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Estados Unidos

Tentativa de fuga não surpreende amigos de capitão americano

11 abr 2009 - 14h39
(atualizado às 19h32)
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SERGE F. KOVALESKI e ABBY GOODNOUGH

Do New York Times


No mar ele é intenso e decidido. Por isso, quando o capitão Richard Phillips tentou escapar de seus seqüestradores piratas na sexta-feira, pulando do lento bote salva-vidas, alguns de seus amigos mais próximos nem chegaram a estranhar.

Karen Williams (esq.) e Carol Coggio prestam homenagens ao capitão Richard Phillips
Karen Williams (esq.) e Carol Coggio prestam homenagens ao capitão Richard Phillips
Foto: The New York Times

Mas em casa, disseram Wakefield e outros, Phillips, 53 anos, é um homem normal que idolatra os times de Boston, joga basquete na Associação de Jovens Cristãos, joga golfe com aposentados e fielmente compra bolinhos para o brunch de domingo com sua família. Quando ele está longe, desbravando as perigosas águas do oceano como capitão de um navio mercantil, a imagem que fica entre seus vizinhos é de Phillips placidamente dirigindo seu cortador de grama.

Agora, ele está no centro de um incidente internacional extraordinário. "Quando ele fez aquele mergulho hoje, não me surpreendeu em nada", disse Peter Wakefield, que cresceu com Phillips nos arredores de Boston e o visitou no mês passado. "Ele tem uma intuição boa, e é um cara muito determinado."

Há algumas semanas, Phillips encerrava três meses de inatividade com diversões rotineiras. Ele praticou snowboard durante a visita de Wakefield, completou grupos para um torneio universitário de basquete e fez um calmo jantar de despedida com sua família antes de voltar para o mar. "Ele nunca gostou de grandes despedidas", disse Tom Coggio, cunhado de Phillips, que mora a algumas cidades de distância. "Para o Richard, é apenas um emprego."

Enquanto Phillips passava o terceiro dia como o único refém de piratas somalis, que atacaram seu navio de carga na quarta-feira, perto do Chifre da África, parentes e amigos em Underhill e New England falaram dos dois lados fortemente opostos de Phillips: o profissional, meticuloso e altamente competente; e o fora de serviço, afável e satisfeito em jogar basquete e fazer tarefas na casa.

"Ele era um homem diferente quando saía para o mar", disse Coggio na sexta-feira. "Ele era muito certinho." Phillips cresceu com sete irmãos e irmãs em Winchester, Massachusetts, uma cidade pequena onde seu pai era treinador de basquete no ensino médio. No time da universidade, ele jogou futebol, lacrosse e basquete, disse Donald Carey, vizinho de infância que se lembra de Phillips como modesto e ironicamente engraçado.

"Ele nunca fez alarde", disse Carey, que não vê Phillips há anos. "Se você fosse a um piquenique e se esquecesse de levar comida, ele lhe daria sua metade." Enquanto a família de Phillips se resguardava, na sexta-feira, o impasse perto da costa da Somália se intensificava com a chegada de reforços da Marinha americana. Houve ainda relatos de que os quatro piratas, desesperados para chegar à orla com seu prisioneiro, também chamaram mais embarcações e homens.

As autoridades francesas, por sua vez, disseram que haviam enviado forças para acabar com outro seqüestro pirata em outra parte da costa da Somália, uma das faixas de águas internacionais mais notoriamente sem lei. A operação deixou mortos um refém e dois piratas.

Autoridades da defesa americana até agora estiveram relutantes em tomar uma iniciativa tão agressiva para resgatar Phillips, que foi dominado quando os piratas seqüestraram seu navio cargueiro com bandeira dos EUA, o Maersk Alabama. A Marinha pediu ajuda a oficiais do FBI treinados em negociação com reféns.

A Reuters relatou sábado que outros piratas em um navio alemão seqüestrado estavam indo em direção ao bote salva-vidas para ajudar seus companheiros. Coggio, cuja irmã, Andrea, casou-se com Phillips em 1987 após se conhecerem em Boston, disse que Phillips minimizava os perigos de seu trabalho, mas às vezes falava das ferramentas que seu navio tinha para afastar piratas.

"Ele falou sobre buzinas de ar que explodiriam seu ouvido", disse Coggio, "ou mangueiras de incêndiocapazes de derrubar um homem". Wakefield disse que Phillips estava acostumado a trabalhar duro para conseguir o que queria. Ele dirigia um táxi em Boston para pagar a faculdade, disse Wakefield, primeiro na Universidade de Massachusetts e depois na Academia Marítima de Massachusetts, onde se formou em 1979. "Com oito filhos, os pais dele não podiam mandar todo mundo pra Harvard", disse. "Ele nunca ganhou nada; ele precisou trabalhar por tudo o que teve."

Tradução: Amy Traduções

The New York Times
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