EUA anunciam ter 'interceptado' petroleiro com bandeira russa vindo da Venezuela no Atlântico Norte
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (7) a captura e controle de um navio-tanque de bandeira russa no Atlântico Norte, no que representa um novo foco de tensão nas relações com Moscou e uma escalada nas ações de Washington contra embarcações ligadas, segundo autoridades norte-americanas, ao comércio de petróleo da Venezuela, sob sanções. O navio, originalmente chamado Bella 1, foi perseguido por semanas pelo Atlântico após tentar driblar o bloqueio.
O comando militar dos EUA na Europa (European Command) publicou nas redes sociais que o navio foi apreendido no Atlântico Norte depois de ter sido monitorado pelo navio da guarda-costeira USCGC Munro. Segundo os EUA, "o bloqueio ao petróleo sancionado e ilícito permanece em vigor — em qualquer lugar do mundo", afirmou o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, em um comunicado.
Sob ordem judicial de um tribunal federal dos EUA, forças norte-americanas — incluindo a Guarda Costeira e a atuação coordenada dos ministérios da Justiça, Segurança Interna e Defesa — abordaram e tomaram o controle da embarcação por violação das sanções norte-americanas.
Rebatizado com bandeira russa
O navio havia fugido no final de dezembro ao tentar entrar na Venezuela, parte de uma estratégia de Washington para bloquear exportações de petróleo venezuelano e pressionar o regime de Nicolás Maduro. Durante sua fuga, o Bella 1 desligou seu sistema de identificação automática, alterou seu nome para Marinera e, segundo registros de rastreamento marítimo, passou a navegar sob bandeira russa enquanto cruzava o Atlântico em águas internacionais.
Antes mesmo da apreensão, a Rússia demonstrou preocupação com a perseguição norte-americana, afirmando que o navio navegava "sob a bandeira da Federação Russa e em total conformidade com as normas do direito marítimo internacional", e criticou a atenção "desproporcional" dada pelo comando militar dos EUA e forças da OTAN, segundo a imprensa russa.
"De acordo com as disposições da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, em alto-mar vigora o regime de liberdade de navegação, e nenhum Estado tem o direito de empregar a força contra navios devidamente registrados sob a jurisdição de outros Estados", declarou o Ministério dos Transportes da Rússia nesta quarta-feira (7).
Ele acrescentou que o Marinera havia obtido em 24 de dezembro uma "autorização provisória" para navegar sob bandeira russa e que, quando as forças navais norte-americanas subiram a bordo, "a comunicação com o navio foi perdida".
Trump vai controlar comércio de petróleo "por tempo indeterminado"
Autoridades norte-americanas dizem que o navio estava sob sanção desde 2024 por sua suposta ligação com transporte de petróleo "ilícito" relacionado a empresas ligadas ao Irã e ao grupo libanês Hezbollah, apoiado por Teerã, além de sua conexão com redes de comércio de petróleo envolvendo a Venezuela.
A perseguição do Marinera começou enquanto os EUA mantêm um bloqueio naval imposto ao redor da Venezuela para impedir a movimentação de petroleiros sancionados em direção ao país ou a partir dele, uma política que tem se intensificado nos últimos meses e incluído tentativas de interdição no Caribe.
O episódio ocorre em meio a um momento de grande tensão militar e diplomática envolvendo os Estados Unidos, a Rússia e a Venezuela, com aspectos que ampliam as preocupações sobre uma nova fase de competição estratégica entre grandes potências, especialmente no controle de rotas marítimas e recursos energéticos.
Washington declarou nesta quarta que vai controlar por um período "indefinido" as vendas de petróleo venezuelano, segundo declarações do ministro da Energia de Donald Trump.
Repercussões e possíveis consequências
A ação norte-americana foi conduzida longe das águas territoriais dos EUA, no Atlântico Norte, e contou com apoio de meios de vigilância aérea e marítima. Embora não tenha havido confronto direto relatado com unidades russas, a presença prévia de embarcações de guerra russas nas proximidades aumentou a carga política da operação.
Especialistas consideram que o episódio pode intensificar as tensões entre Washington e Moscou, especialmente em um momento em que a política de sanções e medidas unilaterais norte-americanas se expande para além das fronteiras do hemisfério ocidental.
A apreensão do navio-tanque também ressalta a complexidade das sanções internacionais sobre comércio de petróleo e o uso de bandeiras e esquemas para tentar contornar restrições legais.
Com agências