Itália arquiva trecho de inquérito sobre atentados que mataram Falcone e Borsellino
Apuração debruçava-se sobre papel de um dossiê de contratos públicos
A Justiça italiana arquivou uma frente da investigação sobre os atentados de 1992 que mataram os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, a qual apurava o papel de um dossiê de licitações nos crimes da Cosa Nostra. Contudo, segue aberta a apuração contra os ex-magistrados Giuseppe Pignatone e Gioacchino Natoli por favorecimento à máfia. Suspeita-se que omissões no caso tenham acelerado a morte de Borsellino, temido pela cúpula mafiosa por apurar fraudes em contratos públicos.
O Juiz de Instrução Preliminar (GIP) de Caltanissetta, na Sicília, determinou neste sábado (3) o arquivamento de uma das frentes de investigação sobre os massacres de Capaci e da Via D'Amelio, atentados perpetrados em 1992 que vitimaram os juízes Giovanni Falcone, Francesca Morvillo e Paolo Borsellino, além dos agentes de suas equipes de escolta.
A apuração em questão debruçava-se sobre o papel do dossiê "Máfia e Licitações" como um dos possíveis motivos para a execução dos atentados pela Cosa Nostra.
A Procuradoria de Caltanissetta já havia solicitado o encerramento deste trecho do caso em abril. Contudo, a investigação paralela por favorecimento agravado à máfia permanece aberta e atinge os ex-magistrados Giuseppe Pignatone e Gioacchino Natoli.
Nessa frente remanescente, os investigadores apuram se houve omissão deliberada na condução do relatório sobre contratos públicos para favorecer empresários ligados ao crime organizado.
Segundo a tese dos procuradores, esse contexto de interferência teria acelerado a decisão da alta cúpula mafiosa de assassinar Borsellino.
De acordo com a acusação, o magistrado teria sido executado diante do receio da Cosa Nostra de que ele aprofundasse as investigações sobre a infiltração mafiosa em grandes contratos.
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