeia
Foto: AFP
Sinal que os tempos já mudaram: longe dos tribunais ou mansões luxuosas, os paparazzi fotografaram e filmaram Monti na saída da missa neste domingo em Roma. Nomeado senador vitalício na sexta-feira pelo presidente Giorgio Napolitano, já é considerado pela diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, o próximo chefe de governo.
"Eu conheço muito bem Mario Monti, tenho uma grande estima e muito respeito por ele. Eu acredito que ele é um homem de grande qualidade, com o qual sempre mantive um diálogo frutífero e extremamente caloroso", declarou antes mesmo da nomeação. Muito discreto desde que seu nome passou a ocupar as manchetes dos jornais, o candidato percebeu durante os últimos meses, que suas intervenções em relação à crise multiplicaram. "É necessário realizar reformas impopulares, combinando as ideias mais sensatas de cada partido político", já dizia no dia 23 de setembro.
"Acredito que algum conhecimento sobre os problemas não vai atrapalhar", falou modestamente recentemente. Nascido no dia 19 de março de 1943 em Varese, Mario Monti estudou na prestigiosa universidade Bocconi de Milão, considerada a melhor universidade de economia da Itália. Prosseguiu seus estudos em Yale nos Estados Unidos, onde estudou com o prêmio Nobel James Tobin, pai do projeto de taxação das transações financeiras que leva seu nome.
De 1970 a 1985, deu aulas na universidade de Turin e depois se tornou professor de economia política em Bocconi, onde ocupou sucessivamente os cargos de diretor do Instituto de economia política, reitor e presidente, função que ocupa até hoje. Em 1994, foi apresentado pelo primeiro governo de Silvio Berlusconi para o cargo de Comissário Europeu ao Presidente da Comissão Europeia, Jacques Santer, que lhe confiou o Mercado Interno, Serviços Financeiros, Fiscalidade e União Aduaneira.
Em 1999, o governo de esquerda de Massimo D''Alema o manteve no mesmo cargo. No mesmo ano, recebeu do Presidente, o seu compatriota Romano Prodi, a cobiçada pasta da Competição. Fortaleceu desta maneira, sua imagem como homem acima de partidos. Sob seu comando, a Comissão reforçou suas atividades antitruste. Mario Monti moldou à sua imagem de comissário duro nos negócios e "impermeável as pressões".
Independente de seu interlocutor, Mario Monti "não gosta quando há regras, de ter a impressão que elas estão em curto-circuito", assegura uma pessoas próxima. O comissário é um "Cardeal", "alguém muito difícil de penetrar". Muito amistoso, este homem casado e pai de duas crianças permanece sempre firme em seus propósitos. "Com palavras muito educadas, ele envia qualquer um para a Inquisição, se considerar justo e necessário", comentou essa fonte, embora reconheça a competência do doutor em economia.
Em um artigo de fevereiro de 2000 intitulado "Super Mario", o The Economist apresentou Mario como "um dos mais poderosos burocratas europeus, que prefere a persuasão ao invés da polêmica". "Ele tem um ar de autoridade que mesmo a calvície não ousa desafiar", brincou o semanário britânico em alusão ao seu abudante cabelo. No final de sua estada em Bruxelas, Monti voltou a suas atividades acadêmicas e editoriais no jornal de referência na Itália, Corriere della Sera.
Berlusconi sugere alternância durante campanha para as eleições parlamentares de 2008: agora, sem resposta à crise financeira e na esteira de escândalos pessoais, Il Cavaliere renuncia e encerra seu terceiro mandato de premiê
Foto: Getty Images
Homem passa por pintura representando Berlusconi como Napoleão Bonaparte
Foto: Reuters
Berlusconi reage durante visita ao Grande Salão do Povo, na China, em 2008; na Itália, a sua coalizaçã do Povo da Liberdade não foi suficente para unir a Itália contra a crise
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Pôster de Berlusconi, então candidato, é rasgado no centro de Roma, em 2006; o Cavaliere retornaria dois anos mais tarde, em 2008
Foto: Getty Images
Homem exibe cópia da capa da revista britânica The Economist durante campanha do líder da coalição de centro-esquerda, Romano Prodi
Foto: Getty Images
Bento XVI recebe Berlusconi no Vaticano, em 2005, no primeiro encontro do então recém-eleito Papa com o premiê italiano; terceiro mandato foi marcado pelos escândalos sexuais do premiê
Foto: Getty Images
Em 2004, Berlusconi discursa pela celebração dos 10 anos de sua entrada na política italiana pelo seu partido 'Forza Italia'; sua subida em 1994 ao poder em Roma tinha como mote justamente a luta contra a corrupção
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Berlusconi é recepcionado pelo presidente americano George W. Bush, em 2003, no Texas. Berlusconi estava então no seu segundo mandato de primeiro-ministro
Foto: Getty Images
Berlusconi é escoltado pela polícia após ser agredido em Milão, em 2009; indignação das ruas demorou para encontrar repercussão no Parlamento, onde o permiê enfrentou e se saiu vitorioso em inúmeros votos de confiança
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Berlusconi deixa o hospital de San Raffaele, após o ataque em Milão; o premiê se recuperava para mais dois anos de governo, até a crise atual
Foto: Reuters
O premiê italiano gesticula durante encontro político em Roma, em 2011; empresário de caras e bocas, Berlusconi personificava imagem sucesso que superou meses de escândalos
Foto: Reuters
Berlusconi se concentra durante debate na Câmara Baixa do Parlamento de Roma, em 2011
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Berlusconi sorri ao lado de Muammar Kadafi, no aeroporto romano de Ciampino, em 2009; proximidade do ex-líder líbio era um dos pontos mais polêmicos da política internacional italiana sob Berlusconi
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Berlusconi sorri na chegada para encontro do G8 en Roma, em 2008; situação hoje da Itália é das mais frágeis dentro das principais economias do planeta
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O presidente russo, Vladimir Putin, ri com Berlusconi durante janta informal na residência oficial de Zavidovo, na periferia de Moscou, em 2003
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Acompanhado pelo olhar observador de Franco Frattini, ministro do Exterior, Il Cavaliere faz indagação à imprensa no fim de cúpula de líders da União Europeia
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Berlusconi tapa o rosto após encontro com líderes europeus em Bruxelas, em 2008; pressionado, o premiê não foi capaz de unir Itália para superar a crise
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Obama, Berlusconi e Medvedev - respectivamente os líderes de EUA, Itália e Rússia - posam para foto durante encontro do G20, no leste de Londres, em 2009
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Galeria de Milão expõe a obra "Silvio e Ruby", feita pelo artista Dodi Reifenberg a partir de sacos plásticos e fitas adesivas, em homenagem ao premiê e sua suposta amante marroquina, em 2011
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Os líderes da Espanha, José Zapatero, e do Reino Unido, Gordon Brown, acompanham Berlusconi cúpula internacional em Gaza, em 2009
Foto: Getty Images
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