Destino de macaco viciado em TV divide família nos EUA
Joyce Wadler
Como muitos casais de longa data, Carlie e Bob, que trabalham com resgate independente de animais no norte do Estado de Nova York e estão juntos há 21 anos, têm opiniões diferentes sobre uma grande questão em sua relação. No caso deles, essa questão é o babuíno hamadryas de sete anos chamado Higgins, que passa boa parte de suas noites assistindo a uma TV de alta definição em sua casa de macaco aquecida, geralmente de mãos dadas com Bob.
Carlie acha que é hora de enviar Higgins para uma reserva de babuínos, mas Bob quer mantê-lo em casa. "O fato é o seguinte", Carlie diz. "Acredito que as pessoas só deveriam ter animais de estimação que são domésticos. Bob acredita que vale tudo. Ele teria um leão se eu deixasse." Carlie falou TV de alta definição? "Sim", disse Carlie. "Só ganhei uma no Natal. Higgins tem uma já faz um ano. Ele é fanático por TV. Se esquecemos de desligá-la, ele fica sentado assistindo até as 3h.
"Seus favoritos são Os Pioneiros e Texas Ranger." Bob, que foi dono de animais selvagens toda a sua vida, admite que Higgins nem sempre foi um modelo de animal de estimação. Quando Higgins tinha três anos, ele dormia com o casal e geralmente acordava Bob de manhã escalando a cama e pulando sobre seu estômago. Em uma ocasião, eles começaram a brincar de luta e Higgins fincou suas - garras de aço - no escroto de Bob.
Bob considerou colocá-lo em um santuário, mas "sou muito apegado a ele", diz. Bob - que concordou em ser fotografado, mas disse que só falaria sob a condição de que seu sobrenome e o de Carlie, bem como sua cidade de residência, não fossem publicados, por medo do assédio de "pessoas mal-informadas" - não é o único humano que foi cativado por um primata inapropriado.
Na semana passada, os EUA ficaram perplexos com a história de Sandra Herold, uma viúva de 70 anos de Stamford, Connecticut, cujo chimpanzé de 14 anos e 90 kg, Travis, espancou terrivelmente uma amiga de sua dona, rasgando seu rosto.
Herold, cuja filha morreu em um acidente de carro, desenvolveu uma relação com o animal que foi além da dinâmica comum entre dono e animal de estimação. Ela se referia a Travis como seu filho, falava sobre sonecas e banhos com ele quando era pequeno e, em entrevista com Jeff Rossen no programa Today, mostrou seus desenhos que, como uma mãe, mantinha na porta da geladeira.
Não existem muitos donos privados de chimpanzés nos Estados Unidos - um censo conduzido para o Great Ape Project, um grupo de defesa, estima um número de cerca de 225 - mas existem milhares de primatas de estimação. A despeito do tamanho ou espécie dos primatas, as pessoas que os criam como animais de estimação têm uma maneira notavelmente consistente de cuidar deles.
Mesmo Bob, que condena o que considera um sentimentalismo irresponsável o fato de Herold ter permitido que um chimpanzé adulto passeasse livremente com tanta freqüência ("ela estava delirando", ele diz, "ela antropomorfizou o primata de um jeito que ele se tornou mais humano do que chimpanzé"), não consegue deixar de reconhecer a ligação singularmente forte.
"Ele é muito cativante", Bob diz. "Ele estende as mãos, olha para você com seus lindos olhos castanhos, e você se sente compelido a segurar suas mãos. "Adoraria dizer que ele me ama", Bob diz de forma escrupulosa. "Mas ele não pode." "Ele come uvas comigo", continuou. "Posso pegar da tigela dele. A menos que seja algo de que ele realmente goste."
O sentimento de Bob pode ter um pouco a ver, nesse caso e em muitos outros, com as circunstâncias nas quais ele conheceu o animal. Depois de pagar US$ 1,5 mil a um negociante em Missouri, Higgins chegou, com cerca de três meses de vida, usando fraldas e de mamadeira. Embora tivesse sua própria jaula, em seu próprio quarto, ele dormia freqüentemente na cama do casal. Bob trocava suas fraldas várias vezes ao dia, e costumava levá-lo para trabalhar em seu negócio de equipamentos de construção, escondendo-o sob sua camisa. Na volta, ele comprava sorvete para Higgins.
