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Após segunda noite de toque de recolher, premiê da França se reúne com líderes de sindicatos

O governo francês tenta retomar o controle após os episódios de violência e saques registrados no último fim de semana, à margem das manifestações contra o alto custo de vida. Depois de uma segunda noite sob toque de recolher, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu se reúne nesta quarta-feira (21) com líderes das principais centrais sindicais para discutir medidas de segurança e responder às reivindicações dos estudantes do ensino médio.

21 out 2026 - 06h52
(atualizado às 07h20)
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Resumo
Após duas noites de toque de recolher e forte esquema de segurança devido a violentos protestos que deixaram feridos e quase 2.400 detidos na França, o premiê Sébastien Lecornu reuniu-se com centrais sindicais. O governo busca assegurar o direito à manifestação pacífica e debater demandas sociais sobre custo de vida, salários e educação. Enquanto os sindicatos condenam a repressão policial e mantêm novas convocações, o premiê prometeu medidas para a crise no início da próxima semana.

Pela segunda noite consecutiva, autoridades locais mantiveram toques de recolher em várias cidades da França. Em Marselha, no sul do país, a medida entrou em vigor às 20h pelo horário de terça-feira (20) e deve ser mantida até sexta-feira (23). Já em Toulouse, no sudoeste francês, um toque de recolher noturno está previsto até domingo (25) na região central da cidade.

Policial vigia região do Fórum des Halles, no centro de Paris, durante a segunda noite de toque de recolher, em 20 de outubro de 2026.
Policial vigia região do Fórum des Halles, no centro de Paris, durante a segunda noite de toque de recolher, em 20 de outubro de 2026.
Foto: REUTERS - Abdul Saboor / RFI

Em Paris, as regiões do Fórum Les Halles e da Praça da República, no centro da capital francesa, permaneceram praticamente desertas durante a madrugada. Desde o início da noite, um forte esquema de segurança foi mobilizado, com policiais e gendarmes abordando os pedestres, orientados a deixar as ruas. Um helicóptero sobrevoou a região com os holofotes acesos, reforçando a vigilância.

"Liberdade de manifestação"

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, recebe nesta quarta-feira os líderes das cinco principais centrais sindicais francesas. O objetivo é discutir, entre outros temas, os meios de garantir "a indispensável liberdade de manifestação". Segundo uma carta enviada pelo chefe de governo às organizações, este princípio está sendo desrespeitado por aqueles que perpetram "atos inaceitáveis".

O ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, também participará da reunião. O encontro ocorre em meio aos preparativos para novas mobilizações convocadas para sábado (24) pelo movimento dos coletes amarelos e estudantes. Outra jornada de protestos está prevista para o dia 5 de novembro, convocada pelas centrais sindicais.

Líderes sindicalistas lamentaram a ausência de representantes dos estudantes do ensino médio na reunião convocada pelo primeiro-ministro. No encontro, Sébastien Lecornu também pretende discutir as respostas do governo às reivindicações dos secundaristas, que incluem mudanças nos horários das aulas, a substituição de professores ausentes, a reforma de prédios escolares e a plataforma de acesso ao ensino superior Parcoursup, alvo frequente de críticas.

Em entrevista à rádio RTL nesta manhã, a secretária-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Sophie Binet, afirmou que é do interesse do premiê "atender às reivindicações" dos jovens e dos sindicatos, ressaltando a existência de "uma revolta legítima e imensa" na França. "Ele [Lecornu] precisa sair de seu bunker, precisa ouvir a enorme mobilização social, precisa responder às reivindicações, e isso começa por receber os jovens e ouvir suas demandas", declarou.

O chefe de governo prometeu apresentar as primeiras medidas voltadas aos estudantes no início da próxima semana. Segundo Lecornu, as propostas poderão ser incorporadas ao debate orçamentário no Parlamento.

Caos à margem dos protestos

A França foi sacudida por uma onda de violência e saques à margem das manifestações do último sábado (17) cujo objetivo era protestar contra o alto custo de vida. Cerca de três mil lojas foram depredadas ou roubadas. Prédios públicos foram invadidos e incediados, como a prefeitura de Limoges, no centro do país. 

No domingo (18), um balanço do governo apontava para 2.397 detenções em todo o país, além de 997 policiais e gendarmes feridos, dos quais sete em estado grave. Cerca de 20 civis ficaram gravemente feridos em um manifestante morreu após uma parada cardiorrespiratória na marcha de Paris.

Diante dos incidentes, as reivindicações dos manifestantes ficaram em segundo plano. Os estudantes do ensino médio, exigem € 100 bilhões para a melhora das infraestruturas das escolas e o fim da plataforma de seleção para os estabelecimentos de educação superior, considerada falha. Já as centrais sindicais pedem aumentos de salários e a revisão do orçamento do governo para 2027, considerado prejudicial para os serviços públicos.

Lecornu prometeu que na reunião não falaria "apenas" de ordem pública e que faria "uma análise bem detalhada" sobre o orçamento, "a questão do poder de compra" e os combustíveis — cujos preços estão disparando —, mencionando "reflexões" que poderiam ser retomadas "ao final da discussão orçamentária", em dezembro.

Violência nos protestos

Sobre a questão da segurança, as centrais sindicais pretendem abordar a forte repressão policial e destacam sua experiência na organização e proteção dos manifestantes durante os atos. Os representantes afirmam que os serviços de ordem montados pelos sindicatos ajudam a evitar a infiltração de grupos violentos nos cortejos.

"Não se responde a uma mobilização social com repressão. Responde-se a uma mobilização social com respostas políticas às reivindicações", ressaltou Sophie Binet, ao chegar para a reunião com o premiê nesta manhã.

O presidente da central CFTC, Cyril Chabanier, afirma que os sindicatos conseguem impedir a presença de grupos radicais, incluindo os chamados black blocs, dentro de suas manifestações. Ele reconheceu, porém, que as organizações não têm controle sobre pessoas que atuam em ruas próximas e podem cometer atos de vandalismo. Apesar dos riscos, Chabanier considerou "importante" manter a convocação para a mobilização marcada para 5 de novembro.

Na mesma linha, o secretário-geral da Unsa, Laurent Escure, defendeu a continuidade dos protestos. Segundo ele, os sindicatos não podem permitir que a violência os prive da capacidade de oferecer uma saída pacífica para o descontentamento social.

RFI com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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