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Após escândalo, Assange denuncia "colapso" do direito nos EUA

8 jun 2013
11h16
atualizado às 13h07
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O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, denunciou na sexta-feira o "colapso catastrófico do direito" nos Estados Unidos, no momento em que Washington reage às sucessivas revelações sobre dois programas confidenciais de vigilância da Agência de Segurança Nacional (NSA).

<p>Assange (em foto de arquivo) acusou o governo dos Estados Unidos de tentar "lavar" suas atividades de espionagem</p>
Assange (em foto de arquivo) acusou o governo dos Estados Unidos de tentar "lavar" suas atividades de espionagem
Foto: AP

Em uma entrevista concedida à AFP na embaixada do Equador em Londres, onde está há quase um ano, Assange acusou o governo dos Estados Unidos de tentar "lavar" suas atividades de espionagem das comunicações telefônicas e da internet, reveladas na quinta-feira.

"O governo americano tem gravações telefônicas de todo o mundo nos Estados Unidos e a NSA as tira diariamente das mãos das operadoras em virtude de acordos confidenciais. Isto é o que se entende", disse o australiano de 41 anos.

O primeiro programa envolve a coleta, desde 2006, dos dados das ligações telefônicas feitas nos Estados Unidos pela operadora Verizon, e possivelmente outras, e o segundo, denominado PRISM, tem como objetivo interceptar as comunicações de internautas estrangeiros fora dos Estados Unidos em nove grandes redes sociais, entre elas o Facebook.

Na sexta-feira, o presidente Barack Obama defendeu a legalidade dos programas, alegando que era necessário um "compromisso" entre a proteção da privacidade e as exigências da luta contra o terrorismo.

Sobre a vigilância de jornalistas e personalidades por Washington, Assange, cujo site provocou a revolta do governo dos Estados Unidos com a publicação de centenas de milhares de telegramas diplomáticos e arquivos confidenciais sobre as guerras no Iraque e Afeganistão, lamentou o "colapso catastrófico do direito" americano.

Assange manifestou preocupação com a fonte que forneceu as informações sobre o amplo programa de espionagem americano na internet, que segundo ele pode acabar na mesma situação que Bradley Manning. Manning está sendo julgado pelo vazamento de milhares de documentos secretos para o WikiLeaks.

"Nós nos perguntamos se a pessoa que revelou essa informação - e as que estão prestes a vir à tona - não estará exatamente na mesma posição que Bradley Manning hoje", disse Julian Assange à emissora de televisão americana CBS.

O soldado Bradley Manning está no início de seu julgamento em uma corte marcial, sob acusação de conluio com o inimigo. O ex-analista de inteligência no Iraque, que admitiu ter divulgado mais de 700 mil documentos militares e diplomáticos confidenciais pelo site WikiLeaks, pode ser condenado à prisão perpétua.

"As pessoas têm o direito de saber o que o governo faz em seu nome", defendeu Assange. "Isso não significa que cada detalhe deva ser tornado público, mas é preciso conhecer elementos suficientes para compreender o que realmente acontece", explicou.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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