Então, quando Higgins fez três anos, os problemas começaram. Carlie, gerente de uma reserva que abriga um iaque, duas emas, jacarés e um camelo, considera Higgins amoroso. Mas quando ficava fora da jaula, ela diz, "ele era muito destrutivo."
"Moro em um sítio de 200 anos", Carlie disse. "De tanto pular para tentar sair da jaula, ele rachou o teto e as paredes. Ele arrancou todos os adornos dos móveis no meu quarto. Um dia, fui alimentá-lo e ele me puxou pelos cabelos e me jogou contra a jaula. Acabei no chão aos prantos, com muita dor. Acharam que minha retina havia sido descolada."
Bob foi mordido várias vezes por Higgins, que agora pesa 22,6 kg e tem dentes incisivos enormes. Uma vez, quando Bob estava levando Higgins de uma área cercada para sua jaula dentro de casa, o animal explodiu e os dois começaram a lutar tão violentamente que apesar de Bob estar usando uma luva com trama de aço, ele teve que pedir a Carlie seu rifle para atirar em Higgins. Ao invés disso, ela deu a Higgins um pedaço de pão, rapidamente neutralizando a briga.
Mas Bob aceita isso: um animal selvagem nunca será domesticado, ele diz. Higgins hoje vive em uma construção com aquecimento na propriedade, contendo uma jaula de 2,7 por 3,6 m e uma área ao ar livre para exercícios de 9,1 por 3,6 m e um teto de 2,4 m de altura. É preciso passar por duas portas com tranca para entrar na jaula de Higgins. Até mesmo Bob já não entra na jaula de Higgins com tanta freqüência.
Allen Hirsch e Benjamin
Allen Hirsch, um pintor de sucesso de Nova York, também construiu laços com seu macaco muito cedo. Benjamin, um mico de 12 anos entregue a Hirsch quando era um filhote doente e maltratado, é como "um humano primordial," ele disse. "Você reconhece algo muito humano em seu olhar, um certo entendimento, uma certa consciência."
Desde o início, Hirsch disse, foi uma relação que exigiu esforço e tempo. Depois de Benjamin arrancar um de seus próprios dedos infectados, Hirsch ficou com ele por quatro meses, raramente deixando seu lado. Visto que ter um macaco como animal de estimação é ilegal na cidade de Nova York, ele mantém Benjamin em sua casa de campo em Catskill, Nova York, onde um amigo cuida do animal. (O Estado de Nova York também proibiu macacos como animais de estimação há quatro anos, mas animais anteriores à lei como Benjamin ficaram isentos.)
Não importa se o fato de ter Benjamin o impediu de viajar tanto quanto antes. Hirsch já deu banho em Benjamin, dormiu com ele e o deixou brincar com sua filha, que tem quase a mesma idade do animal; ele vê o macaco como um membro da família. "Nunca o chamo de animal de estimação", Hirsch acrescenta. "Ele é uma criatura companheira da qual eu cuido."
April Truitt e resgate de primatas
Nos EUA, são as regulações locais e estaduais que determinam se é legal manter um macaco como animal de estimação, mas April Truitt, diretora-executiva do Primate Rescue Center, um abrigo nos arredores de Lexington, Kentucky, acredita que isso nunca é certo.
Um primata requer um comprometimento muito maior do que um gato ou cachorro - ou deveria - porque primatas são animais sociais que não podem ser deixados sozinhos por muito tempo e que vivem por décadas: babuínos vivem até 45 anos em cativeiro, chimpanzés entre 60 e 70 anos. Quando atingem a puberdade, primatas se tornam imprevisíveis e difíceis de se controlar. Um chimpanzé adulto tem sete vezes a força de um homem, Truitt diz, mas até mesmo um macaco de 10 kg tem reflexo e agilidade para dominar um homem.
Mais fundamentalmente, Truitt acredita, mesmo os menores macacos são animais selvagens que não pertencem aos lares de pessoas. Porém, muitas pessoas que desejam ter macacos são mal informadas e, ao verem um filhote de primata dócil, adorável e assustadoramente semelhante a bebês humanos, não conseguem resistir. Negociantes de animais, Truitt diz, sabem disso.
