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EUA anunciam ter 'interceptado' petroleiro com bandeira russa vindo da Venezuela no Atlântico Norte

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (7) a captura e controle de um navio-tanque de bandeira russa no Atlântico Norte, no que representa um novo foco de tensão nas relações com Moscou e uma escalada nas ações de Washington contra embarcações ligadas, segundo autoridades norte-americanas, ao comércio de petróleo da Venezuela, sob sanções. O navio, originalmente chamado Bella 1, foi perseguido por semanas pelo Atlântico após tentar driblar o bloqueio.

7 jan 2026 - 12h51
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O comando militar dos EUA na Europa (European Command) publicou nas redes sociais que o navio foi apreendido no Atlântico Norte depois de ter sido monitorado pelo navio da guarda-costeira USCGC Munro. Segundo os EUA, "o bloqueio ao petróleo sancionado e ilícito permanece em vigor — em qualquer lugar do mundo", afirmou o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, em um comunicado.

Foto ilustrativa: helicóptero militar norte-americano sobrevoa navio interceptado pela Guarda Costeira dos Estados Unidos a leste de Barbados, no mar do Caribe, em 20 de dezembro de 2025. DHS/Documento fornecido pela REUTERS.
Foto ilustrativa: helicóptero militar norte-americano sobrevoa navio interceptado pela Guarda Costeira dos Estados Unidos a leste de Barbados, no mar do Caribe, em 20 de dezembro de 2025. DHS/Documento fornecido pela REUTERS.
Foto: © Department of Homeland Security via Reuters / RFI

Sob ordem judicial de um tribunal federal dos EUA, forças norte-americanas — incluindo a Guarda Costeira e a atuação coordenada dos ministérios da Justiça, Segurança Interna e Defesa — abordaram e tomaram o controle da embarcação por violação das sanções norte-americanas.

Rebatizado com bandeira russa

O navio havia fugido no final de dezembro ao tentar entrar na Venezuela, parte de uma estratégia de Washington para bloquear exportações de petróleo venezuelano e pressionar o regime de Nicolás Maduro. Durante sua fuga, o Bella 1 desligou seu sistema de identificação automática, alterou seu nome para Marinera e, segundo registros de rastreamento marítimo, passou a navegar sob bandeira russa enquanto cruzava o Atlântico em águas internacionais. 

Antes mesmo da apreensão, a Rússia demonstrou preocupação com a perseguição norte-americana, afirmando que o navio navegava "sob a bandeira da Federação Russa e em total conformidade com as normas do direito marítimo internacional", e criticou a atenção "desproporcional" dada pelo comando militar dos EUA e forças da OTAN, segundo a imprensa russa. 

"De acordo com as disposições da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, em alto-mar vigora o regime de liberdade de navegação, e nenhum Estado tem o direito de empregar a força contra navios devidamente registrados sob a jurisdição de outros Estados", declarou o Ministério dos Transportes da Rússia nesta quarta-feira (7).

Ele acrescentou que o Marinera havia obtido em 24 de dezembro uma "autorização provisória" para navegar sob bandeira russa e que, quando as forças navais norte-americanas subiram a bordo, "a comunicação com o navio foi perdida".

Trump vai controlar comércio de petróleo "por tempo indeterminado"

Autoridades norte-americanas dizem que o navio estava sob sanção desde 2024 por sua suposta ligação com transporte de petróleo "ilícito" relacionado a empresas ligadas ao Irã e ao grupo libanês Hezbollah, apoiado por Teerã, além de sua conexão com redes de comércio de petróleo envolvendo a Venezuela.

A perseguição do Marinera começou enquanto os EUA mantêm um bloqueio naval imposto ao redor da Venezuela para impedir a movimentação de petroleiros sancionados em direção ao país ou a partir dele, uma política que tem se intensificado nos últimos meses e incluído tentativas de interdição no Caribe.

O episódio ocorre em meio a um momento de grande tensão militar e diplomática envolvendo os Estados Unidos, a Rússia e a Venezuela, com aspectos que ampliam as preocupações sobre uma nova fase de competição estratégica entre grandes potências, especialmente no controle de rotas marítimas e recursos energéticos.

Washington declarou nesta quarta que vai controlar por um período "indefinido" as vendas de petróleo venezuelano, segundo declarações do ministro da Energia de Donald Trump.

Repercussões e possíveis consequências

A ação norte-americana foi conduzida longe das águas territoriais dos EUA, no Atlântico Norte, e contou com apoio de meios de vigilância aérea e marítima. Embora não tenha havido confronto direto relatado com unidades russas, a presença prévia de embarcações de guerra russas nas proximidades aumentou a carga política da operação.

Especialistas consideram que o episódio pode intensificar as tensões entre Washington e Moscou, especialmente em um momento em que a política de sanções e medidas unilaterais norte-americanas se expande para além das fronteiras do hemisfério ocidental.

A apreensão do navio-tanque também ressalta a complexidade das sanções internacionais sobre comércio de petróleo e o uso de bandeiras e esquemas para tentar contornar restrições legais.

Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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