Criticado por viajar durante crise, Macron fecha acordos no Golfo para garantir abastecimento de diesel
Sob pressão na França após a onda de violência do fim de semana, Emmanuel Macron anunciou nesta terça-feira (20) ter garantido 200 mil toneladas adicionais de diesel para reduzir as tensões no país, durante uma viagem pelo Golfo fortemente criticada em seu país.
Apesar das críticas por viajar durante protestos internos, Emmanuel Macron garantiu no Golfo acordos para o fornecimento de 295 mil toneladas de diesel da Arábia Saudita, Emirados Árabes e Bahrein, cobrindo 10% do consumo francês e visando conter a alta de preços. Acompanhado pelo CEO da TotalEnergies, o presidente francês também negociou rotas marítimas para evitar o estreito de Ormuz, combustíveis com o Kuwait e acordos de defesa, apesar da instabilidade com as tensões entre EUA e Irã.
O presidente francês obteve compromissos de cerca de 100 mil toneladas de diesel por mês dos Emirados Árabes Unidos e outras 100 mil toneladas do Bahrein, onde foi recebido pelo rei Hamad bin Issa Al Khalifa.
"Estamos garantindo quantidades para um abastecimento direto e imediato, com um objetivo: que nossos compatriotas não fiquem sem nada e que façamos os preços baixarem", afirmou o Palácio do Eliseu.
O novo abastecimento irá se somar às 95 mil toneladas adicionais já garantidas junto à Arábia Saudita para outubro e novembro, e que Paris espera manter. Assim, a França dispõe agora de compromissos de fornecimento de 295 mil toneladas, o equivalente a pouco mais de 10% de seu consumo, segundo um conselheiro presidencial.
O volume corresponde a cerca de 2,25 milhões de barris e a 30% das importações mensais de produtos refinados. O mercado de diesel está sob pressão na França, um grande importador, onde o combustível registra a maior alta de preços nos postos.
O Kuwait, por sua vez, assumiu "compromissos muito claros" de fornecimento de diesel e querosene para os territórios franceses no oceano Índico, Mayotte e Reunião, por meio de Omã. A rota permite contornar o estreito de Ormuz, cujo tráfego está fortemente prejudicado desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, no fim de fevereiro.
"Tranquilizar os franceses"
A mais de 4 mil quilômetros da França, Macron, criticado por ter deixado o país em meio à crise provocada pelos episódios de violência e saques registrados em várias regiões durante manifestações pacíficas de estudantes e "coletes amarelos", procurou justificar sua viagem.
"Garantimos quantidades bastante significativas", afirmou um de seus conselheiros, sem conseguir estimar, por enquanto, o impacto dessas medidas sobre os preços, além dos estoques estratégicos que já foram liberados na França.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou em 12 de outubro a venda a preço de custo de 10 milhões de barris de diesel provenientes dessas reservas, com o objetivo de reduzir os preços nos postos entre 12 e 18 centavos de euro por litro a partir de 1º de novembro.
"Estamos principalmente em uma missão de garantir o abastecimento porque existe um risco. Temos um déficit de diesel porque somos um grande importador", afirmou Patrick Pouyanné, CEO da TotalEnergies, que acompanha o presidente na viagem.
"Isso vai tranquilizar os franceses. Não vamos ficar sem diesel em fevereiro", durante o inverno, acrescentou o executivo, cujo grupo deverá fechar os contratos com os operadores locais.
Especialistas, porém, consideram incerto o impacto dessas medidas, já que os países da região continuam sob ameaça de novos ataques iranianos caso as hostilidades entre Estados Unidos e Irã sejam retomadas, o que poderia prejudicar as exportações.
Contornar o estreito de Ormuz
"Há uma grande cautela por parte de nossos parceiros, que estão todos expostos de uma maneira ou de outra", reconheceu o Palácio do Eliseu, mencionando também o risco de a região permanecer por muito tempo em uma situação de "nem paz, nem guerra".
Também estão em andamento discussões com os países do Golfo para reduzir os custos do seguro marítimo e permitir que as empresas transportem maiores volumes de hidrocarbonetos pelo estreito de Ormuz a um custo menor, segundo o Eliseu.
Macron também discutiu com seus interlocutores, entre eles o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, meios de "proteger" as rotas marítimas e encontrar caminhos alternativos.
A construção de oleodutos e gasodutos para o oceano Índico, contornando Ormuz, e para o Mediterrâneo, passando pelo Egito e com conexão ao porto de Alexandria, também foi discutida, segundo a Presidência francesa.
Depois do Kuwait, dos Emirados Árabes Unidos e do Bahrein, Macron seguirá para o Catar, onde fará uma visita de Estado. Nenhum presidente francês visitava o Kuwait e o Bahrein desde Nicolas Sarkozy, em 2009.
Durante a viagem, também foram firmados acordos de defesa, entre eles um com os Emirados Árabes Unidos para o "compartilhamento de custos" do caça Rafale F5 para a frota do país. As discussões também envolveram possíveis vendas de armamentos.
Com AFP
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