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Estados Unidos

Dez milhões mudaram própria classificação racial nos EUA

O maior grupo a modificar a raça foi o dos americanos que se identificaram como hispânicos ou "de outra raça" em 2000 e, dez anos mais tarde, se classificaram brancos

13 mai 2014 - 18h30
(atualizado às 18h40)
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<p>Identidade racial, em particular a hisp&acirc;nica, tem mudado com o tempo</p>
Identidade racial, em particular a hispânica, tem mudado com o tempo
Foto: BBC News Brasil

No decorrer de uma década, cerca de dez milhões de pessoas mudaram a forma como identificam sua própria raça ao preencher o formulário do censo nos Estados Unidos.

Esta foi a principal conclusão de um estudo que comparou as informações fornecidas por 168 milhões de pessoas aos censos realizados em 2000 e em 2010 no país.

Entre os grupos que mais modificaram suas respostas no formulário estão os hispânicos, segundo resultados preliminares do trabalho, apresentados em Boston durante a reunião anual da Population Association of America (PAA).

"Já sabíamos, por estudos menores, que a identidade racial hispânica, e a identidade racial de maneira geral, podem mudar com o tempo", disse à BBC a analista de estudos demográficos D'Vera Cohn, do centro de pesquisas Pew, em Washington.

Conceito fluido

Os autores do estudo - quatro pesquisadores do censo e a socióloga Carolyn Liebler, da Universidade de Minnesota, em Minneapolis - constataram que as modificações nas respostas se concentraram entre hispânicos, indígenas e ilhéus do Pacífico.

Outros grupos, por outro lado, se revelaram estáveis com o passar do tempo - por exemplo, os que se identificaram como brancos.

Liebler disse à BBC que o maior grupo a modificar sua categoria racial foi o dos americanos que se identificaram como hispânicos ou "de outra raça" em 2000, mas dez anos mais tarde, optaram pela categoria branco ou hispânico.

A socióloga explicou que o estudo é quantitativo e não explica os motivos por trás das mudanças, mas ela sugeriu que talvez uma das razões seja o fato de que a identidade pessoal evolui com o tempo.

Cohn, do centro Pew, sugeriu outras possíveis explicações: algumas pessoas podem ter descoberto que têm um antepassado hispânico, por exemplo.

Em outros casos, menores de idade cujos pais preencheram seus formulários no censo de 2000 podem, dez anos mais tarde, ter tomado suas próprias decisões a respeito de sua identidade racial.

Existem também situações em que há um imperativo prático: pertencer a um determinado grupo pode trazer benefícios quando uma pessoa tenta obter uma vaga na universidade, por exemplo.

Em essência, são decisões pessoais que refletem a complexidade de se determinar a raça de uma pessoa, disse Cohn.

Por exemplo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ao censo de 2010 que é negro. A mãe de Obama, no entanto, era branca.

Pergunta

Decisões pessoais, no entanto, só explicam em parte os resultados. A forma como a pergunta é feita também pode interferir na resposta.

Especialmente para a comunidade hispânica, as opções oferecidas no formulário do censo nem sempre correspondem à imagem que têm de si mesmos.

No questionário de 2010, por exemplo, foi perguntado primeiro se a pessoa era hispânica/latina ou de origem espanhola. Logo em seguida, em uma questão separada, perguntava-se a raça da pessoa. No sistema estatístico federal, ser hispânico é considerado uma origem étnica, mas não uma raça.

Amy O'Hara, diretora do Centro de Pesquisas do Escritório de Recenseamento dos EUA, disse à BBC que um dos fatores que podem ter contribuído para a mudança nas respostas dos hispânicos é que talvez eles "vejam a raça e a origem étnica como perguntas similares, enquanto nós estamos tentando obter as respostas separadamente".

Os hispânicos representam a grande maioria dos que preencheram o espaço "outra raça" no censo. Muitos escreveram que eram mexicanos, latinos, mexicano-americanos ou latino-americanos. Para boa parte da comunidade, o ponto de referência é seu país de origem.

Tudo isso torna o estudo importante, disse a analista do Pew D'Vera Cohn. Para ela, as alterações nas respostas convidam pesquisadores a serem mais cuidadosos ao analisar tendências dentro desses grupos.

Os autores, por sua vez, dizem que seu trabalho tem implicações importantes sobre teorias que discutem raça e identidade hispânica. E também são relevantes para estudos sobre grupos sociais e desigualdade.

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