Bélgica: greve nacional de três dias contra reformas e aumento de impostos promete parar país
Começou nesta segunda-feira (24) na Bélgica uma greve nacional de três dias, organizada pelos principais sindicatos do país. A mobilização promete paralisar transportes, serviços públicos e outros setores da economia, em protesto contra as reformas da previdência e o aumento de impostos propostos pelo governo.
Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas
O primeiro-ministro Bart De Wever, que assumiu o cargo em fevereiro, planeja mudanças na previdência social, com cortes para quem se aposenta antecipadamente, além do aumento do IVA (imposto sobre consumo de bens e mercadorias), atualmente fixado em 21%. Durante a madrugada, o governo belga chegou a um acordo sobre um plano plurianual de economia orçamentária, que prevê novas fontes de receita, principalmente por meio da elevação de impostos sobre movimentações no mercado financeiro e do aumento do IVA sobre determinados produtos.
A Bélgica já é conhecida por suas altas cargas tributárias, e as medidas de austeridade vêm provocando manifestações recorrentes contra o governo de centro-direita. Em junho, o parlamento aprovou limites para o tempo de recebimento do seguro-desemprego, mudança considerada emblemática em um país que historicamente não impunha restrições à duração do benefício.
Os sindicatos denunciam o que chamam de "desmonte social", com perda de direitos trabalhistas, e reivindicam, entre outras medidas, a criação de impostos sobre grandes fortunas e empresas de tecnologia.
Primeiros impactos
Já no primeiro dia, a greve provocou fortes transtornos no transporte público. Em Bruxelas, metrôs, ônibus e bondes operam de forma limitada, com várias linhas suspensas. Situação semelhante ocorre em outras regiões do país.
Os trens intermunicipais reduziram serviços desde a noite de domingo, enquanto os internacionais operam parcialmente, com cancelamentos e ajustes de horários.
Na terça-feira (25), a paralisação se estende aos serviços públicos e ao setor da educação, com professores aderindo em protesto contra as medidas de austeridade. A mobilização deve continuar também na quarta-feira (26), quando está prevista a greve geral, abrangendo todos os setores.
Para esse dia, todos os voos com partida do Aeroporto de Bruxelas foram cancelados, e as chegadas também podem ser afetadas, causando impactos significativos na mobilidade e no transporte aéreo.
Segundo a Federação das Empresas da Valônia, região sul da Bélgica, a greve deve gerar perdas de cerca de € 300 milhões ao longo dos três dias. A entidade alerta que a repetição de greves sucessivas pode abalar a confiança de investidores estrangeiros, aumentando a preocupação com a estabilidade econômica do país.