"A chave para a negociação é retirar esses animais da mãe no nascimento, colocá-los em fraldas e com uma mamadeira e vendê-los antes de começarem a depreciar - o que ocorre mais rápido do que com um Cadillac", Truitt diz. "Aos três anos, talvez cinco ou sete, eles atingem a adolescência e seus hormônios dizem a eles para fazer tudo menos seguir os comandos de humanos. Eles se interessam em dominar qualquer grupo social no qual se encontram. Se for um lar humano, eles geralmente vão atrás das crianças, depois dos adolescentes, da mãe e, quando chegam ao pai, geralmente recebemos um chamado."
Dave e Sandy Viguers e seus seis micos
Dave Viguers, 61 anos, engenheiro de software da IBM que comprou seu primeiro macaco há 17 anos, e sua esposa, Sandy, 62, não concordam com a filosofia absolutista de Truitt. Macacos pequenos nascidos em cativeiro, eles acreditam, podem ser ótimos animais de estimação - contanto que se dê a eles o que necessitam.
"Você não está adquirindo um meigo bebê macaco", afirma Sandy Viguers. ¿Você está assumindo 45 anos de desenvolvimento da psicologia de um macaco para evitar que você leve uma mordida ou arranhão, ou se encontre vivendo em um inferno."
O casal, que vive em um terreno de 30 hectares no centro do Texas, tem muito espaço para seus seis micos. Sua sala de estar, que tem poltronas e almofadas com estampas de macacos, também abriga uma jaula octogonal de 5,5 m² que leva a uma jaula ao ar livre de 1,3 m² com balanços e escorregadores e um teto de 7,3 metros. Eles também construíram uma casa de macacos de 46 m² dentro de sua própria residência, que dá para uma jaula ao ar livre.
E os Viguers, cujos filhos já são crescidos, parecem mesmo entender o compromisso e as responsabilidades inerentes ao que chamam de "a vida". "Sandy e eu não fomos a lugar nenhum juntos por muito tempo", Dave Viguers disse. "Então saímos e compramos um trailer de 2,7m², tiramos a mesa da cozinha e conseguimos espaço para as jaulas de todos. Vamos para a casa de um amigo em abril, e provavelmente haverá três ou quatro de nós com trailers levando nossos macacos, e descobriremos quem se dá melhor com quem. Os macacos vão visitar seus amigos."
Os Viguers também limpam as jaulas diariamente. Uma vez por semana, eles esfregam os chãos e os brinquedos. É como ter seis filhos que nunca crescem, ele disse. Embora os micos de cativeiro vivam de 40 a 50 anos, seu futuro está seguro. "Essa macacada toda é apadrinhada", conta Dave Viguers. "Se acontecer de nós dois morrermos, eles terão um lugar para ir."
Christine Bowers e Joey
Muitas pessoas acabam virando donas de primatas depois de resgatarem um animal doente, maltratado ou abandonado. Christine Bowers, 50 anos, que vive na pequena cidade de Cherry Valley, Illinois, gerencia uma empresa de estofamento de automóveis chamada Stitch in Time. Ela também resgata animais há 30 anos. Ela ouviu falar de um animal da espécie Macaca nigra, supostamente entre quatro e seis semanas de vida com intoxicação por salmonela, e viajou a Chicago para salvá-lo.
"O sujeito que estava com ele", ela diz, "era um negociante de animais que me falou, 'Ele provavelmente não vai sobreviver, mas faço um negócio ótimo para você: US$3,2 mil.'" Ela pagou? "Claro. O animal precisava de ajuda." O macaco, que ela batizou de Joey, "me recebeu como se fosse mãe dele," Bowers diz. "Ele era uma criaturinha que não queria nunca se separar de mim. "Li que aquela mulher" - Herold - "tomava banho com o chimpanzé dela. Quando Joey era pequeno, não conseguia deixá-lo para ir tomar banho. Ele engatinhava e entrava no chuveiro, não necessariamente para tomar banho, mas para ficar comigo."
Bowers fez camisas de flanela e jeans para Joey, e assinou o periódico Simian Society of America para aprender como cuidar do animal - e se surpreendeu com pessoas que colocavam anúncios para se livrar de seus macacos. Na época, ela ainda cuidava de um bebê adorável e não entendia o porquê daquilo.
