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Estados Unidos

Demitido por plágio denuncia perseguição por artigo pós-11/9

25 mar 2009 - 11h33
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Dan Frosch


Um antigo professor da Universidade do Colorado passou quase seis horas defendendo seu trabalho acadêmico, na terça-feira, em um interrogatório relacionado ao processo no qual alega ter sido demitido por um ensaio que escreveu depois dos ataques terroristas do 11 de setembro.

Depois de passar boa parte da segunda-feira explicando suas opiniões políticas, o antigo professor, Ward Churchill, foi interrogado extensamente pelo advogado da universidade, Patrick O'Rourke. Um comitê do corpo docente concluiu que Churchill havia plagiado e forjado partes de seu trabalho sobre a perseguição aos indígenas norte-americanos, o que resultou em sua demissão em julho de 2007, alega a universidade.

Mas Churchill argumenta que foi demitido devido ao controvertido ensaio, no qual caracteriza os trabalhadores do World Trade Center como "pequenos Eichmanns". Em uma troca de argumentos que alternava momentos de hostilidade e de cortesia, O'Rourke tratou em detalhes do trabalho de Churchill, boa parte do qual se concentra na difusão da varíola entre os indígenas norte-americanos e sobre aspectos variados das leis norte-americanas que afetam os territórios indígenas.

O'Rourke disse que a admissão de Churchill de que escrevera trabalhos acadêmicos para outros estudiosos e havia ocasionalmente citado esses trabalhos como prova de suas teorias era uma clara violação dos padrões acadêmicos, como o comitê de professores havia concluído.

"A única prova que ouvimos de qualquer pessoa que não o senhor quanto às suas práticas acadêmicas veio de 20 professores titulares da Universidade do Colorado, todos os quais consideram que agir da maneira que o senhor agiu é incorreto", disse o advogado.

Churchill disse que essa prática não violava qualquer padrão acadêmico vigente na universidade. E argumentou que era aceitável que um estudioso escrevesse um estudo publicado sob o nome de terceiros e depois citar esse estudo em outros trabalhos, desde que o segundo estudioso aceitasse a premissa original.

O'Rourke reconheceu que a universidade e Churchill receberam severas críticas em função do ensaio, e que Churchill recebeu "meio milhão de acusações", e a instituição sofreu severa pressão por medidas disciplinares contra ele.

Mas mesmo depois de demiti-lo, a universidade continuou permitindo que ele lecionasse lá, quando convidado pelos alunos - prova, disse O'Rourke, de que sua demissão não constituía qualquer cerceamento à sua liberdade de expressão tal qual definida pela constituição.

"A mesma universidade que supostamente o demitiu por se pronunciar permite que o senhor retorne e fale, lá, sobre qualquer assunto que deseje, sempre que for convidado para tanto", disse O'Rourke. Churchill respondeu que "não sei em que esse argumento altera a situação".

Churchill reconheceu que trechos de um ensaio escrito pela professora Fay Cohen, da Universidade Dalhousie, no Canadá, sobre direitos de pesca indígenas, haviam sido usados sem permissão em um livro que ele ajudou a editar e escrever. Mas Churchill negou que fosse responsável por plagiar qualquer parte do ensaio, no qual ele havia trabalhado com Cohen.

Quando questionado por seu advogado, David Lane, sobre o que esperava ganhar com o processo, Churchill respondeu que "quero o meu emprego de volta. Quero que a universidade reconheça que todo o processo que levou à minha demissão foi fraudulento".

Ao longo do dia, Churchill argumentou que não havia feito coisa alguma de errado e que a universidade o havia tratado de maneira indevida. O'Rourke questionou essa premissa. "Todos os professores titulares envolvidos no comitê aceitaram um relatório fraudulento e fictício apenas para removê-lo da universidade?", perguntou.

Churchill disse acreditar que influências externas tenham ajudado a selar seu destino. "É simplesmente errado que isso tenha acontecido", afirmou. O'Rourke rebateu afirmando que "é simplesmente errado colocar o nome de outra pessoa em um trabalho que o senhor mesmo escreveu e depois citá-lo em um de seus trabalhos".

Depois do depoimento de Churchill, um dos jurados apresentou uma pergunta: se ele acreditava que as acusações de delitos acadêmicos teriam surgido caso ele não tivesse escrito o ensaio controverso. "Acredito que a resposta fácil a essa pergunta seja não. Os problemas não teriam surgido", disse Churchill.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
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