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Estados Unidos

EUA: cidade exigiu leis mais rigorosas após incêndio em boate há 10 anos

Em fevereiro de 2003, West Warwick perdeu 100 jovens em uma tragédia parecida com a da Boate Kiss, em Santa Maria

27 fev 2013 - 14h50
(atualizado às 14h50)
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Um incêndio na boate The Station, na cidade americana de West Warwick, matou 100 jovens em 2003
Um incêndio na boate The Station, na cidade americana de West Warwick, matou 100 jovens em 2003
Foto: AFP

A experiência de West Warwick, em Rhode Island, nos Estados Unidos, pode servir de inspiração para Santa Maria (RS): há dez anos, a cidade dava os primeiros passos para superar o incêndio na boate The Station, que vitimou 100 jovens em fevereiro de 2003. Entre as iniciativas que foram tomadas, estão novas leis anti-incêndio e ações para melhorar a autoestima da comunidade.

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Dez anos separam os incêndios entre as boates Kiss e The Station, mas as semelhanças são surpreendentes. Em Rhode Island, o incêndio foi causado por um dispositivo de pirotecnia lançado pelo empresário da banda de rock “Great White”. O fogo se espalhou rapidamente pela espuma localizada no teto e nas paredes do local. Em cinco minutos, havia 100 vítimas e 230 feridos, a maioria formada por jovens universitários.

Logo depois do incidente, a comunidade local pressionou pela criação de uma comissão investigadora para apurar as causas do incêndio e avaliar as normas de segurança estaduais. Foi formado um grupo de 17 integrantes, que incluía secretários do estado, bombeiros, enfermeiras e empresários. E, num ato simbólico, a primeira reunião foi marcada para o dia 20 de março, exatamente um mês após a tragédia.

No decorrer de quatro meses, a comissão estadual ouviu depoimentos de especialistas, sobreviventes do incêndio e familiares das vítimas. O grupo não tinha poder legislativo, mas, com o resultado da investigação, pretendia pressionar por normas e fiscalização mais rígidas. "Eles podem esclarecer as causas do incêndio e apontar mudanças que podem ser necessárias na legislação estadual", explicou, na época, o jornal local Sun Journal.

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O resultado foi a legislação anti-incêndio mais rigorosa de todo o país, que exige a instalação de extintores de incêndio nas casas noturnas e proíbe shows de pirotecnia em locais fechados. Os estabelecimentos comerciais tiveram cinco anos para se adaptarem às novas normas. E a implementação das medidas agradou tanto à comunidade que o governador do Estado, Donald Carcieri, foi eleito para um segundo mandato em 2006.

Na mesma época, a Justiça decidiu responsabilizar criminalmente os donos da boate The Station e o empresário da banda Great White por homicídio involuntário. Em 2006, um dos donos, Michael Derderien, e o empresário, Daniel Biechele, receberam sentenças de 15 anos, sendo que cada um cumpriu quatro anos. E o outro dono, Jeffrey Derderian, recebeu sentença de dez anos, que cumpriu em liberdade.

Bolsas de estudo para ajudar a elevar autoestima

Um mês após o incêndio em Rhode Island, o periódico local Providence Journal ainda publicava obituários das vítimas. A edição do dia 20 de março de 2003 descreve Andrew Hoban, 22 anos, recém-formado em Ciência Política pela Universidade de Rhode Island: "trabalhava como corretor de imóveis. Era um jovem trabalhador e que gostava de jogar golfe".

Mark Kwolek, hoje com 33 anos, era amigo de Andrew e por pouco não foi à casa noturna naquela noite. "Eu estava com ele pouco tempo antes de ele ir para a boate. Eu tentei convencer ele a ir a outro lugar, mas o Andrew tinha que encontrar um cliente", lembra. A perda do amigo marcou Mark e grande parte da comunidade de West Warwick, cidade pequena onde quase todos conheciam alguém que estava na boate.

Para ajudar na superação da tragédia, Mark resolveu, junto com a família de Andrew, criar uma bolsa de estudos para jovens da cidade que tem os mesmos interesses de Andrew: basquete, golfe e voluntariado. "Desde 2003, nós já beneficiamos cerca de 30 jovens com US$ 4 mil para cada um", diz, orgulhoso. Para ele, é a melhor forma para lembrar as vítimas e melhorar a autoestima da comunidade.

Mark lembra do mês seguinte ao incêndio em Rhode Island: "a primeira semana foi surreal. Você está em choque. E um mês depois, você começa a se dar conta que a sua vida continua e que seu amigo não vai mais estar ali para te acompanhar". Ele afirma que, até hoje, alguns amigos não conseguem ficar em lugares lotados, e quando vão a alguma boate, já procuram a saída de emergência.

Incêndio na Boate Kiss

Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou mais de 230 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.

Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.

Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A intenção é oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.

Fonte: Especial para Terra
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