"Eles são maravilhosos quando filhotes", ela diz. "Mas quando crescem, se tornam primatas. Eles não são criancinhas, são animais." Bowers percebeu que Joey era mesmo um animal em uma noite quando ele tinha seis anos e estava na frente de sua loja, de onde ele gostava de ver o tráfego.
"Ele tremeu e eu me aproximei e disse, 'Venha cá, bebê, você está com frio?' e ele explodiu", Bowers diz. "Ele começou a me morder e a gritar, mordendo todo lugar que conseguia tocar. Foi um pesadelo. Derrubamos móveis, eu o teria matado se pudesse. Mas ele era tão forte. Tentei sufocá-lo para ele parar. Lutamos não sei por quanto tempo. Estava tentando segurá-lo para ele não me morder. Peguei um dos meus livros grandes sobre tecidos e o segurei contra seu pescoço."
Bowers conseguiu chamar um amigo, que arrancou o macaco de cima dela. Ela tinha mordidas nos braços e nas pernas; a pele entre o dedão e o dedo indicador de sua mão direita estava mutilada. Mesmo assim, só depois de cinco anos ela enviou Joey e outra macaca que havia adotado para o Born Free USA Primate Sanctuary, perto de Dilley, Texas.
Quando lhe perguntaram o motivo dela ter demorado tanto para abrir mão do macaco, Bowers, que envia caixas de doces para Joey e o visita uma vez por ano, começou a chorar. "Fiz uma promessa", ela disse. "Como quando você tem um cachorro e fica com ele até a morte." "Ele mordia meus braços, pernas e rosto", ela acrescenta. "Era aterrorizante, mas eu o amava mesmo assim."
Judie Harrison e Mikey
Judie Harrison, 50 anos e três vezes casada, é um exemplo extremo de amor primata. Um dia ela mandou seu filho de 15 anos ceder seu quarto para um chimpanzé, e hoje ela está afastada de todos os seus três filhos por colocar os primatas em primeiro lugar. Sua paixão lhe custou sua casa.
Harrison teve interesse por primatas durante toda a sua vida. Quando criança, queria um chimpanzé; mais tarde, como mãe divorciada com crianças pequenas em Delaware, ela começou a salvar macacos, alugando uma fazenda de 72,8 hectares, onde seu atual marido, Greg Harrison, se juntou a ela em 1994. Em certo momento, conta, ela chegou a ter 11 macacos. Depois, quando o casal se mudou para Maryland, Harrison conseguiu uma licença do Departamento de Agricultura americano (USDA, na sigla em inglês) permitindo que ela exibisse os animais em público, e em 2000 montou um negócio, cobrando US$ 125 por hora para um mico fazer truques em festas de aniversário de crianças.
Dois anos mais tarde, ela comprou por US$ 45 mil Mikey, um chimpanzé de oito meses de idade, da Fundação de Primatas do Missouri, a fazenda de chimpanzés que vendeu Travis a Herold. (Ligações para Herold e para o escritório da fazenda não foram retornadas.) Os Harrison fizeram uma segunda hipoteca de sua casa, conta ela, e voaram para o Missouri, onde puderam observar Mikey em um berço, sem se aproximarem por uma hora, e então os criadores trouxeram o chimpanzé de 45 kg para se sentar em seu colo.
"Morri de medo", diz ela. "Até hoje, não sei a razão disso. Sentei no sofá, vi Mikey balançando em seu bercinho, e pensei, 'meu Deus, só quero levá-lo para casa.'" Harrison estava ciente de que Mikey cresceria muito - disseram a ela que seu pai pesava 99,8 kg. Ela sabia que ele poderia viver até os 60 anos, mas, de acordo com Harrison, uma de suas filhas, na época com 17 anos, disse que continuaria cuidando dele. Harrison levou Mikey para casa, onde ela lhe ensinou a escovar os dentes com um irrigador oral e brincavam com blocos de construção. Um ano e meio depois, achando que Mikey precisava de companhia, ela pegou outro empréstimo de US$ 45 mil e comprou um chimpanzé chamado Louie.
