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Por religião, oficiais negam certidão de casamento a gays

No Texas e no Mississipi, alguns funcionários negaram a emissão dos documentos e podem receber multas e processos na Justiça

29 jun 2015 23h59
| atualizado em 30/6/2015 às 07h58
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Apoiadores do movimento dos direitos dos gays nos EUA comemoram decisão da Suprema Corte. 26/06/2015
Apoiadores do movimento dos direitos dos gays nos EUA comemoram decisão da Suprema Corte. 26/06/2015
Foto: Jim Bourg / Reuters

Após a decisão tomada na última sexta-feira pela Suprema Corte dos Estados Unidos de legalizar o casamento gay em todo o país, alguns funcionários em estados como Texas e Mississipi continuam se recusando a emitir certidões para casais do mesmo sexo.

No Texas, o procurador-geral, Ken Paxton, disse no domingo que os secretários dos condados, os funcionários encarregados de emitir as certidões de casamento, podem se negar a fazê-lo por "objeção religiosa", mas também alertou que esta decisão pode acarretar em multas e processos na Justiça.

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Nas grandes cidades texanas - Austin, San Antonio, Houston e Dallas - a decisão da Suprema Corte está sendo aplicada com normalidade. No entanto, funcionários em pequenos condados seguiram nesta segunda-feira as orientações do conservador Paxton.

"Eu defendo minha liberdade religiosa. Acho que o casamento é para um homem e uma mulher porque é assim que diz a Bíblia", disse ao jornal "The Texas Tribune" Katie Lang, secretária do condado de Hood, que tem cerca de 53 mil habitantes e fica no norte do estado.

"Podem me multar e podem me processar. Mas hoje em dia podem processar você por qualquer coisa", acrescentou a secretária, que explicou que ainda não recebeu qualquer solicitação de casamento de pessoas do mesmo sexo.

Em outros condados como Hill, Jackson, Burleson e Ector, seus secretários também não expediam certidões para homossexuais, mas alguns alegaram defeitos nos formulários para isso.

Estas negativas fizeram com que o senador estadual democrata Rodney Ellis solicitasse hoje à procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, que supervisione o estado para "garantir que os funcionários do Texas não deixem de cumprir a decisão da Suprema Corte e discriminem casais do mesmo sexo".

Por outro lado, o procurador-geral do Mississipi, Jim Hood, que na sexta-feira não quis implementar a decisão do Supremo, informou hoje aos secretários do condado que não "tomará medidas" contra os que emitirem certidões para homossexuais.

Após a carta, A

aron Polk e Michael Dorado se transformaram no primeiro casal gay legalmente casado no Mississipi após registrar a união no cartório da cidade de Jackson.

Apesar disso, muitos dos 82 condados do Mississipi, como DeSoto, Jackson e Jones, ainda não implementaram a ordem da Suprema Corte americana.

Por outro lado, na Louisiana, também no sul do país, duas funcionárias da Paróquia de Jefferson (um equivalente ao condado), Celeste Autin e Alesia Leboeuf, se casaram hoje, após 38 anos de relação, e se transformaram no primeiro casal gay oficialmente casado nesse estado.

Apesar de alguns secretários, como na Paróquia de Jefferson, terem começado a emitir certidões, o estado não reconhecerá as uniões até que passem as três semanas que a Suprema Corte tem para reconsiderar a decisão.

Nos outros estados em que o casamento homossexual estava proibido até a última sexta-feira - Arkansas, Kentucky, Dakota do Sul, Dakota do Norte, Missouri, Ohio, Michigan, Nebraska e Tennessee - seus funcionários começaram a emitir certidões após a decisão do Supremo.

EFE   
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