Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

EUA: chefe de prisão no Tennessee renuncia após condenada sobreviver a injeções letais

O diretor do sistema penitenciário do Tennessee, Frank Strada, renunciou ao cargo após a execução malsucedida de uma condenada, Christa Pike, que sobreviveu a duas injeções letais. Em comunicado enviado à imprensa, o governador do estado do sul dos Estados Unidos, Bill Lee, afirmou neste sábado (3) que ele deixará o cargo ainda neste mês.

3 out 2026 - 14h45
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
O chefe do sistema prisional do Tennessee renunciou após a execução fracassada de Christa Pike por injeção letal. A condenada sobreviveu e está hospitalizada sob respiração assistida. O governador suspendeu as execuções no estado e ordenou uma apuração independente, enquanto a defesa pede a conversão da pena em prisão perpétua. As suspeitas do erro recaem sobre falhas na aplicação intravenosa do sedativo pentobarbital ou no fornecimento de substâncias com defeito.

 Vincent Souriau, correspondente da RFI em Washington, com agências

Christa Pike chega ao Tribunal Criminal do Condado de Knox, no Tennessee, em 2007; condenada à morte, ela sobreviveu a duas injeções letais em tentativa de execução realizada pelo estado.
Christa Pike chega ao Tribunal Criminal do Condado de Knox, no Tennessee, em 2007; condenada à morte, ela sobreviveu a duas injeções letais em tentativa de execução realizada pelo estado.
Foto: © J. Miles Cary / Reuters / RFI

Bill Lee não faz referência direta à execução fracassada de Christa Pike na quarta-feira (30) à noite, que seria a primeira mulher executada em mais de 200 anos no estado. O governador anunciou na quinta-feira a suspensão das execuções no Tennessee e a abertura de uma investigação independente sobre o caso.

"A administração penitenciária cumpriu suas obrigações de acordo com o protocolo estabelecido", afirmou Strada, citado no comunicado. "Mesmo assim, renunciar é o melhor para os habitantes do Tennessee enquanto a investigação independente estiver em andamento", acrescentou, classificando a apuração como "necessária".

A administração penitenciária havia afirmado na madrugada de quinta-feira que seguiu rigorosamente o protocolo adotado desde a retomada das execuções no estado, em maio de 2025, após uma moratória de três anos. O próprio governador havia decretado essa suspensão devido a falhas na verificação da solução letal administrada a um condenado.

Christa Pike, de 50 anos, permanece inconsciente e sob respiração assistida em um hospital de Nashville desde a tentativa fracassada de execução, segundo documentos apresentados por seus advogados à Justiça do Tennessee na sexta-feira.

Eles pediram ao governador que converta a pena de morte em prisão perpétua. "Após mais de 20 anos em confinamento solitário e uma tentativa completa de executá-la por injeção letal, Christa é a pessoa que sofreu o castigo mais severo da história da pena de morte nos Estados Unidos", argumentou na quinta-feira um de seus advogados, Randy Spivey.

Bill Lee, que já havia recusado na segunda-feira converter sua pena, deu a entender anteriormente que não desistiu da execução. "Minha responsabilidade é cumprir as sentenças pronunciadas pelos júris do Tennessee, mesmo quando isso é difícil, e é exatamente isso que pretendemos fazer", declarou na quinta-feira.

Protocolo médico

Há inúmeras perguntas sem resposta sobre a tentativa de execução conduzida pelos serviços penitenciários do Tennessee. Seus advogados apresentaram vários recursos judiciais para preservar provas e reconstituir o protocolo médico aplicado.

Especialistas consultados pela defesa comparam o pentobarbital, usado nas execuções, à água sanitária. De acordo com outro advogado da defesa, Luke Ihnen, os médicos "se esforçaram para salvar a vida de Christa Pike" quando ela chegou ao hospital.

Duas hipóteses principais podem explicar o fracasso da execução. A primeira é o que os médicos chamam de extravasamento ou infiltração. Nesse caso, a infusão intravenosa falha, e o líquido se espalha pelos tecidos ao redor do ponto de aplicação, em vez de entrar na corrente sanguínea. Esse tipo de problema pode ocorrer quando os vasos sanguíneos do paciente são difíceis de acessar, o que era o caso de Christa Pike, que sofria de uma doença hematológica.

Os advogados apontaram a presença de bolhas e queimaduras em seu braço esquerdo, o que reforçaria essa hipótese. Segundo a defesa, foram necessárias ao menos sete tentativas de introdução da agulha.

A segunda possibilidade é o uso de um medicamento vencido ou defeituoso. O Tennessee utiliza pentobarbital para executar condenados, um sedativo potente que paralisa a atividade elétrica do cérebro e, em doses letais, provoca parada cardiorrespiratória.

No entanto, o sistema penitenciário não pode adquiri-lo diretamente no mercado e recorre à produção por laboratórios especializados. Alguns especialistas não descartam a possibilidade de um erro na composição da substância.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra