Esposa do primeiro-ministro da Espanha será julgada por júri por acusações de peculato, decide tribunal
A esposa do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, será julgada por um júri sob acusações de tráfico de influência e peculato, decidiu um tribunal nesta quinta-feira, em mais um revés para o governo, envolvido há meses em investigações de corrupção e escândalos.
A equipe de defesa de Begoña Gómez havia interposto um recurso, solicitando ao Tribunal Superior de Madri que retirasse as acusações contra ela — das quais ela se declara inocente — e revogasse outras medidas impostas por um tribunal de primeira instância no mês passado.
O tribunal de Madri retirou uma terceira acusação de corrupção empresarial contra Gómez e revogou a medida do tribunal de primeira instância que a proibia de deixar o país, obrigava-a a comparecer regularmente ao tribunal e exigia que ela entregasse seu passaporte.
Mas manteve a maior parte do processo contra ela — o desafio jurídico mais grave enfrentado pela família e pelos colaboradores próximos do primeiro-ministro socialista Sánchez.
"GÓMEZ É INOCENTE", DIZ GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO
Os promotores públicos também haviam solicitado ao tribunal que retirasse as acusações — que se baseavam em uma denúncia apresentada por grupos de extrema-direita que acusavam Gómez de usar sua posição como cônjuge do primeiro-ministro para garantir contratos de trabalho.
Sánchez — que chegou a considerar brevemente a possibilidade de renunciar em abril de 2024, depois que o juiz de instrução Juan Carlos Peinado abriu a investigação contra sua esposa — defendeu publicamente sua família, afirmando que os processos têm motivação política e são impulsionados por seus oponentes.
"Begoña Gómez é inocente", afirmou o gabinete de Sánchez em comunicado nesta quinta-feira.
"Qualquer pessoa familiarizada com a investigação sabe que este é um caso com motivação política, decorrente de uma falsa alegação feita por uma organização de extrema-direita, baseada em notícias falsas, e cuja única motivação é assediar e perseguir a esposa do primeiro-ministro."
No início desta semana, um tribunal condenou o irmão de Sánchez por má conduta administrativa e o impediu de exercer cargos públicos por nove anos.
Mas a decisão desta quinta-feira confirmou que Gómez será julgada por um júri popular, um procedimento reservado na Espanha para um número limitado de crimes, incluindo tráfico de influência.
Dados do Conselho Geral do Poder Judiciário (CGPJ) mostram que os júris proferem sentenças condenatórias na grande maioria dos casos, com taxas de condenação oscilando em torno de 90% na última década e situando-se em aproximadamente 89,5% em 2024.
De acordo com o Código Penal da Espanha, o tráfico de influência por parte de um particular é punível com pena de prisão de seis meses a dois anos, enquanto o desvio de fundos pode acarretar até oito anos de prisão em casos agravados.
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