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EUA, o país de imigrantes que vetou chineses por mais de 60 anos

22 mai 2013 06h04
| atualizado às 07h34
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Como demonstra o acalorado debate dos últimos dias sobre a reforma migratória nos Estados Unidos e apesar de ser um país de imigrantes, sua relação histórica com esta questão sempre foi complexa, sendo um de seus episódios mais obscuros o veto à imigração chinesa durante mais de 60 anos.

Por meio da lei de exclusão dos chineses, promulgada em 1882, a Casa Branca negou a entrada aos trabalhadores dessa procedência - atraídos então pela febre do ouro na Califórnia e pelas possibilidades de emprego na ferrovia -, alegando que "afundavam os salários" da mão-de-obra local.

Mantendo ainda o veto aos chineses, quatro décadas mais tarde, em 1924, a então recém consolidada potência mundial assentou as bases que regeriam o sistema migratório do século 20, ao estabelecer-se pela primeira vez um sistema de cotas para a quantidade de imigrantes de cada procedência que podiam chegar aos EUA.

Para isso, foi determinado que estas deviam representar "como máximo" 2% da população originária dessa procedência que já residia no país, o que estava pensado para assegurar a continuidade de uma maioria de raízes europeias na nação, ou seja, população branca e majoritariamente protestante.

Anos mais tarde, para responder à grande demanda de trabalhadores agrícolas durante os anos da Segunda Guerra Mundial, o Congresso dos EUA criou em 1942 o "Bracero Program" que permitiu e regulou a entrada de trabalhadores temporários para o campo procedentes do México.

Foi estabelecida assim uma prática de colaboração entre os países que se estende até os dia de hoje, quando os "braceros" - como são conhecidas no México as pessoas que fazem trabalhos não especializados por um dia e que emigram temporariamente a outro país - seguem chegando temporada após temporada ao campo americano.

Apenas em 1943, também em plena Segunda Guerra Mundial - na qual a China fez parte das potências aliadas junto com os EUA -, foi derrogada a lei de exclusão aos chineses, após 61 anos de vigência, e se abriram as portas legais do país aos imigrantes procedentes da nação asiática.

Dois anos mais tarde, em 1945, a guerra voltou a propiciar mudanças na política migratória dos EUA permitindo, através da lei das esposas de guerra, a entrada ao país das mulheres e filhos dos combatentes que retornavam da Europa e do Pacífico.

Esta fez com que, durante os três anos seguintes, mais de 100 mil cônjuges e crianças nascidas no exterior ingressassem nos Estados Unidos.

O sistema de cotas por países se manteve vigente até 1965 - quatro décadas após sua criação -, quando o democrata Lyndon B. Johnson determinou prioridade na emissão de vistos com base em aspectos como a profissão, a capacitação e os laços familiares com cidadãos americanos.

Mesmo assim, a data mais lembrada nos últimos dias, em pleno debate sobre a reforma migratória, é 1986, quando o presidente republicano Ronald Reagan realizou a primeira grande "anistia" aos imigrantes ilegais, fornecendo um caminho à cidadania para três milhões de imigrantes ilegais que residiam então nos EUA.

Com o mesmo ânimo que em 1986, a proposta atual de reforma do sistema migratório apresentada no Senado também inclui um caminho à cidadania para os 11 milhões de imigrantes ilegais que, calcula-se, vivem atualmente no país.

Já no século 21, os ataques terroristas em Nova York e Washington de 11 de setembro de 2001 representaram uma marcha à ré nos direitos dos imigrantes residentes nos EUA em prol da "segurança nacional", o que se traduziu na aprovação do chamado Ato Patriótico.

Desde então, a possibilidade de levar adiante uma nova reforma migratória que emende um sistema que muitos consideram "quebrado" vem planando sobre o debate político em Washington.

Em 2007, com o republicano George W. Bush na Casa Branca, foi apresentada uma proposta de reforma migratória integral que, apesar de contar com o apoio do próprio presidente, fracassou no Congresso.

O atual presidente, Barack Obama, assinou em 2012 a chamada Ação Diferida, que representa uma prorrogação de dois anos para aqueles jovens que entraram como imigrantes nos EUA junto com seus pais sendo menores de idade e que lhes protege temporariamente da deportação, à espera do que aconteça com a reforma migratória.

EFE   
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