Os dois chimpanzés logo entraram para o show business. Usar chimpanzés em apresentações é algo condenado por ativistas de direitos dos animais como Jane Goodall, que denuncia em seu website que, após os animais ficarem mais ariscos durante a puberdade, entre seis e oito anos, normalmente têm seus dentes arrancados e passam a usar coleiras de choque sob suas fantasias. Mikey fez uma aparição no programa televisivo Late Night With Conan O'Brien quando tinha menos de dois anos.
"Mikey é uma grande estrela no mundo do entretenimento, provavelmente um dos mais famosos chimpanzés que já existiram," diz Harrison, que parece em conflito com o assunto. "Posso passar o website profissional dele, www.cognitivechimps.com, é repugnante." O site, que mostra Mikey na capa de um álbum do Black Eyed Peas, em um anúncio da Dolce & Gabbana e na capa de uma revista do New York Times, confirma o sucesso de Mikey. Ele também fica bem de terno.
Chimpanzés, no entanto, exigem certo sacrifício. A sala da família deu espaço para suas jaulas e, após Mikey, o maior, começar a bater em Louie, Harrison fez seu filho ceder seu quarto, próximo à sala, para Mikey. Seu filho, transferido para um quarto no porão, preferiu viver com seu pai. "Não achei justo os chimpanzés não poderem se ver", explica Harrison. Ela começa a chorar e lamenta, "destruí muitas vidas com o que fiz."
Ela própria já passou por situações difíceis. Em um hotel em Nova York para um trabalho com Mikey, Harrison deixava o chimpanzé cuidar do dente dela, ou seja, puxá-lo - um hábito comum entre esses animais e talvez um exemplo de chimpanzé tratando um humano como macaco. "De repente, sinto uma grande dor no lado direito da minha boca e algo pingando no meu rosto", disse a senhora Harrison. "Havia todo aquele sangue, então olhei para Mikey e vi que ele tinha meu dente em sua mão, com raiz e tudo. Ele arrancou meu dente com um dedo."
Greg Harrison perdeu seu emprego como diretor de aquisições da W.L. Gore & Associates por passar tempo demais no negócio dos chimpanzés. Apesar da renda com os animais, as dívidas se acumulavam. Enquanto isso, os animais ficavam cada vez mais fortes. Judie Harrison começou a notar que Mikey gritava e hostilizava as crianças, e estava se tornando agressivo com "mulheres baixas". (Ela não mencionou que, segundo oficiais da USDA, seus inspetores a autuaram por não tratar os animais adequadamente ao menos em três ocasiões, inclusive um incidente no qual uma mulher foi mordida.)
Ano passado, quando Judie Harrison caminhava com Mikey, que usava uma coleira, até o carro, ele disparou na direção de uma criança andando de bicicleta. "É preciso entender sobre chimpanzés e domínio", afirma Judie Harrison. "À medida que um chimpanzé cresce, ele passa a querer dominar qualquer criatura menor que ele, o que significa um desejo de matá-la".
O casal pegou outro empréstimo, de cerca de US$ 35 mil, e reformou sua garagem para acomodar a nova jaula do animal. Quando destrancaram a porta da garagem e descobriram Mikey sentado no topo da jaula, conta, ela soube então que a situação havia se tornado perigosa e que era hora de desistir. Em outubro, o mesmo mês que Mikey e Louie encontraram um novo lar, Harrison cancelou sua licença.
Harrison diz que ela e seu marido perderam sua casa na execução da hipoteca e agora moram em um loft alugado na Filadélfia. Ela está afastada de seus três filhos, acredita, em grande parte por ter dedicado toda sua atenção aos chimpanzés. E sim, insiste, ela também se arrepende de ter colocado os chimpanzés no show business.
"Isso apenas reforça a idéia de que são bonitinhos, fofinhos, comportados, como humanos", diz Harrison. "Bem, você pode assistir a um comercial e ver um chimpanzé por 10 segundos, mas aquele comercial levou oito horas para ser gravado. Eles são bonitinhos e fofinhos aos dois, três anos, mas não dá para comprar um chimpanzé por esse tempo e esperar que alguém crie e cuide dele pelos próximos 50 ou 60 anos. Quando peguei os bichinhos, tinha toda intenção de criá-los pelo resto de minha vida. Mas não consegui mantê-los seguros."
Tradução: Amy Traduções