Albânia: premiê acusa forças estrangeiras de alimentar onda de violência em Tirana
O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, denunciou nesta terça-feira (20) uma "guerra híbrida" por trás da onda de violência que há uma semana atinge a capital Tirana, onde estudantes protestam contra as más condições nas universidades, a corrupção e exigem a renúncia do chefe de governo.
O primeiro-ministro da Albânia acusou forças estrangeiras, como Rússia e Irã, além do movimento Antifa, de orquestrarem violentos protestos em Tirana para frear a entrada do país na União Europeia. Os atos contra o custo de vida e a violência policial deixaram cerca de 300 feridos e prédios públicos depredados. Em resposta, o governo planeja punir menores envolvidos, banir redes sociais para menores de 16 anos, bonificar policiais e rejeita dialogar com manifestantes violentos.
Professores universitários se juntaram aos estudantes nesta terça-feira em uma "marcha de solidariedade" contra a violência policial, enquanto Rama anunciou novas medidas contra manifestantes menores de idade envolvidos nos confrontos.
Rama anunciou, entre outras medidas, a redução da idade de responsabilidade penal, atualmente fixada em 18 anos, e a proibição das redes sociais para menores de 16 anos.
Segundo o primeiro-ministro, a violência registrada no país é "orquestrada por mãos treinadas para isso e alimentada do exterior". Rama já havia acusado "forças estrangeiras" de estarem por trás dos distúrbios e afirmou que os manifestantes violentos são "explorados" pelo movimento Antifa e por serviços de inteligência de outros países, citando Rússia e Irã.
O chefe do governo afirmou ainda que grupos estariam instrumentalizando preocupações reais da população, como o custo de vida, os preços dos imóveis e as perspectivas para o futuro, com o objetivo de "frear o progresso" da Albânia e bloquear suas negociações de adesão à União Europeia.
Os anúncios ocorrem um dia depois de novos confrontos em Tirana. Na segunda-feira à noite, manifestantes lançaram coquetéis molotov contra o ministério do Interior. A polícia antimotim respondeu com jatos de água, gás lacrimogêneo e balas de borracha, segundo jornalistas da AFP. Nas ruas do centro, manifestantes incendiaram lixeiras para dificultar o avanço das forças de segurança, que realizaram novas prisões.
Durante o dia, confrontos também ocorreram diante do ministério da Educação. Impedidos de se aproximar da sede do governo, cerca de 20 manifestantes depredaram portas e janelas de um tribunal de apelação antes de serem dispersados pela polícia.
"Continuaremos nosso movimento até a renúncia de Rama. Não somos criminosos. Queremos paz social e melhores condições de vida em nosso país", disse à AFP Leka Sira, estudante de 22 anos.
Centenas de feridos
A polícia prendeu 68 pessoas no domingo (18), das quais 22 serão processadas judicialmente, informou na segunda-feira (20) a polícia de Tirana. Cerca de 300 pessoas ficaram feridas nos confrontos registrados até agora, quase dois terços delas policiais, segundo o Ministério do Interior.
"Manifestar-se é um direito, enquanto a violência é um crime. Essa linha vermelha deve ser claramente traçada", afirmou Rama na segunda-feira. Ele se disse disposto ao "diálogo com todos, exceto com aqueles que recorrem à violência e os partidos políticos que se recusam a se dissociar deles".
O primeiro-ministro também anunciou um bônus de € 2.500 para "cada policial na linha de frente", afirmando que a polícia merece "o respeito e o apoio de todos". Segundo Rama, não houve "absolutamente nenhum uso desproporcional da força" e os policiais demonstraram "contenção exemplar".
Nos últimos dias, manifestantes incendiaram ou danificaram prédios de ministérios, tribunais, bancos e estabelecimentos comerciais. No domingo, uma delegacia de polícia e a entrada do ministério do Interior foram incendiadas.
Com AFP
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.